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Brasil: os resultados de 2011


Argemiro Luís Brum
Brasil: os resultados de 2011
Encerrado 2011 cabe aqui uma rápida recuperação dos resultados econômicos obtidos pelo Brasil nesse ano. Diante de uma crise internacional que entrou em novo patamar, colocando em xeque o setor público e seu endividamento, o governo brasileiro perseverou em apoiar o mercado interno, via crédito facilitado e redução de impostos junto a setores específicos. Ao mesmo tempo, passou a reduzir o juro básico a partir do segundo semestre, tendo a Selic alcançado, já em janeiro de 2012, a taxa anual de 10,5%. A ideia é continuar apostando no mercado interno para impedir que a economia estagne, já que o front externo não se recupera.
Assim, no ano passado o volume de crédito disponibilizado no país cresceu 19%, atingindo a R$ 2,03 trilhões ou 49,1% do PIB. Em 2010 a expansão do mesmo já havia sido de 20,6%. Mesmo assim, o crescimento de nossa economia deve ter ficado entre 2,5% e 3% no ano passado. Ou seja, muito abaixo dos 7,5% de 2010. Poderia ter sido pior, caso não houvesse a reação do governo no segundo semestre passado.
 Esse fraco crescimento, para as necessidades do país, não impediu que conquistássemos o 6º lugar mundial em PIB, superando o Reino Unido, já que as economias europeias estacionaram e mesmo regrediram. Ao mesmo tempo, a inflação ficou no teto da meta, fechando o ano em 6,5%, medida pelo IPCA. Esta performance brasileira acabou atraindo dólares ao país, sendo que o saldo entre entrada e saída dos mesmos ficou positivo em US$ 65,3 bilhões ou 168% acima do registrado em 2010.
Brasil: os resultados de 2011 (II)
E isso que a crise na Europa freou o ímpeto desta entrada de dólares, fato que segurou o câmbio médio no final do ano entre R$ 1,80 e R$ 1,90 por dólar (a moeda estadunidense terminou o ano valorizada em 12,5%), após ter alcançado, no final de julho de 2011 o valor de R$ 1,53. Pela paridade de poder de compra, levando-se em conta o mês de janeiro de 1999 (quando ingressamos no sistema de câmbio flutuante), o valor de R$ 1,90, hoje, pode ser considerado normal. Assim, a Bovespa acusou o golpe e viu seu índice recuar 18,1% em 2011, se caracterizando como o terceiro pior desempenho desde 1994 (ano do lançamento do Plano Real). Ou seja, diante do conturbado cenário macroeconômico, a economia do país balançou fortemente mas não afundou. Porém, isso não impediu que diminuísse a geração de empregos. 
 Apesar de setores e regiões isoladas indicarem o pleno emprego, no geral o país gerou 23,5% menos empregos em 2011, em relação ao ano anterior, ao consolidar 1,94 milhão de novos empregos. No Rio Grande do Sul, todavia, a situação foi pior, com um recuo de 32,3% na geração de empregos neste ano que passou. 
 Enfim, o consumo interno deu certa sustentabilidade à economia, permitindo ao país enfrentar a crise em mais um ano, porém, deixou como saldo um forte endividamento da população e uma inadimplência em crescimento. 
 Em janeiro de 2012, no Rio Grande do Sul, 68,5% das famílias estavam endividadas; 24,2% indicavam contas atrasadas e 10,2% se encontravam sem condições de pagar as contas, contra apenas 2,2% um ano antes.
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