CI

Agonia e Morte - A causa do óbito!


José Eduardo Reis Leão Teixeira
O objetivo de se planejar está em prevermos, cientificamente, o que poderá ocorrer no futuro, em determinadas empresas ou negócios.
O planejamento estratégico tem por objetivos alterar o cenário futuro destas determinadas empresas ou negócios através de ações específicas e antecipadas, caso ocorram necessidades por motivos, geralmente, econômicos e sociais. Planejamentos estratégicos são elaborados para intervalos de médio e longo prazo e possuem ações mais duradouras.
Planejamento tático é aquele elaborado para curto prazo e tem por objetivo não criar estratégias, mas sim “engessar” os processos produtivos de tal forma a manterem aprisionados os custos.
A necessidade de planejamento empresarial é tão óbvia e tão grande, que é difícil para qualquer pessoa se opor a ela. Porém, é ainda mais difícil tornar tal planejamento útil.
“Planejamento é uma das atividades intelectuais mais complexas e difíceis nas quais um homem pode se envolver” (Russell L. Ackoff – A Concept of Corporate Planning).
É a associação de arte ou criatividade com a ciência.
No aspecto científico o planejamento exige rigor de precisão; no estratégico, exige muita criatividade, além de conhecimentos e práticas precisas.
No aspecto da implantação, exige funcionalidade, ou seja, o efeito prático, em conclusão aos resultados científicos.
Ao agruparmos os conceitos científicos, criatividade, tecnologia e praticidade, estaremos criando uma metodologia. A metodologia é retratada pela precisão de resultados entre o planejado e o realizado. Esta precisão necessita de outros dois elementos fundamentais:
1. Velocidade de resposta aos mais diversos procedimentos;
2. Eficiência de coleta de informações em campo ou na alimentação tecnológica das informações.
Na atividade produtiva cafeeira criamos e estabelecemos a metodologia completa e em conseqüência a isto, obtemos informações consideradas como prováveis de acontecimento em relação a previsões de rigor científico sobre o comportamento futuro e principalmente em ações corretivas, que poderiam ou deveriam mudar algum cenário desfavorável e que seja necessário interferir.
Ao elaborarmos estudos de revisão estratégica para os próximos cinco anos agrícolas a partir deste, atual (2007-2008), ou seja, no intervalo de 2008-2012, nos deparamos com uma situação que até então não existia. Esta situação fora retratada por inesperada inviabilidade econômica em empresas (fazendas) há anos sob rigoroso controle de planejamentos operacionais e que obedecia a cenário pré-estabelecido, folgadamente confortável, no aspecto econômico.
A conclusão a que cientificamente chegamos fora de que o cenário produtivo-financeiro e econômico, criado e estabelecido para o período 2003-2008, não mais se procedia para o atual, bem como, para o futuro intervalo de 05 anos.
Em conseqüência a serem empresas – fazendas - gerenciadas sob efeito de planejamentos, fora previsto, inicialmente, alternância ou pluralidade de cenários, caso algum fator limitante surgisse.
Assim, tivemos, atualmente, de optar pela adaptação a outro cenário, alternativo e menos confortável financeiramente, mas perfeitamente exeqüível dentro das previstas disponibilidades financeiras, ou seja, não necessitando aportes produtivos e financeiros, mas apenas criando outros procedimentos estratégicos. Certamente, se estas empresas não estivessem sob efeito de planejamentos a situação estaria potencialmente crítica e comprometedora.
Antes de retratar este cenário de inviabilidade, convém reforçar a metodologia que utilizamos, para assim perceberem se tratar de algo com rigor científico e assim, blindado a todo tipo de questionamentos.
Ao utilizar conceitos, conhecimentos e experiências em outras áreas de atuação orçamentária, inclusive em concorrências internacionais de grandes obras de engenharia, com a qual também muito atuei, além de produtor de café, pecuária e outras culturas, apliquei invariavelmente os procedimentos de controle de qualidade com suas fundamentais padronizações de processos e metodologias para análise e soluções de problemas. Em resposta a isto, temos obtido precisão média de 1% a maior ou menor entre os resultados planejados e realizados de custos, há anos, refletindo da mesma forma e intensidade na viabilidade econômica.
