PIB brasileiro: do chuchu à mandioca
Oficialmente, o PIB brasileiro, no terceiro trimestre de 2011, ficou estagnado, ou seja, ficou em 0%, indicando um PIB anualizado de apenas 3,2% (para alguns bancos e analistas do centro do país, o PIB nacional pode terminar o ano em apenas 2,8%, já que se espera nova freada no último trimestre do ano). Todavia, a julgar pelos dados do Banco Central (que anunciou anteriormente um PIB negativo de 0,32% no trimestre) e as justificativas oficiais para o país ter “conseguido” ficar em 0%, existe margem para especular que, na prática, efetivamente nosso PIB do terceiro trimestre tenha ficado um pouco abaixo de zero. Haveria manipulação dos dados? Difícil dizer, porém, as justificativas existentes se assemelham ao que o governo dos anos de 1980 usava para explicar a hiperinflação. Na época, a alta dos preços seguidamente era culpa do aumento nos preços do chuchu, fato que virou piada nacional.
Hoje, para justificar um PIB de 0% está-se informando que, graças a agropecuária, que cresceu 3,2% no trimestre (a indústria recuou 0,9% e os serviços 0,3%), a situação não foi pior. Até aí tudo bem, já que efetivamente o agronegócio nacional vem sustentando boa parte da performance que o Brasil tem conseguido no PIB e na balança comercial, na maioria dos últimos anos. O problema é que o crescimento do PIB agropecuário teria como justificativa, além da laranja, a ótima produção de mandioca no país. Pelo sim ou pelo não, o fato é que o Brasil teve o pior crescimento econômico neste terceiro trimestre, em relação aos demais países membros dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com 2,1% na comparação com o terceiro trimestre de 2010.
Além disso, em termos do conjunto mundial, caímos para 30º lugar em geração de PIB no trimestre considerado. Ou seja, a crise mundial entrou de vez em nossas vidas, mesmo que isso não transpareça no curto prazo graças às medidas creditícias e de juros mais baixos, adotadas pelo governo federal.
PIB brasileiro: Governo errou na projeção
Dentro do natural otimismo oficial, o ano de 2011 iniciou com o novo governo negando a herança ruim, pelo lado econômico, deixada pelo governo Lula (inflação em alta, forte endividamento das famílias e inadimplência em crescimento constante), e acreditando em um crescimento econômico de 5%, contra os 7,5% obtidos em 2010. Mesmo assim não se furtou (e esse foi o seu mérito), em adotar medidas restritivas na economia (corte no crédito, adoção de medidas macroprudenciais, elevação da Selic etc...) durante o primeiro semestre, buscando evitar o descontrole da inflação e, por conseqüência, da estabilidade econômica. Quando percebeu que a crise mundial estava longe de ser resolvida, reagiu em julho, invertendo a estratégia (e esse foi o seu segundo mérito), voltando a estimular o consumo interno via nova injeção de crédito público barato e retorno da redução dos juros básicos.
Todavia, os números que agora aparecem indicam que as medidas ainda não foram suficientes para evitar o erro na projeção otimista para o PIB, mesmo após as correções de rumo em julho, quando o governo ainda esperava um crescimento anual de 3,8%. Ora, a julgar pela tendência, a partir do 0% de crescimento neste terceiro trimestre, o ano de 2011 terminará entre 2,8% e 3,2% de PIB. Um tombo ainda mais importante, em comparação a 2010, do que se poderia projetar realisticamente no início do ano.
PIB brasileiro: a tendência para 2012
A trajetória econômica nacional ainda vem sendo parcialmente menosprezada pelo governo, à luz dos acontecimentos mundiais. Em discurso realizado nesta semana, nossa presidente da República afirmou que o Brasil se antecipou à crise e que 2012 será melhor. Em primeiro lugar, o governo reagiu à realidade internacional ainda há tempo, porém, no limite. Tanto é verdade que nosso crescimento, neste terceiro trimestre, ficou abaixo até mesmo do realizado na chamada “zona euro”, onde o centro da crise está estabelecido no momento. Quanto a 2012, poderá ser melhor se a crise mundial for resolvida ou, pelo menos, bem encaminhada, algo que ainda está longe de se concretizar.
Entretanto, em caso contrário, as dificuldades deverão permanecer, com o agravante de que não teremos a mesma qualidade da safra agrícola de verão. Obviamente, o governo conta com o mercado interno para continuar puxando a economia. Porém, a inflação, que se mantém relativamente importante, deverá se aprofundar a partir de maio próximo, pelo menos no que diz respeito ao comparativo dos índices. Além disso, o endividamento e a inadimplência do consumidor nacional já estão muito grandes, fato que impõe limites nos gastos sob pena de, quando o mundo sair efetivamente desta crise, o Brasil ingressar numa crise endógena causada por falta de orientação ao consumidor interno. Pelo sim ou pelo não, segundo o otimismo oficial do momento nosso PIB de 2012 poderá chegar a 4%. Já os mais realistas avançam a cifra em torno de 2,5% ao ano como algo que não pode ser descartado. Sim, ainda temos fôlego, porém, o mesmo vem chegando aos seus limites, caso não houver melhorias no quadro externo. Muita prudência nesta hora!
