O principal herbicida do País, que sozinho representa 30% de todo o volume de defensivos usados na agricultura, corre sério risco de subir de preço em breve.
E não é por causa da escalada do dólar em relação ao real ou por inflação do curso atual da economia brasileira. O motivo é bem mais perturbador: MONSANTO e NORTOX, as duas empresas que detêm o duopólio do fornecimento da matéria-prima principal para a fabricação do GLIFOSATO, pretendem simplesmente eliminar a pouca concorrência que existe.
Em denúncia apresentada em 2001 ao DECOM - Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, com informações dirigidas aos seus interesses, querem que o governo imponha taxação alta às importações do glifosato proveniente da China, último reduto do planeta que não conseguiram dominar. Dizem que os chineses vendem para o Brasil mais barato que vendem lá e que isto provocou prejuízo irreparável à indústria nacional.
A importação da China se situa em torno de 6% do mercado nacional deste insumo, mas é um farol no mercado a sinalizar e segurar o preço do produto no baixo patamar que hoje se encontra. Aliás, esse preço baixo foi provocado antes da chegada dos chineses ao país e todos no campo sabem que foi derivado da guerra travada entre MONSANTO e NORTOX quando a segunda quebrou o monopólio da primeira. Agora, que já mitigaram as feridas das batalhas, fazem aliança para enfrentar novos contendores que ameaçam o duopólio estabelecido. Esqueceram!
Auto proclamaram-se únicas indústrias brasileiras que fabricam o produto. Não informaram que outras empresas nacionais importam a matéria prima e também fazem uma reação química e todo o processo de formulação antes de comercializar ao mercado. Esqueceram!
Não apresentaram o preço vendido na China, alegando que lá não é uma economia de mercado. Ora, se não é, porque as multinacionais estão construindo fábricas lá? Encontraram um país "análogo", a Índia e, a partir do preço comprado pelos pequenos agricultores daquele país (a agricultura da Índia é toda constituída de minifúndios), engenheiraram o custo da matéria prima através de parâmetros absolutamente passíveis de manipulação. Não informaram que a Índia consome pouco herbicida (em minifúndios é mais razoável fazer capina manual) daí o preço do produto final ser mais elevado que no Brasil, ou seja, não há volume em escala que justifique diminuir o preço. Esqueceram!
Reportaram grandes prejuízos em seus negócios por conta do baixo preço. Portanto, irão aumentar o preço tão logo a concorrência desapareça, é o que se pode deduzir. Mas, o fato é que mais uma vez esqueceram de informar a presença de outros produtos em suas linhas comerciais. Ora, é fácil alocar-se custos na medida dos interesses entre os produtos. Uma boa e séria auditoria analisando os resultados dessas empresas desnudaria a verdade oculta.
O governo, atônito, está entre Deus e o Diabo, pois sabe que a demanda das denunciantes deixa no ar um aumento de preço do produto e sabe também que as "provas", planejadas para o período estanque da investigação, não têm consistência se examinadas em um período maior; mas, como desagradar à poderosa multinacional MONSANTO que acaba de construir uma fábrica de GLIFOSATO na Bahia?
O que faria você leitor? Vamos lhe dar uma pista. Se o preço do GLIFOSATO dobrar, por exemplo, os custos do plantador de soja, laranja, cana-de-açúcar, milho, café, feijão, etc. subirão e o que ocorrerá com o fruto das colheitas? Vamos lhe dizer: nas culturas de consumo doméstico haverá uma pressão para transferência desses custos para a dona-de-casa nas visitas ao supermercado, e, nas culturas de exportação as margens de lucro do agricultor tenderão a sumir pelo ralo para sustentar a competitividade internacional.
O pessoal da "fábrica" sairá ileso, talvez com algum sorriso debochado. É isso o que acontecerá. E a sociedade que pague tudo. Até quando assistiremos calados? Estamos fazendo a nossa parte, alertando-o; cabe a você leitor fazer a sua.
Escreva ao seu Secretário da Agricultura, à sua Federação da Agricultura, ao seu Sindicato, ao Presidente de sua Cooperativa, ao seu Deputado Estadual e Federal. Exerça seu direito de cidadania. Não deixe essa iminente ameaça ao seu bolso e a de seu País tomar forma.
Tulio Teixeira de Oliveira, Diretor Executivo da AENDA
Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas