O desenvolvimento está longe
Se nada for feito para resolver o problema da corrupção no Brasil, alimentada por um sistema burocrático vergonhoso, jamais conseguiremos chegar ao real desenvolvimento neste país. Portanto, o avanço da sociedade brasileira não depende de questões apenas econômicas, embora as mesmas sejam importantes e estejam ligadas com as demais. Mas o grande problema é a falta de formação ética de boa parte de quem nos governa, somada a própria falta de educação funcional, especialmente no nível federal. Em boa parte dos acasos, o país está nas mãos de pessoas que, postas nos maiores cargos do Estado, por eleitores com pouca formação, acabam reproduzindo em Brasília o que já estavam acostumadas a fazer, em menor escala, em suas regiões. E do governo Lula para cá (2003 em diante) a situação, que já não era boa, piorou consideravelmente. A ponto do ex-presidente do Tribunal de Contas da União, o gaúcho Adylson Motta, declarar, em entrevista ao jornal Zero Hora (10/07/2011, p. 8), que “em Brasília, chega a ser perigoso ser honesto”. Aquilo que já se sabia vem agora mais claramente à tona. Para quem não leu a entrevista, seguem alguns trechos da mesma: “A legislação (brasileira) é frouxa. E as autoridades, em vez de tornarem as leis ainda mais severas, fazem o contrário. Isso está acontecendo agora, com as licitações para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada. Não há interesse em fiscalização. Um dos maiores problemas do país é a leniência dos governos. O próprio expresidente Lula procurava desmoralizar os órgãos de controle, como o TCU.” Sobre o próprio TCU ele afirma “Ainda existe uma lamentável ingerência política que vai contaminando as pessoas que desejam fazer as coisas de forma séria e bem feita.” E sobre o Brasil e a classe política, completa “O Brasil perdeu a seriedade e, em Brasília, chega a ser perigoso ser honesto. (...) E todos os partidos, sejam governo ou oposição, não têm mais autoridade moral. (...) Quem faz uma campanha patrocinada, corrompida, à base de dinheiro de empreiteiras e bancos, vai desempenhar o mandato com as mãos amarradas. Campanha suja não pode ter mandato limpo.” Para mudar tudo isso será preciso investirmos muito em formação de nosso povo, algo que pouco se vê, em termos de qualidade, nos últimos tempos. Enquanto isso, estamos fadados a continuar subdesenvolvidos.
A educação que temos
Muito já se escreveu e falou sobre o nosso sistema educacional. Realmente, sem ótima formação escolar, onde a ética e a compostura devem fazer parte da mesma, não avançaremos como Nação, mesmo que tenhamos alguns sucessos econômicos. O fato de não se conseguir fazer as necessárias reformas estruturais nesse país, passam por esta realidade nacional. Em geral, os professores ganham pouco e não conseguem se especializar a contento, os alunos pressionam para não terem aulas e para que todos passem de ano, apoiados por um Estado que reduz as notas médias para aprovação, visando aumentar os índices oficiais de aprovados, os professores, com honrosas exceções, não querem ser avaliados pelo mérito e usam suas estruturas sindicais para barrar qualquer avanço no sentido de suas qualificações e da valorização dos melhores e, em boa parte dos casos, em todos os níveis de nosso processo educacional, caímos na acachapante situação em que o professor faz de conta que ensina e o aluno faz de conta que estuda e assimila os “conhecimentos”. E, se um professor resolve ser um pouco mais rígido a respeito do conteúdo a ser estudado, o aluno se dá o direito de reclamar, em muitos casos com o apoio dos pais e, em casos extremos, até em agredi-lo, como seguidamente nossa imprensa publica. A situação é tão grave que o Censo Escolar de 2010 constatou que um em cada cinco estudantes brasileiros do Ensino Fundamental e três em cada 10 no Ensino Médio estão, mesmo assim, atrasados na série cursada. E mais: no sexto ano do Ensino Fundamental, 32% dos alunos estão atrasados e no primeiro ano do Ensino Médio o percentual chega a 37,8%. Isso é um pouco da educação que temos na atualidade, o que definitivamente nos impede de alcançarmos o nível de país desenvolvido. E se nada for feito para que isso seja mudado, nem nas próximas duas gerações alcançaremos tal nível que tanto buscamos como povo. Ou seja, não é só de estabilidade econômica que se constrói uma Nação!
