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Gestão – O próximo desafio no agronegócio


Cézar Eduardo Lindenmeyer
Há dias assisti a uma animadora palestra do economista Ricardo Amorim, dando conta das perspectivas do agronegócio brasileiro no contexto mundial, permitindo antever que seremos o líder deste setor nos próximos 10 anos, sendo que em muitos itens já somos de forma incontestável.  Ao final desta estimulante perspectiva, deixou bem claro que o agricultor brasileiro tem sido hábil na ocupação dos espaços físicos (e ainda temos muito para ocupar, diferentemente dos demais concorrentes mundiais) com avanços importantíssimos de produtividade (já crescemos e ainda temos potencial de crescimento) através da adoção de tecnologias importadas ou através criação de conceitos de produção tipicamente locais, mas é fundamental que se complemente todas estas frentes, trabalhando a formação do empresário rural na GESTÃO do seu negócio de forma ampla.

Coincidentemente, nesta mesma época, as Revista A Granja e Globo Rural tinham como matéria de capa este tema (A Gestão é o verdadeiro pote de ouro e Multiplique lucros com a Gestão, respectivamente), bem como o Campo & Lavoura (ZH) falava de “contas da propriedade sob controle, a Revista da Pioneer abordava “Custos, uma ferramenta de gestão nas empresas rurais brasileiras” e a Revista Produz abordava a questão sob o título “Gestão + Inovação”. Enfim, parece que este assunto tornou-se extremamente relevante (eu diria fundamental) para que possamos exercer as oportunidades que estão disponibilizadas para os agricultores brasileiros nesta década.

É sabido que muitas ações estão em curso para melhorar a gestão das empresas e das propriedades rurais, mas ao lermos um dos artigos mencionados acima surgem surpresas intrigantes do tipo “não chega a 5% os produtores que fazem o custo de produção, um instrumento de tomada de decisões” (Professor Argemiro Brum da Unijui-RS), quando se acreditava (eu inclusive) que este quesito já estivesse fazendo parte do quotidiano dos nossos produtores.

Mas, qual seria a razão para que questões tão elementares não tenham sido transpostas, quando sabemos que GESTÃO é uma proposta muito mais ampla do que o simples controle de custos:

- Seria desconhecimento, desinteresse, despreparo, falta de tempo, demasiadamente burocrático, algum tipo de resistência a mudança. Enfim, acho que as respostas não se aplicam a todos de maneira igual, pois é sabido que muito já foi feito como o programa “Na ponta do lápis”, desenvolvido pela COAMO (PR) mostrado em outro artigo ou de um interessante trabalho piloto desenvolvido pelo IRGA (Programa Renda)no município de Agudo-RS.

Mas, quem sabe as ferramentas até aqui oportunizadas sejam muito complexas, de acesso difícil ou demandem uma grande quantidade de horas de treinamento, por vezes enfadonho e em quantidade inadequada. No entanto, os tempos mudaram e hoje temos inúmeras alternativas de ensino a distância disponíveis, softwares cada vez mais amigáveis, tecnologias muito simples de serem utilizadas e, principalmente um grupo de jovens assumindo a sucessão nas propriedades, totalmente familiarizados com estas modernidades.

Acho que é super pertinente o alerta feito por todos, de que precisamos focar na melhoria da gestão do agronegócio brasileiro, trabalhando e motivando o produtor a treinar e utilizar novas (alguma nem tão novas) ferramentas de gestão.  Certamente, o produtor que fez esta verdadeira revolução verde neste país, não se furtará de abrir a sua mente para novos ensinamentos, contanto que se consiga mostrar os ganhos que serão auferidos e mostrando produtos que possam gerar soluções focadas no negócio dele.

Se assim não tivesse acontecido, continuaríamos com os mesmos níveis de produtividade do passado em muitas culturas e se assim não for, quem sabe, não consigamos exercer na plenitude as oportunidades que estão postas.

 Este é o desafio da hora e como disse Geraldo Vandré “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

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