Oficialmente, o PIB brasileiro, no terceiro trimestre de 2011, ficou estagnado, ou seja, ficou em 0%, indicando um PIB anualizado de apenas 3,2% (para alguns bancos e analistas do centro do país, o PIB nacional pode terminar o ano em apenas 2,8%, já que se espera nova freada no último trimestre do ano). Todavia, a julgar pelos dados do Banco Central (que anunciou anteriormente um PIB negativo de 0,32% no trimestre) e as justificativas oficiais para o país ter “conseguido” ficar em 0%, existe margem para especular que, na prática, efetivamente nosso PIB do terceiro trimestre tenha ficado um pouco abaixo de zero. Haveria manipulação dos dados? Difícil dizer, porém, as justificativas existentes se assemelham ao que o governo dos anos de 1980 usava para explicar a hiperinflação. Na época, a alta dos preços seguidamente era culpa do aumento nos preços do chuchu, fato que virou piada nacional.
Hoje, para justificar um PIB de 0% está-se informando que, graças a agropecuária, que cresceu 3,2% no trimestre (a indústria recuou 0,9% e os serviços 0,3%), a situação não foi pior. Até aí tudo bem, já que efetivamente o agronegócio nacional vem sustentando boa parte da performance que o Brasil tem conseguido no PIB e na balança comercial, na maioria dos últimos anos. O problema é que o crescimento do PIB agropecuário teria como justificativa, além da laranja, a ótima produção de mandioca no país. Pelo sim ou pelo não, o fato é que o Brasil teve o pior crescimento econômico neste terceiro trimestre, em relação aos demais países membros dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com 2,1% na comparação com o terceiro trimestre de 2010.
Além disso, em termos do conjunto mundial, caímos para 30º lugar em geração de PIB no trimestre considerado. Ou seja, a crise mundial entrou de vez em nossas vidas, mesmo que isso não transpareça no curto prazo graças às medidas creditícias e de juros mais baixos, adotadas pelo governo federal.
PIB brasileiro: Governo errou na projeção
Dentro do natural otimismo oficial, o ano de 2011 iniciou com o novo governo negando a herança ruim, pelo lado econômico, deixada pelo governo Lula (inflação em alta, forte endividamento das famílias e inadimplência em crescimento constante), e acreditando em um crescimento econômico de 5%, contra os 7,5% obtidos em 2010. Mesmo assim não se furtou (e esse foi o seu mérito), em adotar medidas restritivas na economia (corte no crédito, adoção de medidas macroprudenciais, elevação da Selic etc...) durante o primeiro semestre, buscando evitar o descontrole da inflação e, por conseqüência, da estabilidade econômica. Quando percebeu que a crise mundial estava longe de ser resolvida, reagiu em julho, invertendo a estratégia (e esse foi o seu segundo mérito), voltando a estimular o consumo interno via nova injeção de crédito público barato e retorno da redução dos juros básicos.
Todavia, os números que agora aparecem indicam que as medidas ainda não foram suficientes para evitar o erro na projeção otimista para o PIB, mesmo após as correções de rumo em julho, quando o governo ainda esperava um crescimento anual de 3,8%. Ora, a julgar pela tendência, a partir do 0% de crescimento neste terceiro trimestre, o ano de 2011 terminará entre 2,8% e 3,2% de PIB. Um tombo ainda mais importante, em comparação a 2010, do que se poderia projetar realisticamente no início do ano.
PIB brasileiro: a tendência para 2012
A trajetória econômica nacional ainda vem sendo parcialmente menosprezada pelo governo, à luz dos acontecimentos mundiais. Em discurso realizado nesta semana, nossa presidente da República afirmou que o Brasil se antecipou à crise e que 2012 será melhor. Em primeiro lugar, o governo reagiu à realidade internacional ainda há tempo, porém, no limite. Tanto é verdade que nosso crescimento, neste terceiro trimestre, ficou abaixo até mesmo do realizado na chamada “zona euro”, onde o centro da crise está estabelecido no momento. Quanto a 2012, poderá ser melhor se a crise mundial for resolvida ou, pelo menos, bem encaminhada, algo que ainda está longe de se concretizar.
Entretanto, em caso contrário, as dificuldades deverão permanecer, com o agravante de que não teremos a mesma qualidade da safra agrícola de verão. Obviamente, o governo conta com o mercado interno para continuar puxando a economia. Porém, a inflação, que se mantém relativamente importante, deverá se aprofundar a partir de maio próximo, pelo menos no que diz respeito ao comparativo dos índices. Além disso, o endividamento e a inadimplência do consumidor nacional já estão muito grandes, fato que impõe limites nos gastos sob pena de, quando o mundo sair efetivamente desta crise, o Brasil ingressar numa crise endógena causada por falta de orientação ao consumidor interno. Pelo sim ou pelo não, segundo o otimismo oficial do momento nosso PIB de 2012 poderá chegar a 4%. Já os mais realistas avançam a cifra em torno de 2,5% ao ano como algo que não pode ser descartado. Sim, ainda temos fôlego, porém, o mesmo vem chegando aos seus limites, caso não houver melhorias no quadro externo. Muita prudência nesta hora!