Competição de apenas um vencedor

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Na disputa entre as plantas daninhas e o arroz, a produtividade deve sair na frente

Por Sylvio Henrique Bidel Dornelles, Chefe do Dept. de Biologia da Universidade Federal de Santa Maria/RS e integrante do Wolf Team

A competição é, sem dúvida, a forma mais conhecida de interferência direta das plantas daninhas nas culturas agrícolas. Esta batalha se dá por fatores do ambiente, tal como a luz, nutrientes e CO2. Não é diferente na cultura do arroz. Durante os estágios iniciais de desenvolvimento e crescimento, no qual a planta define os principais componentes do rendimento, essas plantas daninhas interferem negativamente na produtividade da cultura.


 
No começo da vida da lavoura, em que as plantas estão definindo o número de perfilhos e panículas por planta, o tamanho e a quantidade de grãos por panícula, a ocorrência de plantas daninhas provocam a menor disponibilidade de nutrientes. Os recursos que mais frequentemente são passíveis de competição são os nutrientes minerais essenciais, a luz, a água e o espaço.
 
As principais espécies competidoras na cultura do arroz são fisiologicamente mais eficientes do que o arroz, possibilitando um maior aproveitamento dos recursos do meio. Gramíneas são exigentes em Nitrogênio, fundamental para o perfilhamento da cultura, portanto, quando as plantas daninhas utilizam parte considerável desse nutriente disponível, a produtividade acaba sendo prejudicada.
 
Para que a lavoura não sofra detrimento por conta das plantas daninhas, é necessário um programa de manejo que contenha medidas pré, durante e pós safra. Com isso, busca-se reduzir o banco de sementes das espécies mais difíceis de serem controladas, como o arroz vermelho, tiriricas e o capim arroz.

 
As plantas daninhas podem ser manejadas ou controladas pela prevenção, manejo cultural, controle biológico, mecânico e químico. A estratégia mais adequada é a integração dessas medidas. Para isso, é preciso que tomemos alguns cuidados para um cultivo saudável e de qualidade.
 
Qualidade de semeadura
O uso de sementes de arroz contaminadas com sementes de plantas daninhas é o principal meio de disseminação de plantas daninhas em lavouras. Para uma semeadura de qualidade é necessário que se utilize sementes de alto vigor e sempre respeitando a quantidade de plantas por metro linear. Quando semeada sem o devido cuidado e fora dos padrões sempre resultam em problemas que depois de constituídos ficam difíceis de serem sanados. Toda vez que a emergência da cultura é desuniforme, o controle das plantas daninhas acaba sendo prejudicado.
 
Monitoramento
O monitoramento constante por parte do agricultor e seus colaboradores sobre o que ocorre relativo às plantas daninhas na propriedade é o ponto chave para o sucesso. Efetue o controle antes de florescerem. Uma das medidas mais eficientes é impedir que essas plantas infestantes produzam sementes para que não haja a reinfestação e reabastecimento do  banco de sementes no solo.

 
Controle químico e a rotação de herbicidas
Para alcançar máxima eficiência biológica, causar o mínimo impacto ambiental e reduzir a ocorrência de plantas resistentes a herbicidas, é necessário que o produtor tenha o hábito de rotacionar os produtos utilizados. Esse contexto requer que seja implementado um manejo onde se inclua de dois a três tipos de herbicidas pós-emergentes, com diferentes mecanismos de ação, para que se evite a seleção de plantas resistentes com o aumento do espectro de controle.
 
Manejo da soca pós colheita
A prática mais adequada é a destruição da soca e o preparo antecipado do solo para a proxima safra. Uma prática muito recorrente na orizicultura é o cultivo de uma segunda colheita a partir da soca, visando um custo reduzido ao produtor. O que muitos não levam em consideração é que, colocando em prática este manejo inadequado, aumenta-se a pressão de seleção de espécies resistentes. Deve-se considerar que o cultivo da soca promove duas safras também para o arroz vermelho e para o capim arroz por conta da quantidade de sementes destas espécies no solo.

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