Abertura comercial: até que ponto?
A lógica econômica mundial, nos últimos 25 anos, vem dando ênfase a abertura comercial como elemento de alavancagem do crescimento e desenvolvimento econômico. Neste momento de crise aguda no mundo, a tendência é dos países se fecharem, embora a realização de comércio externo possa ser uma saída para melhorar o desempenho econômico em momentos de dificuldades. Apesar de todas as virtudes do livre-comércio, e são muitas, na prática nenhum país libera totalmente o seu mercado. Dito de outra forma, todos protegem de alguma forma o seu mercado interno. Para se ter uma ideia da taxa de abertura econômica dos países, necessário se faz somar o valor das exportações e das importações e dividir o resultado pelo PIB, num determinado período de tempo. Convencionou-se que um país aberto deveria alcançar pelo menos 30% de taxa nesta relação entre comércio e PIB. A China, por exemplo, em 2010 registrou exportações totais de US$ 1,58 trilhão e importações de US$ 1,39 trilhão. No período, seu PIB estimado é de US$ 9,87 trilhões (o segundo do mundo). Diante disso, sua taxa de abertura comercial é de exatamente 30% no momento. Portanto, um país aberto. Já o Brasil, em 2010, fechou o ano com exportações de US$ 210,9 bilhões e importações de US$ 181,7 bilhões, para um PIB total de US$ 2,19 trilhões. Assim, nossa taxa de abertura ficou em 17,9%. Ou seja, continuamos um país muito fechado em relação ao exterior. Isso explica as medidas voltadas ao mercado interno, preferencialmente, para o país tentar passar melhor pela atual crise mundial. Mas explica também o porquê de não conseguirmos, ainda hoje, ocuparmos um lugar de maior destaque na economia internacional. E não será aumentando o IPI de automóveis importados (um protecionismo declarado) que a situação irá melhorar.
Por que o real desvaloriza tão rápido?
Em pouco mais de 45 dias assistimos a uma rápida e surpreendente desvalorização do Real. A mesma alcançou 11,7%, passando de R$ 1,53 em 25/07, para R$ 1,72 em 14/09. Se é verdade que a redução da Selic em meio ponto percentual no final de agosto ajudou a tal movimento, mais verdade ainda está no fato de que, diante da maior turbulência internacional, o dólar sai rapidamente do país. E o retorno das dúvidas sobre a sustentação econômica dos EUA e, particularmente, da União Europeia e sua moeda comum, nesta primeira metade de setembro, aceleraram a saída da moeda estadunidense do país. Em muitos casos, o país perde mais dólares do que muitos de seus parceiros comerciais com menor potência econômica. Segundo estudo feito pela corretora japonesa Nomura Securities, que elaborou um ranking de moedas mais seguras para investimentos, o Real brasileiro ficou apenas em 29º lugar dentre 43 países avaliados. Constatou-se que nossa moeda é refúgio para especulações de curtíssimo prazo, graças aos juros elevadíssimos que temos, porém, no caso de investimentos de mais longo prazo, nossa moeda oferece menos segurança, diante de crises financeiras internacionais, do que as moedas do Peru, Malásia, Hungria e Croácia, por exemplo. Nossas medidas de controle de capital são consideradas muito rigorosas pelos investidores estrangeiros. Ou seja, nessas condições continuaremos sofrendo oscilações agudas na área cambial quanto mais a economia mundial permanecer conturbada. A título de curiosidade, na América Latina, a melhor colocação está com o peso chileno, cujo país soube organizar a sua economia há muitos anos, independente da linha política que assumisse o comando da Nação.
Desvalorização do real e a inadimplência
Apesar dos alertas, a inadimplência continua crescendo no Brasil neste ano. Em agosto, ao comparar-se com igual período de 2010, assistimos ao sétimo mês seguido de elevação da mesma. A inadimplência nacional cresceu 6,37%, após 8,55% em julho, 6,9% em junho e 8,21% em maio, por exemplo. E o pior é que a população brasileira, particularmente a de baixa renda, continua se endividando. Isso, mesmo com o forte aumento dos juros e da inflação em 2011. Embora se espere, agora, uma pequena redução nos juros e uma queda no índice anual da inflação, nada indica que o quadro possa melhorar. Os bancos, aliás, já estão percebendo o problema e há mais tempo começam a defender o consumo com responsabilidade. Antes mesmo que o próprio governo federal tenha se acordado para o problema. Para completar o quadro, a tão esperada desvalorização do Real, que momentaneamente chegou, já começa a preocupar. Como a mesma foi muito forte em poucos dias, estamos diante de um fator fomentador de inflação. As importações passam a ser mais caras, fato que deve elevar os preços internos dos produtos importados (que não são poucos), puxando inclusive os produtos fabricados internamente, e pressionando os índices de preços para cima. Tal realidade, ao se confirmar, colocará o governo em situação delicada: como continuar baixando o juro diante de tal quadro? E, a julgar pelas últimas medidas, a contenção de gastos públicos tende a ficar apenas no discurso, o que será a gota d´água para acelerar o encarecimento de nossa economia e penalizar ainda mais os endividados, aumentando a inadimplência e, com isso, infelizmente, derrubando muita gente de volta para as classes D e E.
