As cotações da soja, em Chicago, voltaram a recuar nestes primeiros 10 dias de novembro, com o fechamento do primeiro mês cotado, no dia 10/11, ficando em US$ 11,58/bushel (27,21 quilos). Essa cotação, durante todo o ano de 2011, somente foi vista em um único dia (07 de outubro). Além disso, ela está bem abaixo das médias mensais do ano, quando o mercado saiu de US$ 13,90 em janeiro/11, para US$ 12,13 em outubro/11. Antes de outubro a média sempre esteve acima de US$ 13,00/bushel. Nos primeiros 10 dias de novembro, tal média caiu para US$ 11,92. Estaríamos diante de uma nova tendência em Chicago?
A mesma estaria confirmando a perda de fôlego da especulação financeira na Bolsa, diante da continuidade da crise econômico-financeira mundial? É possível, embora ainda seja cedo para uma confirmação. O fato é que aos poucos as cotações estão encontrando outro patamar de preços.
O próprio USDA, em seu relatório mensal anunciado em 09/11, aponta para um preço médio no ano 2011/12 entre US$ 11,60 e US$ 13,60/bushel. Ou seja, cerca de 4% abaixo do projetado em outubro, porém, ainda acima da média de 2010/11, que teria sido de US$ 11,30/bushel e, particularmente sobre a média de 2009/10, que foi de US$ 9,59/bushel. O que se percebe, portanto, é que as cotações encontram uma pressão baixista, porém, ainda se mantêm bastante elevadas para os padrões históricos. Entretanto, em relação a média obtida entre 2007 e 2011, momento em que o preço mundial das commodities disparou, a soja, agora, já se situa um degrau abaixo.
Preço da soja volta a recuar em Chicago (II)
Por enquanto, dois motivos parecem ser os mais pertinentes. O primeiro, de caráter estrutural, confirma a lógica de que, diante da continuidade da crise internacional, atualmente puxada pela difícil situação na União Europeia, a especulação busca refúgio no dólar dos EUA. Em o dólar se valorizando, pelo aumento de sua demanda, o preço da soja recua em Chicago, assim como o preço das outras commodities. Ligado a isso, há igualmente a realidade da oferta e demanda. Como alertamos em diversas oportunidades nos últimos anos, não há grandes distanciamentos entre as duas, a ponto de justificar tamanhos preços em Chicago. No caso da soja, por exemplo, o relatório do USDA, além de aumentar um pouco os estoques finais nos EUA, para 2011/12, trouxe que os estoques finais mundiais da oleaginosa, para esse mesmo ano, chegam a 63,56 milhões de toneladas, contra 68,37 milhões um ano antes e 59,41 milhões em 2009/10. Ou seja, os mesmos estão dentro de uma posição intermediária aceitável.
Além disso, a demanda chinesa, onde todos colocam suas esperanças quanto a um maior consumo da soja, cresce, porém, não de maneira intempestiva. A projeção de importações chinesas pelo produto, neste novo ano, está em 56,5 milhões de toneladas, contra 52,3 milhões um ano antes e 50,3 milhões em 2009/10. Enfim, de maneira mais conjuntural, tem-se o final da colheita nos EUA, com a mesma devendo ficar em 82,9 milhões de toneladas, contra 90,6 milhões no ano anterior e 91,4 milhões em 2009/10.
Mesmo com tal redução na produção, as cotações baixam. Boa parte se explica pelo movimento de aumento na área semeada da América do Sul, hoje a maior região produtora de soja do mundo, acompanhada, por enquanto, de clima favorável em seu plantio. Dito isso, o elemento central do comportamento das cotações das commodities, e particularmente da soja, continuará sendo o efeito da crise mundial no humor dos especuladores financeiros que, desde 2007, vêm optando por apostar nas bolsas de mercadorias. E esse efeito traz consigo uma relação direta com o comportamento do dólar no mercado mundial (dólar fraco no mundo = preços das commodities sobem e vice-versa). E está chegando a hora de o dólar recuperar terreno diante das demais moedas do mundo, devendo ser o sinalizador de cotações mais fracas nas bolsas mundiais. A conferir....