Indústria perde peso na economia
São preocupantes os dados recentes divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os mesmos mostram um importante recuo da indústria brasileira no cenário econômico nacional. E um país com indústria fraca pouco avança, particularmente na geração e aplicação de inovações tecnológicas. Entre 1984/85 e 2010 o peso da indústria brasileira no PIB nacional recuou de 35,9% para 15,8%. Na geração de empregos, o recuo foi de 30,6% para 17,4% do total nacional. Por sua vez, nas exportações, entre 1993 e 2010 a presença da indústria nacional recuou de 60,8% para 39,4% do total. É certo que o câmbio sobrevalorizado atrapalha, porém, isso diz respeito particularmente ao comércio externo e atinge a todos os segmentos. O que na verdade está acontecendo é que o perfil produtivo brasileiro mudou, onde o setor de serviços avançou muito, enquanto o setor industrial, avesso à concorrência e à disputa por mercados, com boa parte dos empresários nacionais ainda sob a mentalidade do protecionismo estatal, não conseguiu absorver os novos tempos. Além disso, quando se trata de enfrentar o governo diante dos altos impostos, tem preferido repassar aos consumidores o problema. Ou seja, a perda de espaço se dá também pelos elementos cambiais, tributários e de política econômica em geral, porém, o principal da explicação pode estar em outro lugar. Ou o setor toma consciência disso, ou continuará a enfrentar problemas, deixando o Brasil aumentar sua participação mundial como exportador de produtos brutos, como vem sendo o caso, sem agregar valor suficiente e merecido a sua produção, colaborando muito menos do que pode para o bem-estar da sociedade nacional.
Se nada for feito para resolver o problema da corrupção no Brasil, alimentada por um sistema burocrático vergonhoso, jamais conseguiremos chegar ao real desenvolvimento neste país. Portanto, o avanço da sociedade brasileira não depende de questões apenas econômicas, embora as mesmas sejam importantes e estejam ligadas com as demais. Mas o grande problema é a falta de formação ética de boa parte de quem nos governa, somada a própria falta de educação funcional, especialmente no nível federal. Em boa parte dos acasos, o país está nas mãos de pessoas que, postas nos maiores cargos do Estado, por eleitores com pouca formação, acabam reproduzindo em Brasília o que já estavam acostumadas a fazer, em menor escala, em suas regiões. E do governo Lula para cá (2003 em diante) a situação, que já não era boa, piorou consideravelmente. A ponto do ex-presidente do Tribunal de Contas da União, o gaúcho Adylson Motta, declarar, em entrevista ao jornal Zero Hora (10/07/2011, p. 8), que “em Brasília, chega a ser perigoso ser honesto”. Aquilo que já se sabia vem agora mais claramente à tona. Para quem não leu a entrevista, seguem alguns trechos da mesma: “A legislação (brasileira) é frouxa. E as autoridades, em vez de tornarem as leis ainda mais severas, fazem o contrário. Isso está acontecendo agora, com as licitações para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada. Não há interesse em fiscalização. Um dos maiores problemas do país é a leniência dos governos. O próprio expresidente Lula procurava desmoralizar os órgãos de controle, como o TCU.” Sobre o próprio TCU ele afirma “Ainda existe uma lamentável ingerência política que vai contaminando as pessoas que desejam fazer as coisas de forma séria e bem feita.” E sobre o Brasil e a classe política, completa “O Brasil perdeu a seriedade e, em Brasília, chega a ser perigoso ser honesto. (...) E todos os partidos, sejam governo ou oposição, não têm mais autoridade moral. (...) Quem faz uma campanha patrocinada, corrompida, à base de dinheiro de empreiteiras e bancos, vai desempenhar o mandato com as mãos amarradas. Campanha suja não pode ter mandato limpo.” Para mudar tudo isso será preciso investirmos muito em formação de nosso povo, algo que pouco se vê, em termos de qualidade, nos últimos tempos. Enquanto isso, estamos fadados a continuar subdesenvolvidos.
