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Comércio externo superavitário


Argemiro Luís Brum
A balança comercial brasileira em 2011 continua surpreendendo. Contrariando a tendência do final do ano passado, quando a indicação era de uma redução no superávit obtido (US$ 20,277 bilhões), devido à redução dos preços das commodities agrícolas e, particularmente, da continuidade na sobrevalorização do Real. O que se observa é um resultado inverso. Ou seja, a balança comercial brasileira, encerrada a segunda semana de agosto, acumula no ano um superávit de US$ 17,5 bilhões, devendo facilmente ultrapassar o resultado de 2010. Isso porque, no ano passado nesta época, o saldo comercial era de apenas US$ 10,6 bilhões, ou seja, praticamente US$ 7 bilhões a menos. Mais interessante ainda é o fato de que as exportações continuam em crescimento robusto. As mesmas registram um aumento de 31,5% até o final da primeira quinzena de agosto deste ano, em relação a igual período do ano passado, contra um crescimento de 28,1% nas importações. Desta forma, o saldo comercial positivo aumentou 65,2% no período. Assim, no atual ritmo podemos fechar o ano com um saldo final de US$ 28,5 bilhões. Ora, esse resultado, se confirmado, será o quinto maior desde 1999, quando o país passou a adotar o câmbio flutuante. Os melhores momentos de nossa balança comercial se deram entre 2004 e 2007, momento em que a economia mundial acusou uma franca expansão, associada a um Real bem menos valorizado. Os saldos comerciais nacionais oscilaram, na época, entre US$ 33,6 a US$ 46,1 bilhões e o câmbio médio anual entre R$ 2,92 e R$ 1,95.


Comércio externo superavitário (II)

Como já havíamos detectado em outras oportunidades, nestes primeiros oito meses de 2011, mesmo com um câmbio médio ao redor de R$ 1,60, o comércio externo brasileiro repete a performance obtida entre 2007 e 2009, em pleno auge da crise mundial, quando o Real se sobrevalorizou e o saldo comercial continuou importante. Dentre as explicações aceitáveis para o fenômeno, que contraria a teoria econômica, encontramos a forte concentração das exportações em mãos de poucas empresas, as quais importam componentes para reexportar depois sob forma de produto acabado, fato já comentado neste espaço. Outro fator é que a queda no preço das commodities foi menor do que se esperava, tendo sido compensada por um aumento no volume exportado. Vale ainda destacar que, diante da freada na economia interna brasileira, o consumo local, embora ainda forte, diminuiu um pouco, levando a uma maior pressão exportadora. Enfim, muitos exportadores, que conseguiram se manter no atual cenário cambial, reduziram suas margens visando continuar exportando para conservar seus mercados no estrangeiro. Mas existe outro elemento fundamental! Pela paridade de poder de compra, tomando-se como referência o mês de janeiro de 1999 (momento em que se iniciou com o câmbio flutuante no país), a sobrevalorização do Real diminuiu o ritmo atualmente, não sendo tão significativa no momento. A mesma alcança “apenas” 19,5%, fato que deveria colocar nossa moeda num valor ao redor de R$ 1,90, contra o R$ 1,59 praticado em meados de agosto/11.      
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