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Lagarta-militar ameaça trigo no início do ciclo

Ataques entre emergência e perfilhamento podem reduzir potencial produtivo da lavoura


Foto: Seane Lennon

Por Aline Merladete, com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo.

As 4 pragas mais importantes da lavoura de trigo são os pulgões, corós, percevejos e lagartas desfolhadoras, de acordo a Embrapa trigo. Entre as lagartas, a Lagarta-militar ou Lagarta do Cartucho (Spodoptera frugiperda), poderá causar severos danos às plantas de trigo.

A lagarta-militar mais conhecida pelos danos no milho, também tem sido registrada com maior frequência em lavouras de trigo, especialmente em áreas de sucessão ou rotação milho-trigo, sorgo-trigo e milheto-trigo. Também, com a evolução da Integração Lavoura-Pecuária (iLP), plantas tigueras de espécies forrageiras servem de hospedeiro à praga. A partir dessas fontes, as lagartas podem migrar para o trigo recém-emergido.

O maior risco ocorre no início do ciclo, entre a emergência e o perfilhamento, quando o ataque pode provocar falhas de estande, desfolha e redução do potencial produtivo, sendo mais comum, nas áreas norte e oeste do Paraná, nas regiões centro-oeste e norte com clima tropical, onde o inverno é mais seco e pouco rigoroso.

Os primeiros sinais incluem plantas cortadas próximas ao solo, folhas raspadas com aspecto esbranquiçado, perfurações irregulares e presença de fezes próximas ao colo das plantas. Lagartas maiores podem chegar a cerca de 3 cm e apresentam, entre outras características, um desenho em forma de “Y” invertido na cabeça.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP), iniciando com monitoramento precisa começar logo após a emergência. Caminhadas em diferentes pontos da lavoura, inspeção da palhada e observação do colo das plantas ajudam a detectar a infestação antes que os danos avancem. A partir do perfilhamento, o pano-de-batida também pode auxiliar na identificação e contagem das lagartas.

Controle depende de monitoramento

A decisão de controle não deve ser feita apenas pela presença da lagarta. O estádio do trigo, a população e tamanho das lagartas, a intensidade e distribuição do ataque e a presença de inimigos naturais também precisam ser avaliados. Essas avaliações serão auxiliadas com a utilização do pano-de-batida, considerando que as lagartas se alimentam mais a noite e em dias nublados.

Lagartas jovens tendem a ser mais suscetíveis às medidas de controle. Já a predominância de indivíduos maiores pode indicar uma infestação mais antiga, com danos já estabelecidos e menor eficiência das intervenções.

Entre as medidas preventivas estão a eliminação de plantas tigueras de milho, sorgo, milheto e gramíneas que funcionam como hospedeiros, a dessecação adequada antes da semeadura e o monitoramento mais rigoroso em áreas com histórico da praga.

Quando houver necessidade de controle químico, devem ser utilizados apenas produtos registrados para trigo e para a lagarta-militar, respeitando rótulo, bula e receituário agronômico. A alternância de modos de ação também é indicada para reduzir o risco de seleção de populações resistentes.

O manejo biológico e a conservação de inimigos naturais também podem integrar a estratégia. Produtos biológicos registrados e a redução de aplicações desnecessárias de inseticidas de amplo espectro são alternativas previstas dentro do manejo integrado de pragas.

A identificação precoce continua sendo o principal ponto de atenção. Em áreas de sucessão milho-trigo e demais gramíneas, pequenas falhas no estande ou folhas raspadas já podem indicar a presença da praga e justificar uma inspeção mais detalhada.
 

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