CI

O risco Estados Unidos


Argemiro Luís Brum
O primeiro semestre de 2011 terminou e a economia nacional e internacional ainda busca se organizar para escapar definitivamente dos efeitos da grande crise de 2007/08. Pelo lado brasileiro, ações do governo confirmaram o ano de arrocho pré-anunciado ainda em meados do ano passado. Os juros (Selic) subiram, chegando hoje a 12,25% ao ano, podendo se elevar um pouco mais ainda. A inflação, ainda acima de 6,5% ao ano, medida pelo IPCA, começa a dar sinais de recuo, graças aos juros altos, enquanto o crescimento da economia aponta para algo entre 3,5% e 4% no final do ano. Ou seja, bem abaixo dos 7,5% de 2010! Com isso, começam a surgir menos ofertas de emprego e até algum desemprego em setores específicos. O Real se mantém sobrevalorizado tendo, no final de junho, atingido seu ponto mais elevado desde janeiro de 1999 (R$ 1,55). Mesmo assim, a balança comercial continua superavitária, desenhando novamente uma contradição em relação ao câmbio, porém, já plenamente explicada nesse espaço. Paralelamente, o endividamento das famílias cresceu significativamente, gerando uma taxa anual de inadimplência que já bate em 8%, e crescendo. Ao mesmo tempo, a dívida pública ultrapassa a US$ 1,1 trilhão e representa quase 50% do PIB nacional. Enquanto isso, um tímido início de reformas, a começar pela previdência, hoje totalmente inviabilizada, está sendo anunciado pelo governo federal. Enfim, a crise nos países europeus e nos EUA, persiste e não há saídas à vista no curto prazo.

O risco Estados Unidos  (II)

E no contexto externo se concentra, neste mês de julho, as maiores atenções. Além da busca por encaminhamentos, doloridos, à crise grega e de outros países europeus, os EUA estão às voltas com uma realidade que pode resultar num impacto negativo mundial sem precedentes. Ou seja, a dívida pública dos EUA chegou ao seu limite legal (US$ 14,3 trilhões) em 16 de maio passado. O governo Obama não pode ultrapassar esse teto, fato que o obrigou a cortar investimentos. Projeta-se para o dia 02 de agosto a ultrapassagem do teto, salvo se o Congresso dos EUA aprovar uma elevação do limite. Ora, de olho nas eleições presidenciais de novembro de 2012, os republicanos (maioria e oposição à Obama) só aceitam elevar o limite se houver cortes maiores no orçamento. E o impasse está feito! A situação é séria porque, em ultrapassando o limite, os EUA começam a se tornar inadimplentes perante sua dívida interna. A agência de risco S&P já anunciou que rebaixaria a nota dos EUA de triplo A (nota máxima) para, simplesmente, um D (calote). Pode-se imaginar o que acontecerá na economia mundial se isso vier a ser feito com a maior economia do mundo. E isso pode realmente ocorrer, pois o objetivo dos republicanos não é resolver a dívida, o que seria o correto, e sim privar o governo atual de receitas para continuar governando. E que se dane a população e o resto do mundo com as consequências do gesto político. Portanto, um novo e importante capítulo da crise estará sendo desenhado nesse mês de julho, mais uma vez a partir dos EUA.   
Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7