Paraná destaca 69 cidades aptas ao cultivo de oliveiras
Boletim mapeia áreas para cultivo de oliveiras
Foto: Pixabay
Sessenta e nove municípios da região sul do Paraná foram classificados como aptos ao cultivo de oliveiras, segundo o boletim técnico “Riscos climáticos para a Olivicultura no Estado do Paraná”, publicado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar-Emater. A publicação reúne informações técnicas voltadas à redução de riscos climáticos, ao planejamento de investimentos e à ampliação das chances de sucesso de pomares comerciais no estado.
O estudo busca suprir uma das principais demandas da cadeia produtiva, relacionada à carência de informações regionalizadas sobre o cultivo da oliveira. O levantamento delimita áreas consideradas adequadas, aponta períodos mais indicados para implantação dos pomares e apresenta critérios para a escolha de cultivares adaptadas às condições de solo e clima do Paraná. Os 69 municípios de menor risco climático estão concentrados nas regiões mais altas dos Campos Gerais, Centro-Sul, Sudoeste e Sul do estado, incluindo cidades como Campo Largo, General Carneiro, Guarapuava, São Mateus do Sul, Palmas, Pato Branco, Piraquara, Prudentópolis, Rio Negro e União da Vitória.
Segundo o boletim, o principal diferencial dessas regiões está na combinação entre altitude e disponibilidade de horas de frio durante o outono e o inverno, condição considerada essencial para o desenvolvimento adequado das oliveiras e para uma boa floração. O documento destaca que a cultura necessita de um período de frio para entrar em dormência e estimular a brotação e a formação das flores. Sem esse processo, a produção pode ser comprometida.
“O sucesso da olivicultura depende da associação entre a cultivar e as condições climáticas. O produtor precisa conhecer os riscos antes de investir”, afirma a engenheira-agrônoma e extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar-Emater, Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, uma das autoras do boletim.
O estudo utilizou mais de 30 anos de dados meteorológicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar-Emater, do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná e do Instituto Nacional de Meteorologia. Foram analisadas variáveis como acúmulo de horas de frio, risco de geadas, excesso de chuva durante o florescimento, estiagem na fase de maturação dos frutos e níveis de umidade relativa do ar, utilizados na elaboração dos mapas de zoneamento climático e classes de risco para diferentes grupos de cultivares.
De acordo com a publicação, as cultivares com menor exigência de frio vêm apresentando os melhores resultados comerciais no Paraná, com destaque para Arbequina, Arbosana, Koroneiki e Grappolo.
O boletim também chama atenção para fatores internos das propriedades que podem aumentar os riscos à cultura. Áreas baixas sujeitas ao acúmulo de ar frio e excesso de umidade, por exemplo, podem favorecer a ocorrência de geadas e doenças mesmo em municípios considerados aptos. O estudo recomenda ainda o plantio intercalado de cultivares para favorecer a polinização cruzada e melhorar a produtividade dos pomares.
Apesar das dificuldades impostas pelo clima subtropical, especialmente pelo excesso de chuva e umidade durante o florescimento, a olivicultura tem avançado nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. O boletim destaca que os azeites produzidos no país vêm conquistando reconhecimento em mercados nacionais e internacionais.
No Paraná, o potencial produtivo está diretamente ligado às áreas com maior acúmulo de horas de frio, necessárias ao ciclo das oliveiras. O documento aponta, no entanto, desafios que ainda precisam ser superados, como o desenvolvimento de cultivares mais adaptadas, a ampliação de programas de melhoramento genético, a produção de mudas certificadas e o aperfeiçoamento das técnicas de manejo.
Além de Laís Gomes Adamuchio de Oliveira, a publicação foi elaborada pelos pesquisadores Pablo Ricardo Nitsche, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná - Iapar-Emater, e Marcos Silveira Wrege, Itamar Antônio Bognola, Márcia Toffani Simão Soares e Elenice Fritzsons, vinculados à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.