Foto: Arquivo Agrolink
A Comissão Nacional de cana-de-açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniu, na quarta (22), para discutir o Plano Safra 2026/2027, perspectivas climáticas e impactos do El Niño para o setor sucroenergético. Na abertura, o presidente da Comissão, Nelson Perez Júnior, destacou que o setor está acompanhando os assuntos, que prometem afetar a cadeia produtiva nos próximos meses.
Em relação à pauta do Plano Safra, o assessor técnico Guilherme Rios, deu um panorama das demandas apresentadas pela CNA para o plano, lançado pelo governo em 30 de junho, além de destacar que a confederação vai continuar acompanhando a aplicação dos recursos destinados ao financiamento da política agrícola na próxima safra.
Eventos climáticos - Outro item discutido pela comissão foram os impactos previstos para o agro com a chegada do fenômeno El Niño. A assessora técnica da CNA, Danyella Bonfim, trouxe dados sobre o clima, com possíveis efeitos nas pastagens, piscicultura, café, soja, milho, arroz, trigo e bovinos.
De acordo com a assessora técnica, é possível que esse ano aconteça o super El Niño, registrado pela última vez em 2015/2016, com impactos principalmente nas lavouras de soja no Brasil Central e região do Matopiba. Em relação à cana-de-açúcar, Danyella explicou que o setor já sinalizou relatos de atrasos na colheita e moagem devido ao excesso de chuvas na região Centro-Sul do país.
Danyella Bonfim reforçou que apesar de não dar para controlar o fenômeno, é possível se preparar para ele, com monitoramento de mercado e previsões meteorológicas, planejamento no calendário de plantio e não ignorar os riscos.
EUA e o tarifaço - A comissão também abordou a tarifa adicional de 25% que os Estados Unidos começaram a aplicar sobre determinados produtos brasileiros a partir desta quarta, após investigação da Seção 301 (legislação comercial do país).
A assessora de Relações Internacionais, Isadora Souza, trouxe os seis eixos de argumentação norte-americana contra o Brasil (tarifas preferenciais, desmatamento ilegal, mercado de etanol, comércio digital, medidas anticorrupção e propriedade intelectual) e a decisão final sobre a aplicação da tarifa.
No entanto, a assessora pontuou que a lista de exceções foi ampliada, reduzindo significativamente o impacto sobre o agronegócio brasileiro. Isadora também falou sobre o acordo Mercosul x União Europeia e as cotas estabelecidas para o agro, sobretudo a cadeia sucroenergética.
Os membros da comissão discutiram, ainda, a Medida Provisória n.º 1374/2026 que autoriza a concessão de subvenção econômica de R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar a produtores independentes da Região Nordeste. O benefício é voltado para a região devido a eventos climáticos extremos, bem como aos impactos tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos durante a safra 2025/2026.
Também foram discutidas questões relacionadas à Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e competitividade do etanol em relação à gasolina.