Imobiliário: o boom e a bolha
Não há dúvida que boa parte do enfrentamento da crise econômica mundial, no Brasil, tem passado pelo estímulo à construção civil. Apoiado por programas estatais, tipo o recente Minha Casa Minha Vida, o setor imobiliário explodiu nos últimos anos. Afinal, o país tem uma demanda reprimida importante. Para se ter uma ideia do avanço nesse setor, os investimentos habitacionais no Brasil passaram de R$ 7 bilhões em 2002 para R$ 62 bilhões em 2009 (785% de aumento em sete anos), e continuaram crescendo posteriormente. Com isso, o preço dos aluguéis, dos imóveis para venda e dos terrenos urbanos dispararam. Em Porto Alegre, por exemplo, o preço médio do metro quadrado para imóveis novos é de R$ 4.501,00 e para usados de R$ 2.922,00, sendo que o índice para o primeiro caso subiu 10,9% apenas entre abril e outubro deste ano. Estamos diante de um boom da construção civil no país, isso é um fato. A questão anexa é: foi gerada uma bolha que está na iminência de estourar, no estilo dos EUA? Se o olharmos o déficit de moradias no país, poderíamos ainda dizer que não, pois o mesmo, segundo o IPEA, é de 7,9 milhões de habitações. Todavia, se olharmos a capacidade do Estado em continuar gerando crédito barato para esse fim e a capacidade de pagamento do cidadão brasileiro que toma tais empréstimos, a partir de seu nível de endividamento geral na atualidade (na média, os brasileiros comprometem com dívidas a pagar, nos dias de hoje, 41% de seu salário mensal) a resposta exige um sim, numa visão de médio prazo. Aliás, não é por acaso que já começam a sobrar imóveis para alugar e vender em muitas regiões do país. O problema inicia nos municípios menores e vai se alastrando para o conjunto do setor. É uma questão de tempo! Infelizmente, na economia, assim como não tem almoço grátis, nada é permanente. A mesma funciona por ciclos cuja duração depende de nossa capacidade de gestão, seja pública e/ou privada.
A mesma estaria confirmando a perda de fôlego da especulação financeira na Bolsa, diante da continuidade da crise econômico-financeira mundial? É possível, embora ainda seja cedo para uma confirmação. O fato é que aos poucos as cotações estão encontrando outro patamar de preços.
O próprio USDA, em seu relatório mensal anunciado em 09/11, aponta para um preço médio no ano 2011/12 entre US$ 11,60 e US$ 13,60/bushel. Ou seja, cerca de 4% abaixo do projetado em outubro, porém, ainda acima da média de 2010/11, que teria sido de US$ 11,30/bushel e, particularmente sobre a média de 2009/10, que foi de US$ 9,59/bushel. O que se percebe, portanto, é que as cotações encontram uma pressão baixista, porém, ainda se mantêm bastante elevadas para os padrões históricos. Entretanto, em relação a média obtida entre 2007 e 2011, momento em que o preço mundial das commodities disparou, a soja, agora, já se situa um degrau abaixo.
Preço da soja volta a recuar em Chicago (II)
Por enquanto, dois motivos parecem ser os mais pertinentes. O primeiro, de caráter estrutural, confirma a lógica de que, diante da continuidade da crise internacional, atualmente puxada pela difícil situação na União Europeia, a especulação busca refúgio no dólar dos EUA. Em o dólar se valorizando, pelo aumento de sua demanda, o preço da soja recua em Chicago, assim como o preço das outras commodities. Ligado a isso, há igualmente a realidade da oferta e demanda. Como alertamos em diversas oportunidades nos últimos anos, não há grandes distanciamentos entre as duas, a ponto de justificar tamanhos preços em Chicago. No caso da soja, por exemplo, o relatório do USDA, além de aumentar um pouco os estoques finais nos EUA, para 2011/12, trouxe que os estoques finais mundiais da oleaginosa, para esse mesmo ano, chegam a 63,56 milhões de toneladas, contra 68,37 milhões um ano antes e 59,41 milhões em 2009/10. Ou seja, os mesmos estão dentro de uma posição intermediária aceitável.
