El Niño deve continuar influenciando o clima em 2027
Aquecimento do Pacífico reforça previsão de El Niño mais intenso
Foto: OceanOPS
O El Niño deverá se intensificar ao longo dos próximos meses e pode alcançar uma condição muito forte no fim de 2026. Segundo dados divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), o aquecimento do Pacífico equatorial deve continuar influenciando os padrões de chuva e temperatura e poderá produzir efeitos climáticos também no início de 2027.
A avaliação mais recente da organização aponta elevado consenso entre os modelos de previsão sobre a continuidade do fenômeno. O comportamento das temperaturas do oceano é um dos principais elementos que sustentam essa perspectiva. De acordo com a OMM, as águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental seguem mais quentes do que o normal. É justamente nessa faixa do oceano que são monitoradas as condições associadas à formação e ao fortalecimento do El Niño.
Um dos indicadores usados nesse acompanhamento, o índice Niño 3.4, apresentou anomalia média de +1,5°C entre maio e julho. Segundo dados divulgados pela OMM, o valor chegou a aproximadamente +2°C em julho e continuou aumentando posteriormente. Nas semanas seguintes, as anomalias semanais ficaram entre +2,2°C e +2,6°C. O avanço das temperaturas indica que o processo de aquecimento ainda não atingiu seu limite, reforçando a expectativa de maior intensidade nos próximos meses.
As condições registradas em camadas mais profundas do Pacífico também contribuem para essa projeção. De acordo com a OMM, durante julho e o início de agosto foram identificadas regiões abaixo da superfície com temperaturas superiores em mais de 8°C aos valores normais. Esse calor acumulado abaixo da superfície funciona como uma reserva de energia capaz de contribuir para a manutenção do aquecimento das águas superficiais. Por isso, o comportamento do oceano permanece entre os principais fatores acompanhados pelos modelos climáticos.
Para o período entre setembro e novembro de 2026, segundo dados divulgados pela OMM, existe maior probabilidade de temperaturas acima da média em praticamente todas as áreas continentais. As projeções para precipitação também apresentam características normalmente associadas a episódios fortes de El Niño. A organização ressalta, porém, que a distribuição das chuvas e a intensidade das alterações dependem de cada região.
Isso ocorre porque a presença de um El Niño intenso não produz os mesmos efeitos em todos os países. A resposta climática varia conforme a localização geográfica, a época do ano e a influência simultânea de outros sistemas oceânicos e atmosféricos. Entre os fatores acompanhados está o Dipolo do Oceano Índico. Segundo a OMM, há possibilidade de uma fase positiva do fenômeno, com anomalia sazonal próxima de +0,9°C entre setembro e novembro.
O Atlântico tropical também apresenta temperaturas acima do habitual. A combinação entre o aquecimento no Pacífico, as condições no Oceano Índico e as águas mais quentes no Atlântico pode alterar a forma como os efeitos do El Niño se manifestam em cada região.
De acordo com a OMM, essas interações podem ampliar determinados padrões associados ao fenômeno, modificar sua distribuição ou até reduzir alguns efeitos localmente. A expectativa é de que o El Niño continue avançando até atingir seu pico próximo ao fim de 2026. Os impactos sobre a atmosfera, no entanto, podem permanecer mesmo depois de uma eventual redução das temperaturas do Pacífico.
Segundo dados divulgados pela OMM, o El Niño costuma se desenvolver entre março e junho e geralmente alcança sua intensidade máxima entre novembro e fevereiro. Alterações na circulação atmosférica e nos padrões de temperatura podem persistir após esse período. Por esse motivo, a organização considera necessário manter o acompanhamento das condições climáticas também durante 2027.
Mudanças na distribuição das chuvas e nas temperaturas podem repercutir em diferentes atividades econômicas e sociais. Agricultura, geração de energia, recursos hídricos, saúde e gestão de emergências estão entre os setores mencionados pela OMM como suscetíveis aos efeitos relacionados ao fenômeno.
A organização também trabalha com serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para ampliar a capacidade de monitoramento, alerta precoce e preparação diante das possíveis alterações climáticas.
Segundo a OMM, um El Niño muito forte pode favorecer mudanças relevantes na circulação atmosférica global e aumentar, em determinadas regiões, a possibilidade de períodos de seca, chuvas excessivas e temperaturas elevadas. A ocorrência e a intensidade desses eventos, entretanto, dependerão das condições específicas de cada área.
Os dados foram divulgados pelo World Meteorological Organization (WMO), El Niño/La Niña Update, agosto de 2026.