A lógica econômica mundial, nos últimos 25 anos, vem dando ênfase a abertura comercial como elemento de alavancagem do crescimento e desenvolvimento econômico. Neste momento de crise aguda no mundo, a tendência é dos países se fecharem, embora a realização de comércio externo possa ser uma saída para melhorar o desempenho econômico em momentos de dificuldades. Apesar de todas as virtudes do livre-comércio, e são muitas, na prática nenhum país libera totalmente o seu mercado. Dito de outra forma, todos protegem de alguma forma o seu mercado interno. Para se ter uma ideia da taxa de abertura econômica dos países, necessário se faz somar o valor das exportações e das importações e dividir o resultado pelo PIB, num determinado período de tempo. Convencionou-se que um país aberto deveria alcançar pelo menos 30% de taxa nesta relação entre comércio e PIB. A China, por exemplo, em 2010 registrou exportações totais de US$ 1,58 trilhão e importações de US$ 1,39 trilhão. No período, seu PIB estimado é de US$ 9,87 trilhões (o segundo do mundo). Diante disso, sua taxa de abertura comercial é de exatamente 30% no momento. Portanto, um país aberto. Já o Brasil, em 2010, fechou o ano com exportações de US$ 210,9 bilhões e importações de US$ 181,7 bilhões, para um PIB total de US$ 2,19 trilhões. Assim, nossa taxa de abertura ficou em 17,9%. Ou seja, continuamos um país muito fechado em relação ao exterior. Isso explica as medidas voltadas ao mercado interno, preferencialmente, para o país tentar passar melhor pela atual crise mundial. Mas explica também o porquê de não conseguirmos, ainda hoje, ocuparmos um lugar de maior destaque na economia internacional. E não será aumentando o IPI de automóveis importados (um protecionismo declarado) que a situação irá melhorar.
Por que o real desvaloriza tão rápido?
Em pouco mais de 45 dias assistimos a uma rápida e surpreendente desvalorização do Real. A mesma alcançou 11,7%, passando de R$ 1,53 em 25/07, para R$ 1,72 em 14/09. Se é verdade que a redução da Selic em meio ponto percentual no final de agosto ajudou a tal movimento, mais verdade ainda está no fato de que, diante da maior turbulência internacional, o dólar sai rapidamente do país. E o retorno das dúvidas sobre a sustentação econômica dos EUA e, particularmente, da União Europeia e sua moeda comum, nesta primeira metade de setembro, aceleraram a saída da moeda estadunidense do país. Em muitos casos, o país perde mais dólares do que muitos de seus parceiros comerciais com menor potência econômica. Segundo estudo feito pela corretora japonesa Nomura Securities, que elaborou um ranking de moedas mais seguras para investimentos, o Real brasileiro ficou apenas em 29º lugar dentre 43 países avaliados. Constatou-se que nossa moeda é refúgio para especulações de curtíssimo prazo, graças aos juros elevadíssimos que temos, porém, no caso de investimentos de mais longo prazo, nossa moeda oferece menos segurança, diante de crises financeiras internacionais, do que as moedas do Peru, Malásia, Hungria e Croácia, por exemplo. Nossas medidas de controle de capital são consideradas muito rigorosas pelos investidores estrangeiros. Ou seja, nessas condições continuaremos sofrendo oscilações agudas na área cambial quanto mais a economia mundial permanecer conturbada. A título de curiosidade, na América Latina, a melhor colocação está com o peso chileno, cujo país soube organizar a sua economia há muitos anos, independente da linha política que assumisse o comando da Nação.
Desvalorização do real e a inadimplência
Apesar dos alertas, a inadimplência continua crescendo no Brasil neste ano. Em agosto, ao comparar-se com igual período de 2010, assistimos ao sétimo mês seguido de elevação da mesma. A inadimplência nacional cresceu 6,37%, após 8,55% em julho, 6,9% em junho e 8,21% em maio, por exemplo. E o pior é que a população brasileira, particularmente a de baixa renda, continua se endividando. Isso, mesmo com o forte aumento dos juros e da inflação em 2011. Embora se espere, agora, uma pequena redução nos juros e uma queda no índice anual da inflação, nada indica que o quadro possa melhorar. Os bancos, aliás, já estão percebendo o problema e há mais tempo começam a defender o consumo com responsabilidade. Antes mesmo que o próprio governo federal tenha se acordado para o problema. Para completar o quadro, a tão esperada desvalorização do Real, que momentaneamente chegou, já começa a preocupar. Como a mesma foi muito forte em poucos dias, estamos diante de um fator fomentador de inflação. As importações passam a ser mais caras, fato que deve elevar os preços internos dos produtos importados (que não são poucos), puxando inclusive os produtos fabricados internamente, e pressionando os índices de preços para cima. Tal realidade, ao se confirmar, colocará o governo em situação delicada: como continuar baixando o juro diante de tal quadro? E, a julgar pelas últimas medidas, a contenção de gastos públicos tende a ficar apenas no discurso, o que será a gota d´água para acelerar o encarecimento de nossa economia e penalizar ainda mais os endividados, aumentando a inadimplência e, com isso, infelizmente, derrubando muita gente de volta para as classes D e E.