O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços produzidos por um país, estado ou cidade, num dado período. O do Brasil, em 2025, foi de R$ 12,7 trilhões.
Mas qual é o PIB do Agro?
O IBGE calcula apenas o PIB da Agropecuária — o valor gerado essencialmente pela produção primária, dentro da porteira. Em 2025, ela respondeu por cerca de 6,1% do PIB brasileiro.
Mas, antes de o café chegar à mesa ou o churrasquinho ser o prato principal do domingo, existe uma longa cadeia de atividades: máquinas, fertilizantes, transporte, indústria e serviços.
É por isso que o conceito de agronegócio é mais amplo. Considerando toda essa cadeia, o PIB do agronegócio, calculado pelo Cepea/USP em parceria com a CNA, alcançou R$ 3,2 trilhões em 2025, pouco mais de um quarto da economia brasileira.
Mas gostaria de fazer uma reflexão a partir dos números do Cepea, entre 2010 e 2025:
- PIB da Agropecuária: +94%
- PIB da Agroindústria: +12%
- Ramo agrícola: -2%
- Ramo pecuário: +66%
Enquanto a Agropecuária avançou 94%, a Agroindústria cresceu apenas 12% em quinze anos. E, dentro dela, o crescimento está concentrado no ramo pecuário. A indústria ligada ao ramo agrícola encolheu quase 2% em valores atualizados para 2026 pelo Cepea!
Outro dado ajuda nessa reflexão:
No complexo de grãos e farelos, as exportações passaram de cerca de 52 milhões de toneladas em 2010 para 160 milhões em 2024. E as exportações de grãos avançaram muito mais (3,5 vezes) que os produtos processados (1,8 vez), no mesmo período.
Estamos produzindo muito mais e transformando proporcionalmente cada vez menos.
É verdade que parte da soja e do milho sai indiretamente do país transformada em carne de frango, suína, bovina e pescado, a partir da ração consumida por esses animais.
Mas o que esses números mostram é que o campo avança em ritmo mais acelerado do que a Agroindústria.
O caminho não é deixar de exportar commodities. Elas são — e continuarão sendo — fundamentais para a economia brasileira.
Mas o desafio talvez esteja em transformarmos mais a cada ano!
Um forte abraço!
Fontes: Cepea/Esalq-USP e CNA; Ipea; Embrapa – MacroLogística.