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Tendências 22/11/2011


Argemiro Luís Brum
Bolsas de valores continuam patinando

Com o recrudescimento da crise mundial neste ano de 2011, puxado pela situação particular da União Europeia, aquilo que se esperava em relação à recuperação das bolsas de valores acabará não acontecendo. Especialmente a nossa Bovespa que, no início do ano, se imaginava poder ultrapassar os 80.000 pontos, pena para voltar a atingir os 60.000 pontos neste momento. A crise mundial tem afetado cada vez mais a economia brasileira, embora o governo venha trabalhando, via crédito fácil, para evitar estragos maiores.

No caso das ações na Bovespa, o índice geral Ibovespa fechou a quinta-feira (17/11) em 56.988 pontos. A mesma reflete a nova saída de dólares do país, que levou, no mesmo dia, o câmbio a R$ 1,78, assim como a forte freada em nossa economia, cujo PIB deverá terminar o ano entre 3% e 3,5%, após 7,5% no ano anterior. Além disso, para o médio prazo, já se cristaliza a possibilidade de os juros básicos (Selic) não mais baixarem, embora a próxima reunião do Copom, prevista para os dias 29 e 30 de novembro, ainda tenda a reduzir esta taxa em meio ponto percentual, colocando-a em 11% ao ano neste final de 2011.

Desta forma, será preciso ainda, para os aplicadores na Bolsa, mais uma grande dose de paciência para 2012, esperando que a mesma finalmente consiga superar o recorde histórico, obtido no já longínquo 20 de maio de 2008, quando atingiu a 73.516 pontos. Considerando o fechamento deste último dia 17/11, a defasagem está ainda em 22,5%. Diante da possibilidade de recessão na União Europeia já neste último trimestre do ano e durante boa parte de 2012, além das dificuldades para a economia dos EUA se recuperar, é provável que tal defasagem não seja superada nos próximos meses.

Afinal, além das questões externas, internamente também a economia está menos aquecida, com o agravante de que o consumo chega ao seu limite por força do alto endividamento e conseqüente inadimplência. E o movimento de queda é geral! Nesta última semana (do dia 10 ao dia 17/11) todas as principais bolsas de valores do mundo recuaram entre 1% a 4% no acumulado, sendo que a Bovespa perdeu 2,76%.

Brasil melhora em nota de risco

O ponto que pode reverter parcialmente a posição negativa de nossa Bolsa, assim como melhorar algumas performances individuais no contexto de nossa economia interna, está no fato da agência de risco S&P ter melhorado a nota de risco brasileira, passando a mesma de BBB- para BBB. Enquanto a maior parte do mundo patina, em plena crise o Brasil tem sua nota melhorada, o que pode gerar maior confiança ao investidor produtivo e, também, ao especulador estrangeiro.

Ao mesmo tempo em que isso ocorria com o Brasil, o risco da Espanha aumentava para mais de 500 pontos neste final de semana, superando o italiano (no mesmo momento o risco Brasil estava em 231 pontos). Parece que a bola da vez, para acompanhar Grécia e Itália, definitivamente fica sendo a Espanha a partir de agora. Isso pode trazer maiores investimentos ao Brasil, caso consigamos nos manter relativamente estáveis, mesmo que seja no atual ritmo econômico. Assim, a performance da Bovespa, para 2012, pode surpreender e contrariar a tendência anteriormente apontada.

Porém, ainda há muita coisa para ocorrer antes de lá chegarmos. A começar pela superação dos inúmeros escândalos de corrupção política que estão minando o atual governo, herança da era Lula em particular. Além disso, mesmo com todo o esforço oficial para liberar crédito fácil, a economia brasileira fechou o terceiro trimestre negativa em 0,32% em relação ao trimestre anterior.

Assim, também aqui se desenha terminarmos 2011 em recessão (pela segunda vez desde 2009), caso o último trimestre do ano repita o comportamento negativo (isso irá depender de novas ações oficiais visando estimular a economia), pois tecnicamente dois trimestres consecutivos de PIB negativo caracteriza uma recessão. Nossa vantagem, diante de outras economias do mundo, é que ainda temos margem para a redução dos juros básicos, embora a mesma não seja muito grande, pois não estamos reduzindo a nossa dívida pública.

Inflação confirma redução

Um elemento que deverá auxiliar na redução dos juros começa a se confirmar, conforme tendência por nós indicada neste espaço. Trata-se da inflação brasileira, medida pelo IPCA, que finalmente iniciou um processo de recuo em outubro. Com o índice mensal daquele mês ficando em 0,43%, o acumulado de 12 meses (novembro/10 a outubro/11) caiu para 6,97%, após atingir a 7,31% em setembro. Esse recuo deverá continuar em novembro e dezembro, caso o índice mensal não supere 0,6%.

Desta forma, poderemos encerrar 2011 com uma inflação oficial em torno do teto da meta (6,5%) ou até mesmo um pouco abaixo dele. Tal performance poderá continuar nos primeiros quatro meses de 2012, na medida em que os índices inflacionários destes meses, em 2011, foram muito elevados (média de 0,8% ao mês no período).

Espera-se que as contas públicas, até lá, não derrapem mais do que já derraparam, a fim de que o governo não precise retornar à política de elevação dos juros para segurar a inflação que, posteriormente a abril, voltará a pressionar. Isso porque o estímulo oficial ao consumo vem gerando um comportamento que exige atenção: enquanto a economia recuava, gerando um PIB negativo de 0,32% no terceiro trimestre, a inflação pelo IPCA subiu constantemente no mesmo período, passando de 0,16% ao mês em julho para, 0,37% em agosto e 0,53% em setembro. Em se prolongando no tempo tal relação de fatos, estaremos diante de um fenômeno conhecido como estagflação (inflação com estagnação econômica). Uma das piores realidades para a economia de um país
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