Utilizamos para efeito de planejamentos a metodologia de análise de processos. Desta forma, segmentamos o sistema (atividade produtiva cafeeira), nos mais diversos processos inerentes ao mesmo, contendo suas também inerentes atividades operacionais. Todos os processos são compostos e analisados individualmente, sendo submetidos a verificações de problemas. A finalidade destes procedimentos está em identificarmos, aprisionarmos, vigiarmos, corrigirmos e controlarmos, para não mais ocorrerem, as causas fundamentais e responsáveis pelo custo de desperdício. Este custo de desperdício é responsável pela majoração de até 50% nos custos produtivos, portanto, torna-se um elemento que devemos rigorosamente controlá-lo. Esta afirmativa não traduz nenhum privilégio ou novidade para a cafeicultura, pois atividades urbanas consideravelmente mais dinâmicas e profissionalizadas a possuíam em patamares próximos.
Sendo assim, os custos sob efeito de planejamentos se comportam com 50% de redução em relação aos demais. Percebam que o cenário dos próximos 05 anos a que estamos nos referindo fora analisado desconsiderando o fator desperdício, ou melhor, as causas responsáveis pela majoração de custos, pois as fazendas referidas estão com a maioria dos processos produtivos otimizados, a mais de 06 anos. Este fato comprova a gravidade e precisão do cenário retratado.
Assim sendo, posso afirmar, precisamente, que considerando apenas os fatores internos, ou seja, os elementos formadores do custo de produção no Brasil, nos atuais patamares de preços dos mais variados produtos, além de máquinas e equipamentos agrícolas, a possibilidade de ocorrer a extinção da atividade produtiva cafeeira, de arábica, em até 05 anos é real e iminente.
Em suporte a esta afirmativa, devo acrescentar:
1. A média produtiva brasileira está abaixo de 20 sacas/hectare. Para produtividades médias de 23 sacas/hectare o custo de produção, específico ao café arábica e variando dos mais aos menos eficientes é retratado pelo intervalo de R$350,00-R$500,00 a saca;
2. Elevar a atual média produtiva para patamares de equilíbrio, onde o produtor teria o lucro necessário para reinvestir na condução de seu agronegócio, demandaria por tempo longo e vultosos recursos financeiros;
3. Tempo ele não mais o possui. A justificativa a isto se baseia em possuir, geralmente, fortes comprometimentos financeiros – financiamentos e dívidas -, mesmo que estejam equacionados em longo prazo. O custo de produção em intervalos significativamente maiores que o preço de venda não lhe dará fôlego ou capacidade para qualquer tipo de recuperação financeira; muito ao contrário provocará a eliminação total, ou seja, a insolvência financeira e extinção da produção. Neste aspecto “tempo”, é importante perceberem a intenção forte de outros países produtores em incrementarem suas produções, tais como investimentos na África, que possivelmente, devido a apelos humanitários e sociais, se tornará em um dos grandes produtores de café; projeto de política cafeeira na Indonésia, visando torna-la o maior produtor mundial, provocando equilíbrio em demanda sócio/econômica; ampliação e modernização da cafeicultura na Índia; os cafés especiais do Peru – produzido a altitudes ímpares-, além de praticamente incrementos diversos em todos os demais paises produtores. Estes fatores são altamente comprometedores e imediatos, influenciando diretamente na limitação ou redução do fator tempo, além de outros fatores fundamentais;
4. A produção do café conillon, principalmente no estado do Espírito Santo, que eficiente e rapidamente vem conquistando o espaço e mercado, antes destinado ao arábica, com custos reduzidos e tecnologicamente mais adiantado;
5. A falta de visão ou principalmente de profissionalismo de todo o sistema de apoio, quer seja privado ou governamental, com raríssimas exceções, no sentido de reconhecer os atuais e reais custos produtivos, além das demais ameaças internas e externas e assim criar uma política justa e sustentável de preços mínimos está sendo um dos principais fatores para encerrar ou liquidar a cafeicultura de arábica no Brasil.
Percebam que os fatores citados compõem os elementos necessários para as análises e estudos de um planejamento estratégico.
Foram estas análises, que ao avaliarmos nos deram sustentação para tomadas de decisão estratégicas, junto a nossos clientes produtores, fazendo-os a continuarem com ganhos na cafeicultura do arábica, porém, em modelos totalmente diferenciados dos convencionais.
São estas análises, seguidas de firme correção de rumo, que os cafeicultores necessitariam utilizar, para desviarem da colisão final e se salvarem.
Tornam-se incompreensíveis os motivos de até o presente não terem sido implantados, eficientemente, modelos ou metodologias que pudessem solucionar os problemas desta agonizante economia cafeeira (artigo baseado em relatório técnico, elaborado a clientes cafeicultores em out/Nov/2007).
 
Jose Eduardo Reis Leão Teixeira
Estrada Consultoria.      
Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7