Foto: Seane Lennon
O Super El Niño pode influenciar o clima brasileiro durante a primavera, com previsão de temperaturas acima da média na maior parte do país e chuvas mais intensas no Sul. Segundo análise divulgada pelo Meteored, o fenômeno está se fortalecendo e pode se tornar um dos eventos mais intensos já registrados, enquanto os modelos apontam para efeitos distintos entre as regiões brasileiras.
Segundo dados apresentados pelo Meteored, a atualização de setembro mostra forte concordância entre modelos dinâmicos e estatísticos, com projeções de anomalias superiores a +3°C no Pacífico Equatorial. O índice do Niño 3.4 já chegou a +3°C nos últimos dias de setembro, e o pico do fenômeno é esperado entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A análise do Meteored aponta ainda que há cerca de 75% de probabilidade de o El Niño superar a intensidade de todos os eventos registrados anteriormente desde 1950 entre outubro e dezembro de 2026.
O fenômeno deve permanecer muito forte até o início de 2027. Segundo a análise, porém, a intensidade e os impactos regionais ainda podem sofrer influência de outros fatores e fenômenos climáticos.
No Brasil, um El Niño muito forte tende a alterar os padrões de chuva e temperatura. Os efeitos esperados incluem chuvas intensas e frequentes no Sul, temperaturas mais elevadas no Sudeste, poucas alterações no Centro-Oeste e redução das precipitações no Norte e Nordeste.
No Sul, a análise do Meteored indica aumento das temperaturas médias e maior frequência de chuvas intensas. Já no Sudeste, a tendência é de temperaturas médias mais elevadas e ocorrência de ondas de calor.
No Centro-Oeste, os efeitos devem ser menos pronunciados. A exceção pode ser o Mato Grosso do Sul, onde chuvas e temperaturas podem ficar acima da média.
No Nordeste, a previsão indica redução brusca das chuvas e possibilidade de secas severas, especialmente durante o verão. No Norte, também são esperadas menores precipitações, com possibilidade de secas severas e aumento dos incêndios florestais.
Embora os efeitos do El Niño sejam mais bem definidos em estações que não sejam de transição, principalmente no inverno e no verão, os modelos numéricos permitem avaliar as tendências para a primavera.
Para o trimestre formado por outubro, novembro e dezembro, a análise do Meteored indica um padrão climático alinhado ao comportamento esperado em anos de El Niño.
As temperaturas devem permanecer acima da média na maior parte do país. Com isso, a previsão aponta para vários episódios de calor mais intenso que o normal a partir de outubro, além da possibilidade de novos recordes de temperatura máxima no Brasil.
A principal exceção deve ocorrer na região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul. Segundo a análise do Meteored, o avanço de massas de ar frio associado a frentes frias e à ocorrência de chuvas intensas e frequentes pode manter as temperaturas abaixo da média no estado.
O regime de chuvas também deve seguir o padrão esperado para um ano de El Niño. Na região Sul, chuvas intensas e frequentes podem provocar novos episódios de tempo severo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Segundo a análise do Meteored, esses estados já registraram tornados, granizo severo e grandes alagamentos nos últimos meses, aumentando a atenção para a ocorrência de novos eventos extremos durante a primavera.
Parte de São Paulo e do Mato Grosso do Sul também pode registrar aumento no volume total de precipitação, com possibilidade de os acumulados ficarem acima da média nos próximos meses.
Nessas áreas, também existe possibilidade de ocorrência de tempestades severas isoladas.
Enquanto isso, o norte de Mato Grosso, o norte de Goiás e as regiões Norte e Nordeste devem registrar redução na intensidade e na frequência das chuvas.
Segundo a análise do Meteored, ainda é difícil determinar com exatidão a duração e a intensidade desses períodos de menor precipitação. Existe, porém, possibilidade de ocorrência de períodos de estiagem até o final do ano.
O cenário previsto para a primavera reforça a diferença entre os impactos regionais associados ao Super El Niño. Enquanto o Sul pode enfrentar maior frequência de chuvas intensas e eventos extremos, outras áreas do país tendem a lidar com calor acima da média e redução das precipitações.