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Aspectos do Fórum da Soja


Argemiro Luís Brum
Neste dia 06 de março realizou-se a 23ª edição do Fórum Nacional da Soja, junto a Expodireto de Não-Me-Toque (RS). Como sempre, muitas lições podem ser tiradas das diferentes palestras realizadas. Destacamos aqui alguns aspectos relevantes. Em primeiro lugar, o pesquisador da CCGL/TEC, Sr. Mário Bianchi, alertou que tem sido cada vez mais difícil produzir herbicidas novos na velocidade com que as ervas daninhas têm se adaptado aos herbicidas existentes.


A soja transgênica, apesar de ser um avanço nesse sentido, ainda não é suficiente para tudo o que hoje se precisa nesse contexto do combate às ervas daninhas. Existem novas sementes em estudo, porém, as mesmas, considerando o tempo de sua aprovação no Brasil, ainda levarão entre oito a 10 anos para chegarem até os produtores rurais brasileiros. Em síntese, não há mágica no processo e os produtores precisam, antes de tudo, aperfeiçoarem o manejo da propriedade e não só de uma ou outra cultura específica. Em segundo lugar, o representante da Agroconsult, Sr. André Pessoa, destacou que o mercado da soja continua promissor em termos de preços internacionais.

O desastre climático no sul da América e o retorno dos Fundos às bolsas de commodities devem manter o bushel, pelo menos até meados de 2013, entre US$ 12,00 e US$ 13,00. Com isso, os preços em reais poderão ficar entre R$ 40,00 e R$ 50,00/saco ao produtor brasileiro, caso o câmbio se mantenha nos atuais níveis. E melhores ainda caso o governo consiga uma desvalorização do Real para níveis de R$ 1,80 a R$ 1,90.


Aspectos do Fórum da Soja (II)

Em terceiro lugar, o consultor da MB Agro/SP, Sr. Alexandre Mendonça de Barros, fez uma análise do momento macroeconômico internacional. Para ele, a Ásia está se consolidando como a maior região econômica do mundo. Isso porque a região poupa muito, gerando um excedente exportável que se desloca para outras partes do mundo, em especial os EUA e, mais recentemente, os chamados países emergentes como o Brasil.

No caso dos EUA, sua sobrevivência econômica se dá ligada ao excedente procedente da Ásia. Assim, o mundo vive em equilíbrio entre o excedente asiático e o déficit estadunidense. O avanço asiático levou a um aumento na demanda por matérias-primas. Assim, os preços das commodities, a partir de 2007, subiram muito, ultrapassando os preços dos produtos industriais. Isso proporcionou um choque de renda que sustentou o crescimento na América Latina, Oriente Médio e outras regiões do mundo produtoras de commodities.


No Brasil, a demanda asiática, associada ao estímulo dado ao consumo interno, nesse período recente de crise, permitiu que o mercado agrícola ficasse aquecido. Estaríamos diante do surgimento de uma nova estrutura geopolítica mundial, onde a segurança alimentar passa a ser o ponto crucial. Esta nova estrutura está fazendo com que as Américas se consolidem como grande região exportadora de alimentos, enquanto Ásia e Oriente Médio passem a ser grandes importadores de alimentos. O risco brasileiro é perder tal evolução por falta de reformas estruturais.
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