Não há dúvida de que o atual governo brasileiro, em relação ao período Lula, está mais atento ao andamento da economia mundial e suas conseqüências no Brasil. Enquanto o anterior subestimou a crise, o atual percebe que a mesma, que já dura quatro anos e pode continuar outro tanto, provocou e vem provocando estragos importantes no mundo e também em nosso país. Embora o Brasil tenha demonstrado bom preparo para enfrentá-la, a dimensão da crise ultrapassa nossa capacidade de resistência da forma como até aqui a gerenciamos. O novo tombo que a economia mundial sofreu no início de agosto, tendo como estopim a crise fiscal de países europeus e dos EUA, inclusive com ameaça de calote da dívida interna neste último país, comprova que o problema é estrutural e de lenta solução. Para se ter uma ideia da real situação, entre 22 de julho e 8 de agosto as bolsas do mundo inteiro, incluindo a Bovespa, perderam cerca de US$ 7 trilhões. Ou seja, em torno da metade do PIB dos EUA, em duas semanas, desapareceu do mercado. Isso se soma as extraordinárias perdas ocorridas em 2007 e 2008, quando a atual crise se iniciou, e temos uma situação que deverá deixar prejuízos irrecuperáveis na economia real mundial. Os mesmos podem ser resumidos em três áreas: menor capacidade financeira dos bancos para emprestar; das empresas para investir; e dos domicílios para consumir. No Brasil, onde a população parece ainda não ter acordado o suficiente para o problema, o atual governo já vem lançando sinais claros de que a situação é muito ruim.
Seis por meia dúzia? (II)
Obviamente, a constatação do problema demorou muito tempo e precisou, por motivos eleitorais (mais uma vez), esperar a troca de governo, mesmo que o ministro da Fazenda tenha continuado. O anúncio de cortes na altura de R$ 10 bilhões nos gastos públicos, feito nesta semana, vem comprovar isso. É uma atitude ainda tímida, porém, é um começo diante da evolução do problema. Até então, o governo esperava que a recuperação mundial fosse mais rápida e, assim, a mesma voltaria a esconder à má gestão pública nacional, onde os gastos, sempre maiores do que as receitas, são rolados pela venda de títulos públicos aos estrangeiros. O repique da crise, em agosto, convenceu o governo brasileiro de que não dá para esperar para logo a recuperação externa. Assim, busca-se agora reduzir os gastos públicos para iniciar um processo de redução dos juros e, assim, manter a economia interna aquecida, antídoto até agora utilizado frente à crise. É uma medida acertada e solicitada há anos. Todavia, para a mesma realmente funcionar no longo prazo, será preciso realizar as reformas no Estado e na própria estrutura econômica do país. Além disso, a capacidade de endividamento da sociedade tem limites. Se isso não for observado, estaremos trocando seis por meia dúzia, com o governo substituindo medidas de política monetária, de resultado imediato, por medidas de política fiscal, de resultado demorado, e que continuarão penalizando a sociedade. Hoje, é necessário continuar com medidas monetárias pontuais e trabalhar fundo na direção de ajustes estruturais sustentáveis.
Seis por meia dúzia? (II)
Obviamente, a constatação do problema demorou muito tempo e precisou, por motivos eleitorais (mais uma vez), esperar a troca de governo, mesmo que o ministro da Fazenda tenha continuado. O anúncio de cortes na altura de R$ 10 bilhões nos gastos públicos, feito nesta semana, vem comprovar isso. É uma atitude ainda tímida, porém, é um começo diante da evolução do problema. Até então, o governo esperava que a recuperação mundial fosse mais rápida e, assim, a mesma voltaria a esconder à má gestão pública nacional, onde os gastos, sempre maiores do que as receitas, são rolados pela venda de títulos públicos aos estrangeiros. O repique da crise, em agosto, convenceu o governo brasileiro de que não dá para esperar para logo a recuperação externa. Assim, busca-se agora reduzir os gastos públicos para iniciar um processo de redução dos juros e, assim, manter a economia interna aquecida, antídoto até agora utilizado frente à crise. É uma medida acertada e solicitada há anos. Todavia, para a mesma realmente funcionar no longo prazo, será preciso realizar as reformas no Estado e na própria estrutura econômica do país. Além disso, a capacidade de endividamento da sociedade tem limites. Se isso não for observado, estaremos trocando seis por meia dúzia, com o governo substituindo medidas de política monetária, de resultado imediato, por medidas de política fiscal, de resultado demorado, e que continuarão penalizando a sociedade. Hoje, é necessário continuar com medidas monetárias pontuais e trabalhar fundo na direção de ajustes estruturais sustentáveis.