O governo brasileiro surpreendeu o mercado ao anunciar o pagamento de US$ 15,5 bilhões ao FMI. Esta atitude, positiva, tem efeitos mais amplos, particularmente sobre o câmbio. Assim, em primeiro lugar, ao devolver um recurso que estava disponível ao país, para emergências, o país dá um sinal claro de que a política econômica se mantém estável e saudável. Isto reforça, politicamente, a posição do ministro Palocci, atacado no final de 2005 por acusações de escândalos quando de seu governo na prefeitura de Ribeirão Preto (SP). Por outro lado, indica que o Brasil conseguiu sucesso nos aspectos macroeconômicos, aplicados desde 1994, e que o atual governo agiu corretamente em dar prosseguimento à política econômica desde então em prática. Evidentemente, o passo seguinte é dar condições para que esta estabilidade melhore o bem-estar da população, fato que vem ocorrendo, porém, de forma bastante lenta. Um outro aspecto importante da ação está na demonstração de que podemos honrar com nossos compromissos externos (vai longe o velho e surrado discurso populista contra o pagamento da dívida externa), colocando o país em posição privilegiada para começar a atrair investimentos externos diretos em maior nível, sobretudo alavancados pelos grandes Fundos de investimento e pensão (chegaríamos ao investment grade). Paralelamente, ao agir desta forma, as reservas brasileiras caem para níveis um pouco superiores a US$ 50 bilhões em dezembro de 2005. Como o ideal seria chegar a cerca de US$ 80 bilhões, o governo dá sinal de que irá continuar comprando dólares no mercado, visando recompor as reservas. Este fato está na origem da recuperação do dólar ou da desvalorização do real nos últimos dois meses de 2005, com o mesmo chegando próximo a R$ 2,40.
O movimento em direção ao pagamento da dívida com o FMI auxilia na redução da dívida externa global, a qual já vinha ocorrendo. Após chegar oficialmente a US$ 183,15 bilhões em setembro do corrente ano, a projeção é de que tenhamos encerrado 2005 com o Brasil devendo US$ 160 bilhões aos credores externos. Ou seja, a inteligente política de alongar os prazos de pagamento, executada pelo então Ministro da Fazenda FHC, durante o governo Itamar Franco, e sabiamente reforçada pelo atual governo, vem dando igualmente resultados. A economia brasileira, graças aos ajustes fiscais, que os mais afoitos querem ignorar, vem conseguindo pagar aquilo que, até poucos anos atrás, era considerado impagável. Lembramos que a dívida externa brasileira chegou ao ápice em 1998, com US$ 241,6 bilhões. Ou seja, nos últimos sete anos a mesma terá sido reduzida em 33,8%. Algo espetacular considerando que continuamos a emprestar recursos externos no período. Sempre poderemos questionar o fato de que tais recursos poderiam ter sido destinados a investimentos de infra-estrutura e melhoria do nível de vida da população. No entanto, o enfoque é exatamente o contrário. É graças ao fato de termos estabilizado a economia, debelado a inflação e construído reservas suficientes para pagarmos a dívida externa, que pavimentamos o caminho para a melhoria das condições econômicas e sociais, de forma sustentável, para a nação brasileira. A tal ponto que nossa relação entre dívida externa e exportações teria caído para 1,4 em 2005 contra 3,5 em 2002. Quanto mais alta esta relação, maior o risco de calote da dívida e interrupção dos investimentos externos. O desafio agora passa a ser perseverar nesta direção e solucionar a dívida interna.