A educação que temos
Muito já se escreveu e falou sobre o nosso sistema educacional. Realmente, sem ótima formação escolar, onde a ética e a compostura devem fazer parte da mesma, não avançaremos como Nação, mesmo que tenhamos alguns sucessos econômicos. O fato de não se conseguir fazer as necessárias reformas estruturais nesse país, passam por esta realidade nacional. Em geral, os professores ganham pouco e não conseguem se especializar a contento, os alunos pressionam para não terem aulas e para que todos passem de ano, apoiados por um Estado que reduz as notas médias para aprovação, visando aumentar os índices oficiais de aprovados, os professores, com honrosas exceções, não querem ser avaliados pelo mérito e usam suas estruturas sindicais para barrar qualquer avanço no sentido de suas qualificações e da valorização dos melhores e, em boa parte dos casos, em todos os níveis de nosso processo educacional, caímos na acachapante situação em que o professor faz de conta que ensina e o aluno faz de conta que estuda e assimila os “conhecimentos”. E, se um professor resolve ser um pouco mais rígido a respeito do conteúdo a ser estudado, o aluno se dá o direito de reclamar, em muitos casos com o apoio dos pais e, em casos extremos, até em agredi-lo, como seguidamente nossa imprensa publica. A situação é tão grave que o Censo Escolar de 2010 constatou que um em cada cinco estudantes brasileiros do Ensino Fundamental e três em cada 10 no Ensino Médio estão, mesmo assim, atrasados na série cursada. E mais: no sexto ano do Ensino Fundamental, 32% dos alunos estão atrasados e no primeiro ano do Ensino Médio o percentual chega a 37,8%. Isso é um pouco da educação que temos na atualidade, o que definitivamente nos impede de alcançarmos o nível de país desenvolvido. E se nada for feito para que isso seja mudado, nem nas próximas duas gerações alcançaremos tal nível que tanto buscamos como povo. Ou seja, não é só de estabilidade econômica que se constrói uma Nação!
Indústria perde peso na economia
São preocupantes os dados recentes divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os mesmos mostram um importante recuo da indústria brasileira no cenário econômico nacional. E um país com indústria fraca pouco avança, particularmente na geração e aplicação de inovações tecnológicas. Entre 1984/85 e 2010 o peso da indústria brasileira no PIB nacional recuou de 35,9% para 15,8%. Na geração de empregos, o recuo foi de 30,6% para 17,4% do total nacional. Por sua vez, nas exportações, entre 1993 e 2010 a presença da indústria nacional recuou de 60,8% para 39,4% do total. É certo que o câmbio sobrevalorizado atrapalha, porém, isso diz respeito particularmente ao comércio externo e atinge a todos os segmentos. O que na verdade está acontecendo é que o perfil produtivo brasileiro mudou, onde o setor de serviços avançou muito, enquanto o setor industrial, avesso à concorrência e à disputa por mercados, com boa parte dos empresários nacionais ainda sob a mentalidade do protecionismo estatal, não conseguiu absorver os novos tempos. Além disso, quando se trata de enfrentar o governo diante dos altos impostos, tem preferido repassar aos consumidores o problema. Ou seja, a perda de espaço se dá também pelos elementos cambiais, tributários e de política econômica em geral, porém, o principal da explicação pode estar em outro lugar. Ou o setor toma consciência disso, ou continuará a enfrentar problemas, deixando o Brasil aumentar sua participação mundial como exportador de produtos brutos, como vem sendo o caso, sem agregar valor suficiente e merecido a sua produção, colaborando muito menos do que pode para o bem-estar da sociedade nacional.