Além disso, a demanda chinesa, onde todos colocam suas esperanças quanto a um maior consumo da soja, cresce, porém, não de maneira intempestiva. A projeção de importações chinesas pelo produto, neste novo ano, está em 56,5 milhões de toneladas, contra 52,3 milhões um ano antes e 50,3 milhões em 2009/10. Enfim, de maneira mais conjuntural, tem-se o final da colheita nos EUA, com a mesma devendo ficar em 82,9 milhões de toneladas, contra 90,6 milhões no ano anterior e 91,4 milhões em 2009/10.
Mesmo com tal redução na produção, as cotações baixam. Boa parte se explica pelo movimento de aumento na área semeada da América do Sul, hoje a maior região produtora de soja do mundo, acompanhada, por enquanto, de clima favorável em seu plantio. Dito isso, o elemento central do comportamento das cotações das commodities, e particularmente da soja, continuará sendo o efeito da crise mundial no humor dos especuladores financeiros que, desde 2007, vêm optando por apostar nas bolsas de mercadorias. E esse efeito traz consigo uma relação direta com o comportamento do dólar no mercado mundial (dólar fraco no mundo = preços das commodities sobem e vice-versa). E está chegando a hora de o dólar recuperar terreno diante das demais moedas do mundo, devendo ser o sinalizador de cotações mais fracas nas bolsas mundiais. A conferir....
Imobiliário: o boom e a bolha
Não há dúvida que boa parte do enfrentamento da crise econômica mundial, no Brasil, tem passado pelo estímulo à construção civil. Apoiado por programas estatais, tipo o recente Minha Casa Minha Vida, o setor imobiliário explodiu nos últimos anos. Afinal, o país tem uma demanda reprimida importante. Para se ter uma ideia do avanço nesse setor, os investimentos habitacionais no Brasil passaram de R$ 7 bilhões em 2002 para R$ 62 bilhões em 2009 (785% de aumento em sete anos), e continuaram crescendo posteriormente. Com isso, o preço dos aluguéis, dos imóveis para venda e dos terrenos urbanos dispararam. Em Porto Alegre, por exemplo, o preço médio do metro quadrado para imóveis novos é de R$ 4.501,00 e para usados de R$ 2.922,00, sendo que o índice para o primeiro caso subiu 10,9% apenas entre abril e outubro deste ano. Estamos diante de um boom da construção civil no país, isso é um fato. A questão anexa é: foi gerada uma bolha que está na iminência de estourar, no estilo dos EUA? Se o olharmos o déficit de moradias no país, poderíamos ainda dizer que não, pois o mesmo, segundo o IPEA, é de 7,9 milhões de habitações. Todavia, se olharmos a capacidade do Estado em continuar gerando crédito barato para esse fim e a capacidade de pagamento do cidadão brasileiro que toma tais empréstimos, a partir de seu nível de endividamento geral na atualidade (na média, os brasileiros comprometem com dívidas a pagar, nos dias de hoje, 41% de seu salário mensal) a resposta exige um sim, numa visão de médio prazo. Aliás, não é por acaso que já começam a sobrar imóveis para alugar e vender em muitas regiões do país. O problema inicia nos municípios menores e vai se alastrando para o conjunto do setor. É uma questão de tempo! Infelizmente, na economia, assim como não tem almoço grátis, nada é permanente. A mesma funciona por ciclos cuja duração depende de nossa capacidade de gestão, seja pública e/ou privada.