Água limpa e de qualidade aumenta o ganho de peso no corte e eleva a produção de leite
Guilherme Augusto Vieira[1]
Considerado o nutriente fundamental para os animais, a água atua no transporte de substâncias, na regulação térmica, na composição dos líquidos articular e cérebro-espinhal e na assimilação de nutrientes, sendo indispensável para a digestão e eliminação de resíduos
A produtividade na pecuária de corte e de leite depende diretamente da ingestão de água, visto que o bovino exige de 3 a 5 litros de água para cada 1 kg de matéria seca consumida. Qualquer limitação no acesso ou na qualidade da água provoca a queda imediata no consumo de alimento, reduzindo diretamente a produção de carne e leite. Um boi de 450 Kg necessita de 60 a 80 litros de água ao dia para atender suas necessidades.
Entretanto, garantir o fornecimento ideal de água aos animais ainda é um grande gargalo na pecuária nacional. Estudos apontam que 90% das fazendas apresentam restrição hídrica, prejudicada tanto pela falta de acesso facilitado quanto pelo fornecimento de água sem a qualidade necessária.
Esse cenário ocorre principalmente pelo uso direto de fontes como aguadas, cacimbas e riachos, locais que geralmente não oferecem água limpa e segura aos animais
O uso de fontes naturais de água envolve particularidades que prejudicam a eficiência de consumo pelo rebanho e impactam diretamente o seu desempenho. Dentre essas limitações, destacam-se:
- Contaminação cruzada: Pisoteio constante, contaminação fecal/urinária, proliferação de endoparasitas (como Fasciola hepatica) e bactérias (como Salmonella e Leptospira).
- Qualidade da água: Água turva e com barro reduz o consumo voluntário do animal. Boi não gosta de água suja nem quente.
- Consumo de energia: O deslocamento do boi até a aguada e o atolamento em margens barrentas geram gasto energético desnecessário e risco de lesões.
Muitas propriedades rurais no Brasil vêm modernizando o sistema de dessedentação (fornecimento de água) animal com o uso de reservatórios e bebedouros estruturados. Esses equipamentos podem ser fabricados em fibra de vidro, plástico, pneus,alvenaria ou metal (como o modelo tipo australiano). A maioria das fazendas optam pelos bebedouros de alvenaria.
Para atender adequadamente aos lotes nos piquetes, os bebedouros precisam ter dimensões que facilitem a aproximação de vários animais ao mesmo tempo. Além disso, devem ofertar água limpa de forma ininterrupta, contar com sistema de boia para manter o nível de água constante e ser projetados para evitar o acúmulo de lama e lodo ao redor.
A adoção de bebedouros estruturados traz diversos benefícios para a produção pecuária, entre os quais destacam-se:
- Facilidade de higienização: Superfícies lisas e presença de escoamento/dreno facilitam a lavagem periódica e remoção do limo e resíduos de ração/suplemento.
- Vazão e capacidade: Garantia de água fresca e disponível nos momentos de pico de consumo (pós-pastejo ou pós-trato).
- Temperatura da água: Reservatórios com boa profundidade e alvenaria mantêm a água em temperatura mais amena, favorecendo a ingestão nos horários quentes.
Estudos de caso apontam que produtores que adotaram o uso de bebedouros em suas fazendas observaram um aumento de 20% a 30% no ganho de peso e no desenvolvimento do rebanho. Isso ocorre porque o consumo de água limpa e de qualidade estimula diretamente o aumento na ingestão de matéria seca.
Conforme demonstrado, a adoção de bebedouros estruturados é de suma importância sanitária, pois evita a contaminação cruzada e previne o contágio por verminoses e outras enfermidades.
Do ponto de vista econômico, a medida reflete diretamente no ganho de peso, na produção de leite e no melhor desenvolvimento do rebanho, uma vez que o aumento na ingestão de água estimula proporcionalmente o consumo de matéria seca.
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[1] Médico Veterinário, Douto em História das Ciências, autor dos Manuais Semiconfinamento e Confinamento, atualmente é gestor da Plataforma www.semiconfinamento.com.br Embaixador de conteúdo do Giro do Boi Canal Rural , Programa Rota do Agro Paraíso FM, escreve no Agrolink, Folha Agrícola e O Presente Rural. Contatos com o autor: [email protected] ou Instagram@gvieiraoficial