Temos analisado, frequentemente, que a crise brasileira atual, além dos fatores externos, se deve a interdependência destes fatores para com o aumento da dívida pública, que gera um endividamento importante e constante. Como não fazemos as reformas do Estado e na estrutura econômica nacional, a situação está piorando, na esteira do que já acontece nos EUA, países europeus e outros tantos países do mundo. Todavia, esses não são os únicos problemas. Há, igualmente, a própria ação de parte da sociedade brasileira que, visando escapar do fisco e buscando constante especulação, além de esconder dinheiro ganho escusamente no país, aplicam tais rendas nos chamados paraísos fiscais, tipo as Ilhas Cayman, Barbados, Uruguai, Suíça e outros (são 66 países ao todo). Para se ter uma ideia do problema, somente entre 2007 e 2009 empresas e pessoas físicas brasileiras desviaram para os paraísos fiscais algo em torno de US$ 260 bilhões. Isto é mais do que a atual dívida externa brasileira, que oscila ao redor de US$ 200 bilhões. Evidentemente, tal ação não é específica do Brasil. Todos os países do mundo enfrentam tal problema.
A sociedade também tem culpa (II)
Tanto é verdade que, desde a eclosão da atual crise econômico-financeira mundial em 2007/08, o mundo se interessou em controlar melhor esse dinheiro e, falou-se, em até eliminar os paraísos fiscais (o que, nas condições de hoje, parece impossível). Isso porque é esse capital em particular que circula livremente pelas bolsas de mercadorias e valores, e por toda a economia em geral, especulando, manipulando e alterando as reais condições dos mercados. Os atuais preços das commodities no mundo são fruto de tais movimentos em grande parte. No Brasil, apenas em 2009, saíram para os paraísos fiscais cerca de US$ 60 bilhões, divididos em US$ 18,3 bilhões para as Ilhas Cayman; US$ 13,3 bilhões para as Ilhas Virgens Britânicas; US$ 10,2 bilhões para as Bahamas; US$ 1,2 bilhão para as Bermudas; US$ 1,0 bilhão para o Panamá e assim por diante. Mesmo que nem todo o dinheiro desviado do Brasil seja ilegal, a maior parte o é, deixando de melhorar as condições para o desenvolvimento do país. E, para piorar, muitos dos que assim o fazem estão em postos públicos no país, infelizmente.
Agricultura agrega valor?
Um debate interessante vem se desenvolvendo no país em torno da agregação de valor na agricultura brasileira. É histórico o pensamento de que, por ser um país exportador de bens primários, deixamos de arrecadar mais recursos com nossas exportações por vendermos de forma bruta tais produtos. Isso é uma verdade, inclusive explicada pela teoria econômica. Tanto é que nossa balança comercial se concentra nas vendas do complexo soja, das carnes, do setor sucroalcooleiro, do café e dos minérios. Todavia, nestes últimos anos começa a se desenvolver a ideia de que, mesmo sendo um produto primário bruto, no caso da agricultura tais bens possuem muito valor agregado, via ciência aplicada aos mesmos. E isso também é verdade! Ou seja, tais produtos possuem sim muita tecnologia embutida. Basta ver a evolução da soja, do milho, do trigo, do arroz, das carnes e outros produtos. Nesse contexto, Marcos Jank (amigo e colega de trabalho nos anos passados, de estudos e pesquisas na Europa e hoje presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar – UNICA) o Brasil precisa investir mais no agronegócio, entendido sempre como um conceito que envolve todos os tipos de produtores rurais, como forma de diferenciação no comércio internacional, atendendo a um dos segmentos mais dinâmicos do mercado global nas próximas décadas. O problema é que o mundo, na maior parte do tempo, mesmo diante de um produto primário com alta tecnologia embarcada, paga um baixo preço por eles. Assim, os produtores rurais, quando compram uma máquina, pagam elevados preços pela tecnologia nela existente, porém, ao venderem seu produto primário, mesmo com muita tecnologia nele inserida, não recebem o preço adequado pela existência dela. Dito de outra maneira, o mundo não valoriza o suficiente a tecnologia existente nos bens primários exportados pelo Brasil e outros países. Será preciso reverter isso, o que está longe de ser tarefa fácil. Pelo sim ou pelo não, o debate está posto e merece aprofundamento.
A sociedade também tem culpa (II)
Tanto é verdade que, desde a eclosão da atual crise econômico-financeira mundial em 2007/08, o mundo se interessou em controlar melhor esse dinheiro e, falou-se, em até eliminar os paraísos fiscais (o que, nas condições de hoje, parece impossível). Isso porque é esse capital em particular que circula livremente pelas bolsas de mercadorias e valores, e por toda a economia em geral, especulando, manipulando e alterando as reais condições dos mercados. Os atuais preços das commodities no mundo são fruto de tais movimentos em grande parte. No Brasil, apenas em 2009, saíram para os paraísos fiscais cerca de US$ 60 bilhões, divididos em US$ 18,3 bilhões para as Ilhas Cayman; US$ 13,3 bilhões para as Ilhas Virgens Britânicas; US$ 10,2 bilhões para as Bahamas; US$ 1,2 bilhão para as Bermudas; US$ 1,0 bilhão para o Panamá e assim por diante. Mesmo que nem todo o dinheiro desviado do Brasil seja ilegal, a maior parte o é, deixando de melhorar as condições para o desenvolvimento do país. E, para piorar, muitos dos que assim o fazem estão em postos públicos no país, infelizmente.
Agricultura agrega valor?
Um debate interessante vem se desenvolvendo no país em torno da agregação de valor na agricultura brasileira. É histórico o pensamento de que, por ser um país exportador de bens primários, deixamos de arrecadar mais recursos com nossas exportações por vendermos de forma bruta tais produtos. Isso é uma verdade, inclusive explicada pela teoria econômica. Tanto é que nossa balança comercial se concentra nas vendas do complexo soja, das carnes, do setor sucroalcooleiro, do café e dos minérios. Todavia, nestes últimos anos começa a se desenvolver a ideia de que, mesmo sendo um produto primário bruto, no caso da agricultura tais bens possuem muito valor agregado, via ciência aplicada aos mesmos. E isso também é verdade! Ou seja, tais produtos possuem sim muita tecnologia embutida. Basta ver a evolução da soja, do milho, do trigo, do arroz, das carnes e outros produtos. Nesse contexto, Marcos Jank (amigo e colega de trabalho nos anos passados, de estudos e pesquisas na Europa e hoje presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar – UNICA) o Brasil precisa investir mais no agronegócio, entendido sempre como um conceito que envolve todos os tipos de produtores rurais, como forma de diferenciação no comércio internacional, atendendo a um dos segmentos mais dinâmicos do mercado global nas próximas décadas. O problema é que o mundo, na maior parte do tempo, mesmo diante de um produto primário com alta tecnologia embarcada, paga um baixo preço por eles. Assim, os produtores rurais, quando compram uma máquina, pagam elevados preços pela tecnologia nela existente, porém, ao venderem seu produto primário, mesmo com muita tecnologia nele inserida, não recebem o preço adequado pela existência dela. Dito de outra maneira, o mundo não valoriza o suficiente a tecnologia existente nos bens primários exportados pelo Brasil e outros países. Será preciso reverter isso, o que está longe de ser tarefa fácil. Pelo sim ou pelo não, o debate está posto e merece aprofundamento.