O Produto Interno Bruto do Brasil, segundo o IBGE, ficou em R$ 1,938 trilhão em 2005. Um crescimento de 2,3% apenas, já contestado por diferentes setores da economia nacional que julgam tal PIB ainda menor, talvez na casa de 1,5%. A revisão oficial em meados do ano nos dirá em que nível realmente o país ficou. Em moeda nacional, no ano 2000 o Brasil ingressou na casa do trilhão de reais, alcançando um total de R$ 1,101 trilhão, após R$ 973,846 bilhões em 1999. Assim, nos últimos cinco anos, em termos absolutos, o PIB brasileiro cresceu 76% em moeda nacional. No mesmo período, a população brasileira passou de 170 milhões para 186 milhões de pessoas. Um crescimento de 9,4%. Desta forma, o PIB per capita, nestes últimos cinco anos, passou de R$ 6.476,00 para R$ 10.419,00, ou seja, um aumento absoluto de 60,9%. Todavia, na prática, tal renda ficou muito concentrada, não refletindo estes valores para todos os habitantes. Além disso, no período, a inflação brasileira, medida pelo IPCA, foi de 51,42%. Desta forma, a valores de hoje, o PIB de 2000 valeria US$ 1,667 trilhão. Isto significa dizer que, em termos reais, o PIB nacional, no período de 2000 a 2005, cresceu 16,2%. Já em dólares o crescimento acabou sendo menor. O PIB de 2005 ficou em US$ 795,776 bilhões contra US$ 602,207 bilhões em 2000. Isto representa um crescimento absoluto de 32,1% enquanto a inflação dos EUA (medida pelo IPC local), no mesmo período, ficou em 14,8%. A valores de hoje o PIB em dólares, de 2000, valeria US$ 691,45 bilhões. Ou seja, houve um crescimento real em dólares de 15,1%. No entanto, a euforia nacional de termos alcançado o 11º lugar no ranking mundial em 2005, após alguns anos em 15º lugar, medido pelo PIB em dólares, não se justifica.
Que PIB é este (II)
Isto porque, em dólares o PIB nacional cresceu basicamente em função do efeito cambial que coloca, há mais de ano, o real num patamar artificial de sobrevalorização. Efetivamente, pelo dólar médio de 2005, o PIB nacional alcançou US$ 795,776 bilhões, colocando o país em 11º lugar no mundo, superando a Rússia, México, Índia, Austrália e Holanda, por exemplo. No entanto, o dólar médio do ano passado ficou em R$ 2,435 enquanto, para manter a paridade de poder de compra de maio de 2002, o mesmo deveria ter alcançado aproximadamente R$ 3,15. Ora, neste último nível cambial, o PIB brasileiro, em dólares, teria sido de apenas US$ 615,238 bilhões. Isto nos deixaria de fato abaixo da 15ª posição mundial já que a Austrália, hoje nesta posição, registrou um PIB de US$ 683 bilhões no ano passado. Assim, o avanço do PIB brasileiro, em dólares, se deu muito mais pela questão cambial do que pela geração de riquezas (o dólar se desvalorizou 12,4% no ano passado enquanto a real produção de riquezas ficou em apenas 2,3%, com possibilidades de ser ainda menor). Para se ter uma idéia da situação, em 1995, quando a moeda brasileira registrou a média anual de R$ 0,917, superando o dólar, após o lançamento do Plano Real, o PIB brasileiro atingiu a US$ 705,449 bilhões, levando o país novamente ao redor do 8º lugar no ranking mundial. Também ali estávamos com uma falsa imagem de nossa realidade. Desta forma, precisamos urgentemente criar as condições para aumentarmos muito mais a geração de riqueza. O ideal seria chegarmos a um PIB anual entre 6% e 7% de crescimento constante. O grande desafio é criarmos tais condições sem desequilibrarmos a economia, via retorno da inflação “galopante”.