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Algumas evidências mundiais


Argemiro Luís Brum
Nesse início da segunda década do século XXI algumas evidências se cristalizam. Em termos internacionais, contrariando ideia existente a partir da atual globalização, o mundo ainda não é multipolar. Segundo Zbigniew Brzezinski, Conselheiro de Segurança Nacional do governo Jimmy Carter (EUA), entre 1977 e 1981, estamos diante de um mundo onde existem potências regionais significativas, das quais algumas poderão, um dia, mesmo que isso ainda esteja longe, se tornarem potências mundiais. A China parece ser a que melhores condições reúne para isso! Porém, hoje, não há nenhum candidato para assumir tal posição. O Brasil, a Índia e outros emergentes são atores na cena mundial, importantes é verdade, porém, longe de estarem organizados para assumirem um papel de liderança. Por enquanto, cumprem o papel de potências regionais. Desta forma, vivemos num mundo muito assimétrico e isso deverá continuar, salvo se os EUA façam uma grande estupidez (não colocando as finanças públicas em ordem, não inovando ou não repensando o seu papel no mundo...). A dificuldade, nos EUA, é que as decisões sobre os grandes problemas são avaliadas, pelo público, em função de seu estreito conforto imediato. Não há mais uma visão de longo prazo e sim uma ignorância profunda sobre as questões internacionais (cf. Le Monde). E isso vem ocorrendo na maioria dos países, salvo, talvez, na velha Europa Ocidental. Nesse contexto, a negligência dos governos será fatal para os países, fazendo o povo pagar o preço no futuro.


Algumas evidências mundiais  (II)

Ainda em termos mundiais, a crise de 2007/08 persiste e se consolida, com suas consequências, como a maior desde a de 1929. É bom lembrar que esta última somente alcançou o “fundo do poço” em 1935, algo que parece estar se repetindo na atualidade, a partir dos estouros fiscais nos diferentes países da Europa, com potencial para se estender mundialmente. Nos EUA, a retomada é muito mais lenta do que o esperado. E não basta apenas liquidez, oferecida a custa de muito crédito disponível e juros anuais ao redor de 0,25%. É preciso, sem dúvida, um ajuste estrutural onde o Estado tem um papel a cumprir. Afinal, o país não pode absorver perdas públicas de cerca de US$ 6 trilhões (apenas com o aumento da dívida pública federal) sem ajustes profundos. E no setor privado estadunidense já corre a imagem de que “os bancos grandes demais para quebrar já estão no caminho para se tornar grandes demais para se salvar”. Esse é um dos riscos de uma explosão da crise fiscal dos EUA. No front brasileiro, essa consciência de que a crise mundial persiste está se cristalizando na Bovespa, com a saída do capital de risco, fazendo com que o índice caia abaixo de 60.000 pontos em meados deste mês de julho, quando a perspectiva para o final do ano era de que ultrapassasse os 80.000 pontos. Paralelamente, na economia real, se para muitos ainda não há risco de uma bolha imobiliária, pela alta demanda existente no país e pelo crédito para o setor representar apenas 5% do PIB, o fato é que regionalmente bolhas estão surgindo e estourando, podendo ser prenúncio para algo maior.
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