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Endividamento e Inadimplência


Argemiro Luís Brum
Endividamento é o aumento das dívidas de uma pessoa, família, empresa ou governo. O mesmo pode se originar de uma necessidade ou de um erro na tomada de decisões. No caso pessoal, esse erro é geralmente devido a emoção, ao entusiasmo consumista, ou ainda ao não saber resistir às pressões de marketing geradas pelo mercado. Em qualquer caso, há necessidade de se colocar um limite de endividamento, variável segundo o tipo de atividade e composição da dívida e, particularmente, em função da receita que se tem. Caso esse limite não seja aplicado, seja pelo bom senso (caso privado) ou por leis (caso do Estado), chega-se a inadimplência. Ou seja, à incapacidade de honrar as dívidas no prazo estabelecido, não cumprindo as cláusulas dos contratos assinados. Nessa etapa, a pessoa, empresa ou Estado, além do débito, fica sujeita ao pagamento de juros de mora, multa contratual ou outros encargos, fato que torna a dívida ainda maior, gerando o que popularmente se chama “bola de neve”. No caso dos cidadãos brasileiros, tem crescido o endividamento e, infelizmente, também a inadimplência. No primeiro caso, em havendo possibilidade de pagamento, desde que não comprometa a sobrevivência da pessoa e sua família, o processo é normal. O problema é quando a dívida assumida não cabe mais na renda mensal recebida. Aí se entra num processo grave de inviabilização econômica. No Brasil, nos últimos anos, o governo estimulou o consumo de forma acentuada, visando evitar que o país paralisasse em função da crise mundial iniciada em 2007/08.

Endividamento e Inadimplência (II)
Essa estratégia deu certa porque tínhamos, no país, uma forte demanda reprimida. Porém, ela gerou um grave problema colateral: a falta de cultura financeira de grande parte da população levou-a a um endividamento elevado, o qual está se transformando, em parte, em importante inadimplência. Temos ainda uma “bolha” que poderá estourar a qualquer momento. Isso preocupa, pois a continuidade do consumo nacional só se mantém caso o governo continue facilitando as compras, seja com crédito acessível, via redução de juros, seja com propaganda. Caso contrário, a economia irá frear. Nesse início de 2012, parece que parte dos brasileiros aprenderam a controlar melhor seus gastos, já que a inadimplência recuou 0,9% em fevereiro. Todavia, em relação a fevereiro de 2011 a mesma cresceu 18,3%. No primeiro bimestre do ano o crescimento foi de 17,4% em relação a 2011, após ter crescido 25,4% nos dois primeiros meses do ano passado, em relação a 2010. Embora possa ser lido como desaceleração da inadimplência, tal número assusta, pois crescer 17,4%, após 25,4% um ano antes, é enorme. Além disso, os atrasos acima de 90 dias nos pagamentos chegaram a 5,26% da carteira de crédito pessoa física em janeiro passado. O mais alto em 30 meses! E, o que é pior, grande parte dessa inadimplência se dá junto a bancos, cheque especial e cartão de crédito, onde os juros estão entre os maiores do mundo. Se tal “bolha” estourar definitivamente, o custo social será muito maior do que o custo que a receita aplicada tentou evitar.
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