Neste sentido, o comparativo de alguns indicadores econômicos no final de 2005 em relação ao final de 2004 permite gerar expectativas positivas. Efetivamente, o Brasil termina o ano de 2005 com sua economia estável, com alguns indicadores bem melhores do que o final do ano anterior. Outros nem tanto! Além da dívida externa, melhorou igualmente a inflação. A mesma deverá fechar o ano entre 5,1% e 5,5% contra 7,6% no final de 2004 (medida pelo IPCA). Já a inflação medida pelo IGP-M deverá terminar o ano ao redor de 0,8% a 1,5% contra 12,41% no final de 2004. Com isto, a tendência dos chamados preços administrados (água, luz, telefonia, combustíveis etc...) é de aumentar muito pouco em 2006. Em contrapartida, os juros se mantiveram elevados. A taxa SELIC, que estava em 17,5% em dezembro de 2004, bateu em 19,75% em agosto/05, recuando para 18% neste final de 2005. Com isso, o juro real, que ficou em 9,9% no final de 2004, subirá para algo em torno de 13% no final de 2005, constituindo-se no mais elevado juro real do mundo. O câmbio continuou sobrevalorizado, terminando o ano ao redor de R$ 2,30 após ter alcançado R$ 2,17 em novembro, contra R$ 2,72 na média de dezembro de 2004. As reservas brasileiras, pelo conceito de liquidez internacional, melhoraram de tal maneira que, além de pagar ao FMI o governo brasileiro decidiu igualmente zerar a conta com o Clube de Paris, num total de US$ 2,6 bilhões. Paralelamente, a balança comercial chega a um novo saldo recorde, devendo fechar 2005 com um superávit próximo a US$ 45 bilhões após US$ 33,7 bilhões em 2004. A nota negativa foi o menor crescimento do PIB (a geração de riquezas), chegando ao redor de 2,3% em 2005, contra 4,9% em 2004. Nosso PIB deverá chegar ao redor de US$ 618 bilhões. A título de comparação a China chega a US$ 1,97 trilhão.
Neste contexto, a economia em 2006 tende a ser melhor. No caso do sul do Brasil, particularmente se o clima favorecer a atual safra de verão. Em isto ocorrendo, embora modesto, os PIBs gaúcho e nacional deverão aumentar, com o nacional podendo chegar ao redor de 3% (o governo espera chegar a 5%). Além disso, teremos uma redução dos juros a qual, em não sendo motivada por ações populistas, poderá levar a SELIC a 15% nominal no final de 2006. O real deverá sofrer um processo de desvalorização, lento e gradual, em não havendo crises de histerismo durante a campanha eleitoral, favorecendo o setor exportador. Não será surpresa se terminarmos o ano 2006 entre R$ 2,40 e R$ 2,70 por dólar. Tudo isto, evidentemente, se o atual governo continuar vigilante em relação a sua política monetária e ao déficit fiscal. Qualquer derrapagem populista, que leve a um afrouxamento dos controles com objetivos eleitoreiros, colocará em risco todo o processo de estabilização da economia e o cenário será totalmente outro, com novas tempestades econômicas surgindo no horizonte. Assim, dois elementos centrais, para os gaúchos particularmente, deverão ser o fiel da balança econômica em 2006: o clima e o comportamento do governo na campanha eleitoral.
O movimento em direção ao pagamento da dívida com o FMI auxilia na redução da dívida externa global, a qual já vinha ocorrendo. Após chegar oficialmente a US$ 183,15 bilhões em setembro do corrente ano, a projeção é de que tenhamos encerrado 2005 com o Brasil devendo US$ 160 bilhões aos credores externos. Ou seja, a inteligente política de alongar os prazos de pagamento, executada pelo então Ministro da Fazenda FHC, durante o governo Itamar Franco, e sabiamente reforçada pelo atual governo, vem dando igualmente resultados. A economia brasileira, graças aos ajustes fiscais, que os mais afoitos querem ignorar, vem conseguindo pagar aquilo que, até poucos anos atrás, era considerado impagável. Lembramos que a dívida externa brasileira chegou ao ápice em 1998, com US$ 241,6 bilhões. Ou seja, nos últimos sete anos a mesma terá sido reduzida em 33,8%. Algo espetacular considerando que continuamos a emprestar recursos externos no período. Sempre poderemos questionar o fato de que tais recursos poderiam ter sido destinados a investimentos de infra-estrutura e melhoria do nível de vida da população. No entanto, o enfoque é exatamente o contrário. É graças ao fato de termos estabilizado a economia, debelado a inflação e construído reservas suficientes para pagarmos a dívida externa, que pavimentamos o caminho para a melhoria das condições econômicas e sociais, de forma sustentável, para a nação brasileira. A tal ponto que nossa relação entre dívida externa e exportações teria caído para 1,4 em 2005 contra 3,5 em 2002. Quanto mais alta esta relação, maior o risco de calote da dívida e interrupção dos investimentos externos. O desafio agora passa a ser perseverar nesta direção e solucionar a dívida interna.
