Previsão indica novo aumento na probabilidade de El Niño em 2026
Probabilidade do fenômeno climático cresce para próximos meses
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O fenômeno climático El Niño pode voltar a se estabelecer ao longo de 2026, segundo projeções recentes de centros internacionais de monitoramento. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial e integra o sistema El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que combina componentes oceânicos e atmosféricos. O sistema ENOS alterna entre três fases: El Niño, associado ao aquecimento das águas; La Niña, caracterizado pelo resfriamento; e a condição neutra.
No Brasil, os efeitos do fenômeno tendem a variar conforme a região. Em geral, há aumento do risco de seca em áreas do Norte e do Nordeste, enquanto a Região Sul registra maior volume de chuvas.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as previsões do Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), indicam elevação na probabilidade de formação do El Niño ao longo do ano. De acordo com o boletim divulgado em 20 de abril, a fase de La Niña foi encerrada e o Pacífico equatorial central se encontra em condição de neutralidade, com 80% de chance de persistência até o fim do primeiro semestre. Para o trimestre entre junho e agosto, a probabilidade de estabelecimento do fenômeno é de 79%, superando 80% no período seguinte e atingindo 90% a partir do trimestre entre agosto e outubro, com tendência de continuidade até 2027.
O impacto do El Niño na agricultura é significativo, uma vez que alterações nos padrões de chuva e temperatura afetam diretamente o desenvolvimento das culturas. Em regiões do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste, há tendência de redução das precipitações e aumento de períodos de estiagem, o que compromete o desempenho das lavouras e a disponibilidade de água, especialmente em sistemas de sequeiro.
Na Região Sul, por outro lado, o fenômeno costuma elevar os volumes de chuva, sobretudo no inverno e na primavera. Esse cenário pode resultar em excesso de umidade no solo, dificultando o manejo agrícola e favorecendo o surgimento de doenças.
Segundo o (Inmet), o cultivo de cereais de inverno, os períodos mais críticos coincidem com meses de maior volume de precipitação, como setembro e outubro. Nessas condições, as lavouras ficam mais expostas ao excesso de água durante fases como floração, enchimento de grãos e maturação, o que pode comprometer o desenvolvimento e reduzir a produtividade. A umidade elevada também favorece doenças fúngicas e dificulta a realização de operações no campo.
Para as culturas de verão, os impactos variam regionalmente. Em áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste, a redução das chuvas pode aumentar a frequência de veranicos, afetando o plantio e o desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho. Já no Sul, o aumento das chuvas pode contribuir para a disponibilidade de água, mas também provocar encharcamento do solo, dificultar o plantio e os tratos culturais, além de impactar a colheita.
Apesar das projeções, especialistas ressaltam que os efeitos do fenômeno dependem de outros fatores climáticos, como as temperaturas da superfície do mar em outras regiões oceânicas e a intensidade do próprio El Niño.
Tabela 1: Impacto do fenômeno ENOS na cultura de trigo na Região Sul do Brasil. Fonte: Dados estaduais de produtividade do trigo de 1996-2025 (CONAB).

Tabela 2: Impacto do fenômeno ENOS na cultura de aveia na Região Sul do Brasil. Fonte: Dados estaduais de produtividade da aveia de 1996-2025 (CONAB).
