Recentemente escrevemos um artigo a respeito dasobrevalorização cambial e seus efeitos na balançacomercial. Demonstramos que, embora a lógica em casosdessa natureza, seja o país importar mais do que exportar,gerando um déficit comercial, o Brasil, neste ano de 2011,contraditoriamente, estava gerando um superávit (saldopositivo) bem mais elevado do que o do ano passado,mesmo com um Real ainda mais valorizado. Dentre osmotivos apontados por nós para justificar tal realidade,destacamos a forte concentração das exportações nas mãosde poucas empresas instaladas no país, sendo que mais de30% de nossas vendas externas são realizadas por apenas10 empresas. A grande maioria se viabiliza pelacapacidade de importar componentes baratos, graças aoReal forte, e com isso poder vender seus produtos comesse câmbio. Situação que alija as pequenas e médiasempresas nacionais, além de outras tantas maisencorpadas, que não possuem esse artifício já que seuscomponentes de produção são de natureza interna. Nessemomento, passadas três semanas do mês de maio, o saldocomercial brasileiro continua muito positivo. O mesmoalcança US$ 7,77 bilhões no acumulado do ano,representando 86% acima do registrado no mesmo períododo ano passado. Embora o significativo recuo naperformance (nos primeiros quatro meses do ano o saldoera superior a 170% do registrado em 2010), chama aatenção tal resultado, embora as empresas exportadorasestejam no limite da capacidade de suportar tal câmbio.
A Concentração das exportações (II)
Esse limite se associa a outro tipo de concentração dasexportações nacionais. São poucos produtos querepresentam o maior volume, em valores, da pautaexportadora do Brasil. E os mesmos são principalmenteprodutos primários, com muito pouco valor agregado.Assim, qualquer movimento baixista nos preçosinternacionais destas commodities, como parece estarsendo o caso atualmente (pela pressão dos países ricos), eos resultados de nossa balança comercial entram em queda.Para se ter uma ideia da referida concentração, em 201043,4% de nossas exportações dependiam de cinco gruposde produtos: minério de ferro, petróleo em bruto, complexosoja, açúcar e complexo carnes. Em 2004, esse grupo deprodutos representava 27,1% do total. Ou seja, em seisanos o mesmo quase dobrou sua importância nas vendasexternas nacionais. Nessa situação, nosso saldo comercialfica à mercê de exportações cujos preços são muitoinstáveis, fato que torna igualmente instável o resultadocomercial brasileiro. Além disso, no momento em que osdemais países emergentes agregam valor às suas vendasexternas, o Brasil continua no mesmo diapasão de 40 anosatrás, insistindo em produtos primários brutos. A China,por exemplo, tem nos cinco grupos citados umaconcentração de vendas de apenas 14,5%, sendo que seuprincipal produto exportado em 2009 foi omicrocomputador (laptop), seguido de telefones para redesde celular. Ou seja, o Brasil está deixando de ganhar dinheiro ao manter este seu perfil exportador.
A Concentração das exportações (II)
Esse limite se associa a outro tipo de concentração dasexportações nacionais. São poucos produtos querepresentam o maior volume, em valores, da pautaexportadora do Brasil. E os mesmos são principalmenteprodutos primários, com muito pouco valor agregado.Assim, qualquer movimento baixista nos preçosinternacionais destas commodities, como parece estarsendo o caso atualmente (pela pressão dos países ricos), eos resultados de nossa balança comercial entram em queda.Para se ter uma ideia da referida concentração, em 201043,4% de nossas exportações dependiam de cinco gruposde produtos: minério de ferro, petróleo em bruto, complexosoja, açúcar e complexo carnes. Em 2004, esse grupo deprodutos representava 27,1% do total. Ou seja, em seisanos o mesmo quase dobrou sua importância nas vendasexternas nacionais. Nessa situação, nosso saldo comercialfica à mercê de exportações cujos preços são muitoinstáveis, fato que torna igualmente instável o resultadocomercial brasileiro. Além disso, no momento em que osdemais países emergentes agregam valor às suas vendasexternas, o Brasil continua no mesmo diapasão de 40 anosatrás, insistindo em produtos primários brutos. A China,por exemplo, tem nos cinco grupos citados umaconcentração de vendas de apenas 14,5%, sendo que seuprincipal produto exportado em 2009 foi omicrocomputador (laptop), seguido de telefones para redesde celular. Ou seja, o Brasil está deixando de ganhar dinheiro ao manter este seu perfil exportador.