Neste sentido, o comparativo de alguns indicadores econômicos no final de 2005 em relação ao final de 2004 permite gerar expectativas positivas. Efetivamente, o Brasil termina o ano de 2005 com sua economia estável, com alguns indicadores bem melhores do que o final do ano anterior. Outros nem tanto! Além da dívida externa, melhorou igualmente a inflação. A mesma deverá fechar o ano entre 5,1% e 5,5% contra 7,6% no final de 2004 (medida pelo IPCA). Já a inflação medida pelo IGP-M deverá terminar o ano ao redor de 0,8% a 1,5% contra 12,41% no final de 2004. Com isto, a tendência dos chamados preços administrados (água, luz, telefonia, combustíveis etc...) é de aumentar muito pouco em 2006. Em contrapartida, os juros se mantiveram elevados. A taxa SELIC, que estava em 17,5% em dezembro de 2004, bateu em 19,75% em agosto/05, recuando para 18% neste final de 2005. Com isso, o juro real, que ficou em 9,9% no final de 2004, subirá para algo em torno de 13% no final de 2005, constituindo-se no mais elevado juro real do mundo. O câmbio continuou sobrevalorizado, terminando o ano ao redor de R$ 2,30 após ter alcançado R$ 2,17 em novembro, contra R$ 2,72 na média de dezembro de 2004. As reservas brasileiras, pelo conceito de liquidez internacional, melhoraram de tal maneira que, além de pagar ao FMI o governo brasileiro decidiu igualmente zerar a conta com o Clube de Paris, num total de US$ 2,6 bilhões. Paralelamente, a balança comercial chega a um novo saldo recorde, devendo fechar 2005 com um superávit próximo a US$ 45 bilhões após US$ 33,7 bilhões em 2004. A nota negativa foi o menor crescimento do PIB (a geração de riquezas), chegando ao redor de 2,3% em 2005, contra 4,9% em 2004. Nosso PIB deverá chegar ao redor de US$ 618 bilhões. A título de comparação a China chega a US$ 1,97 trilhão.
Neste contexto, a economia em 2006 tende a ser melhor. No caso do sul do Brasil, particularmente se o clima favorecer a atual safra de verão. Em isto ocorrendo, embora modesto, os PIBs gaúcho e nacional deverão aumentar, com o nacional podendo chegar ao redor de 3% (o governo espera chegar a 5%). Além disso, teremos uma redução dos juros a qual, em não sendo motivada por ações populistas, poderá levar a SELIC a 15% nominal no final de 2006. O real deverá sofrer um processo de desvalorização, lento e gradual, em não havendo crises de histerismo durante a campanha eleitoral, favorecendo o setor exportador. Não será surpresa se terminarmos o ano 2006 entre R$ 2,40 e R$ 2,70 por dólar. Tudo isto, evidentemente, se o atual governo continuar vigilante em relação a sua política monetária e ao déficit fiscal. Qualquer derrapagem populista, que leve a um afrouxamento dos controles com objetivos eleitoreiros, colocará em risco todo o processo de estabilização da economia e o cenário será totalmente outro, com novas tempestades econômicas surgindo no horizonte. Assim, dois elementos centrais, para os gaúchos particularmente, deverão ser o fiel da balança econômica em 2006: o clima e o comportamento do governo na campanha eleitoral.