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Parem, corrijam o rumo, estão na contramão


José Eduardo Reis Leão Teixeira
Os cafeicultores de Arábica precisam parar imediatamente este “caminhão desgovernado”, na contramão. Não há raciocínio lógico, ciência ou matemática que justifique tanta insensatez. A atividade está em processo de falência por única e exclusiva culpa e responsabilidade de seus dirigentes, tendo por aval os cafeicultores.
Vou justificar esta forte afirmativa. A sobrevivência de um empreendimento ou atividade econômica necessita fundamentalmente de planejamentos e estou me referindo a estratégicos – da porteira para fora -, e operacionais – da porteira para dentro.
O estratégico contempla a organização da atividade, não das fazendas, considerando todos os fatores externos: produções mundiais, consumo, estoques, bem como suas tendências, entre inúmeros outros. O operacional é relacionado ao que ocorre dentro das propriedades e no aspecto financeiro e econômico de cada produtor. O “coração” do operacional está nos custos de produção e nos preços de venda. A diferença entre um e outro é o lucro.
Assim, ao pensarmos no estratégico, a cafeicultura não o possui, razão dos cenários aterrorizantes, por que passa e continuará passando. No operacional o problema é potencialmente grave e assustador. O estratégico depende diretamente do operacional sob muitos aspectos, porém, em especial o custo de produção.
O problema gravíssimo é que ao contrário do que deveria ser, procuram informar estes custos nivelando-os por baixo. Parece que existe uma concorrência no sentido de propalar, apesar de que falsamente, serem estes custos sempre menores do que na verdade o são. E levam isto como se fosse um troféu.
O troféu da idiotice, pois com custos não se brinca. Sendo para concorrer e sobreviver, necessitam nivelar por cima ou no mínimo pela média, jamais por baixo. Não consigo compreender como não conseguem compreender isto. É tão elementar este erro que se torna inadmissível e por isto, muitos estão falindo e os poucos que se mantêm o fazem à custa de outros aportes financeiros. Para piorar, os que se mantêm, acreditam que são eficientes, se gabando; irão quebrar mais tarde, mas certamente não escaparão.
Estão todos no mesmo barco furado, cada um mentindo mais que o outro e com vergonha de mostrar a verdadeira situação. Mesmo porque, se mostrarem ai é que não obterão financiamento algum. Precisam mentir para este efeito, mesmo sabendo que mais a frente a bolha irá estourar.
Quem possui cafeicultura mecanizada, pode ter um custo menor em relação à cafeicultura manual, ou semi-mecanizada, porém isto é muito relativo e jamais como regra básica.
Fui dar consultoria na elaboração de um planejamento em uma propriedade essencialmente cafeeira, com 2.300 hectares de café, mecanizados, onde o produtor possuía 54 tratores cafeeiros e 06 colheitadeiras automotrizes. De imediato, pela destreza neste tipo de análise, percebi que necessitaria apenas 14 tratores cafeeiros e 2 colheitadeiras. Este caso serve para ilustrar o que ocorre na maioria absoluta das propriedades cafeeiras: um super dimensionamento de máquinas e equipamentos, elevando potencialmente os custos de depreciação e manutenção, afetando diretamente o custo horário destes.
Assim, sei por inúmeros projetos desenvolvidos, que este super dimensionamento produz um efeito desastroso, pois em média, os tratores cafeeiros trabalham apenas 411 horas/ano, enquanto deveriam trabalhar no mínimo 1500 horas/ano. Não bastasse isto, que para ser dimensionado precisaria o planejamento ser desenvolvido através de análises de processos e padronização das atividades, o profissional, ou seja lá quem for, responsável por este cálculo para estabelecer estes custos considera o preço da máquina retirando sua depreciação e o divide pela informação de vida útil das máquinas, impressa no manual destas. Neste caso comum à grande maioria, divide este preço por um intervalo entre 1200-1500 horas, enquanto na verdade chega a 4 vezes inferior, falsificando ou mascarando uma informação vital, ou seja, seu custo é 4 vezes superior ao que acredita ser.
Assim, não se iludam, em acreditar que o custo mecanizado significa eficiência em relação ao manual. Posso ter uma lavoura manual com produtividade muito superior à mecanizada, que compense a não utilização desta tecnologia. Posso ter uma lavoura manual, que devido a área insuficiente para justificar tecnologia de mecanização seja mais aconselhável, porém, que sua tecnologia seja por adensamento. Perde-se de um lado e ganha-se de outro.
É assim, que deveria funcionar na cafeicultura, ou seja, procurando o ponto de equilíbrio, competitividade e sobrevivência. Porém, após encontrar o ponto de equilíbrio, é fundamental que jamais nivelem seus custos por baixo, principalmente pelo fato que geralmente informam o custo medido, ou seja, que passou e raramente com um planejamento preciso que anteceda a estes. Portanto, erram muito e este erro é fatal. Razão da decadência da atividade.
Como se isto não bastasse e aproveitando as informações errôneas, além de niveladas por baixo, que transmitem aos outros, o governo e o próprio mercado, desavisados e desconhecedores por completo disto, acreditam e são os cafeicultores que perdem competitividade, concorrência pela sobrevivência, e além de tudo são taxados de chorões, por seus constantes pleitos de prorrogações e novos recursos.
Estão errados, e muito errados. Desde a falta absoluta de organização eficiente no topo das lideranças, assim como no que consideram como verdades.
Caso não tomem, urgentemente, medidas drásticas em tudo isto, não haverá solução alguma e perderão suas propriedades, sendo que os novos cafeicultores terão uma mentalidade totalmente diferenciada, se houver alguém com esta disposição, pois com um sistema incompetente e incapaz a gerenciar esta atividade, nem milagre resolve, como foi o caso deste cliente citado acima o qual o recusei tendo por justificativa a relutância do mesmo em se adaptar ao necessário, e por saber que quebraria caso não se adequasse, o que realmente aconteceu em poucos anos, por vaidade e teimosia, que nada resolveram.
O que a cafeicultura precisa é de mudança drástica de rumos, com uma visão totalmente diferenciada da costumeira. Mudar tudo, radicalmente e rapidamente, se desejarem permanecer nesta atividade.
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