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Brasil: tendências para 2012


Argemiro Luís Brum
O quadro para a economia brasileira em 2012 aponta para a continuidade dos fatores que estiveram presentes no final do ano passado. Em primeiro lugar, a crise mundial continuará importante, particularmente na Europa, e especialmente no primeiro semestre. Como já destacamos, fala-se em década perdida naquela região do mundo. Nos EUA, a economia se recupera, porém, muito lentamente. Após um crescimento do PIB, em 2011, ao redor de 1,7%, as perspectivas apontam para 1,8% neste novo ano. Aliás, segundo o FMI, a economia mundial deverá crescer apenas 3,3% em 2012.


Soma-se a isso o fato da China continuar desaquecendo sua economia, devendo reduzir seu PIB para 8,2% nesse ano. Na União Europeia a tendência é de recessão econômica. E o problema central continua o mesmo: os Estados estão muito endividados, alguns “quebrados”, não possuindo fôlego próprio para voltarem a crescer (caso da Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda, Itália....). Aliás, as potências mundiais (G7+BRICS) possuem dívidas a pagar em 2012 (títulos públicos vencendo neste ano) num total de US$ 7,6 trilhões. Como pagar ou rolar tal montante?

Nesse sentido, o Brasil até se encontra bem posicionado. Apesar de a dívida pública continuar crescendo, o que preocupa, já atingindo a US$ 1,08 trilhão ao câmbio de hoje, apenas US$ 169 bilhões (15,6% do total) estariam vencendo em 2012. Em segundo lugar, a percepção empresarial, em levantamento feito em 40 países, indica que 68% dos empresários pretendem aumentar investimentos por aqui.


Brasil: tendências para 2012 (II)

Dito isso, é importante não perdermos de vista que o crescimento da economia nacional, nesse novo ano, não deverá ser muito diferente de 2011, devendo ficar entre 3,0% e 3,5%, o que é insuficiente, mesmo com o governo apertando no acelerador do crédito público e na redução da Selic. Aliás, nesse último caso, não há muito mais espaço para baixas, devendo o ano terminar com uma taxa ao redor de 9,5%. Isso porque a inflação, a partir de maio, poderá recrudescer no acumulado anual, obrigando o governo a frear o ímpeto consumista.

Além disso, sabemos que o endividamento e a inadimplência continuam a crescer, fato que deve levar a população a frear gastos. No Rio Grande do Sul, 68,5% das famílias estavam endividadas em janeiro passado e 10,2% anunciavam não ter condições de pagar a conta. Deste endividamento, 78,4% era no cartão de crédito, que possui um juro anual acima de 230%. Outros 51,9% eram em carnês e mais 21,9% em financiamento de automóveis. Sem falar no cheque especial, cujo juro anual ronda os 170%.

Soma-se a isso a menor liquidez que o Sul do Brasil terá pela enorme seca que se abateu sobre o agronegócio local neste verão. Nesse sentido, a grande preocupação se mantém: quando a bolha de consumo, alimentada pelo Estado, irá estourar? Por enquanto o avanço da economia continua nas mãos do governo, via o mercado interno e a redução de juros, para continuar enfrentando os efeitos da crise mundial. Todavia, tal estratégia vem chegando ao seu limite. E a falta de reformas estruturais aproxima mais rapidamente tal limite!
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