Chegamos ao final de 2011 e uma constatação se faz necessária: os preços das commodities, em Chicago, estão bem mais fracos nesse momento, se comparados ao primeiro semestre. No caso da soja, isso se reflete sobre os preços aos produtores rurais brasileiros em geral e gaúchos em particular. Ao final da primeira quinzena de dezembro, no mercado gaúcho, o saco de soja, no balcão, chegou a romper a resistência dos R$ 40,00, sendo cotado, em alguns momentos, a R$ 39,00. Nos lotes, o preço voltou à casa dos R$ 45,00 a R$ 46,00. Ora, no início de fevereiro passado, o balcão chegou a R$ 47,00, enquanto os lotes atingiram entre R$ 51,00 e R$ 52,00/saco.
Tal comportamento se deve ao recuo de Chicago. Ainda no início de setembro passado, o bushel de soja alcançava US$ 14,60. Nestes primeiros dias de dezembro ele esteve a ponto de romper o piso dos US$ 11,00, fechando o dia 13/12 em US$ 11,18. Temos aí, em três meses, um recuo aproximado de US$ 3,50/bushel. O efeito só não foi pior sobre os preços da soja, no mercado nacional, porque assistimos, no segundo semestre, a uma forte desvalorização do Real, com a moeda brasileira passando de R$ 1,55 no início de agosto, para R$ 1,85 neste mesmo dia 13/12. Ou seja, em quatro meses, ponto a ponto, temos uma desvalorização do Real de 19,4%, enquanto o bushel perdia 23,4% em menos tempo. Alguns motivos são evidentes para explicar tal comportamento, apontando para uma tendência, em 2012, de preços menos interessantes do que na última safra, embora ainda importantes.
Preços da soja ainda menores (II)
O primeiro elemento continua sendo o financeiro. Ou seja, a crise econômica mundial, iniciada em 2007/08, piorou no segundo semestre de 2011, particularmente na Europa. O ano termina apontando para mais dificuldades no futuro, fato que leva os especuladores a venderem suas posições nas Bolsas e buscar refúgio no dólar. Com isso, caem as cotações em Chicago, o dólar se valoriza e as demais moedas mundiais se desvalorizam. O famoso efeito de compensação já conhecido. O segundo elemento é de natureza do próprio mercado dos grãos. A oferta e os estoques aumentaram, enquanto a demanda diminuiu proporcionalmente. O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 09/12, confirmou este quadro. Para o caso da soja, o mesmo aumentou os estoques finais nos EUA, na safra 2011/12, para 6,26 milhões de toneladas. Com isso o preço médio a ser recebido pelos produtores daquele país passou a ser projetado entre US$ 10,70 e US$ 12,70/bushel, caracterizando um recuo de quase um dólar em relação ao relatório de novembro.
Em termos mundiais, a produção de soja foi aumentada para 259,2 milhões de toneladas, com estoques finais saltando para 64,5 milhões. O mesmo comportamento o relatório indicou para o milho e o trigo no cenário mundial. É claro que muita coisa ainda pode mudar até a colheita da futura safra brasileira, mas a sinalização do momento confirma um quadro menos interessante de preços. Isso favorece quem vendeu antecipadamente, pegando, há três meses, até R$ 50,00/saco para entrega em abril/12 no mercado gaúcho.
Tal comportamento se deve ao recuo de Chicago. Ainda no início de setembro passado, o bushel de soja alcançava US$ 14,60. Nestes primeiros dias de dezembro ele esteve a ponto de romper o piso dos US$ 11,00, fechando o dia 13/12 em US$ 11,18. Temos aí, em três meses, um recuo aproximado de US$ 3,50/bushel. O efeito só não foi pior sobre os preços da soja, no mercado nacional, porque assistimos, no segundo semestre, a uma forte desvalorização do Real, com a moeda brasileira passando de R$ 1,55 no início de agosto, para R$ 1,85 neste mesmo dia 13/12. Ou seja, em quatro meses, ponto a ponto, temos uma desvalorização do Real de 19,4%, enquanto o bushel perdia 23,4% em menos tempo. Alguns motivos são evidentes para explicar tal comportamento, apontando para uma tendência, em 2012, de preços menos interessantes do que na última safra, embora ainda importantes.
Preços da soja ainda menores (II)
O primeiro elemento continua sendo o financeiro. Ou seja, a crise econômica mundial, iniciada em 2007/08, piorou no segundo semestre de 2011, particularmente na Europa. O ano termina apontando para mais dificuldades no futuro, fato que leva os especuladores a venderem suas posições nas Bolsas e buscar refúgio no dólar. Com isso, caem as cotações em Chicago, o dólar se valoriza e as demais moedas mundiais se desvalorizam. O famoso efeito de compensação já conhecido. O segundo elemento é de natureza do próprio mercado dos grãos. A oferta e os estoques aumentaram, enquanto a demanda diminuiu proporcionalmente. O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 09/12, confirmou este quadro. Para o caso da soja, o mesmo aumentou os estoques finais nos EUA, na safra 2011/12, para 6,26 milhões de toneladas. Com isso o preço médio a ser recebido pelos produtores daquele país passou a ser projetado entre US$ 10,70 e US$ 12,70/bushel, caracterizando um recuo de quase um dólar em relação ao relatório de novembro.
Em termos mundiais, a produção de soja foi aumentada para 259,2 milhões de toneladas, com estoques finais saltando para 64,5 milhões. O mesmo comportamento o relatório indicou para o milho e o trigo no cenário mundial. É claro que muita coisa ainda pode mudar até a colheita da futura safra brasileira, mas a sinalização do momento confirma um quadro menos interessante de preços. Isso favorece quem vendeu antecipadamente, pegando, há três meses, até R$ 50,00/saco para entrega em abril/12 no mercado gaúcho.