No horizonte 2050
Segundo projeções realizadas pelo CEPII, organismo francês de pesquisa, levando em conta os efeitos da crise de 2007/08, nos próximos 40 anos o PIB da China ultrapassará o dos EUA por volta de 2030, enquanto o PIB da Índia superará o do Japão em torno de 2035, aos preços e taxa cambial de 2005. Em 2050, as quatro maiores potências mundiais seriam, pela ordem, a China (7% em 2008, 16% em 2025 e 25% em 2050), os EUA (27%, 24% e 19% respectivamente), a União Europeia (30%, 24% e 16%) e a Índia (2%, 4% e 9% em 2050). Enquanto isso, a Rússia, dominada pela “máfia” empresarial oriunda da ditadura socialista que afundou em 1991, e o Brasil, atrasado pela incapacidade de reformas estruturais, pela alta burocracia e corrupção cada vez maior, estagnam e mesmo regridem nos próximos anos. Tanto é verdade que o referido estudo aponta a Rússia com 2% do PIB mundial em 2008, 3% em 2025 e novamente 2% em 2050. O Brasil, por sua vez, estaciona em 2% desde 2008 e dali não sai. Ou seja, não somos mais um país do futuro. Estamos deixando, por incapacidade política e de gestão estatal, passar o futuro ao largo. Ou reagimos ou estagnamos. E estagnar, nos atuais tempos de globalização, é regredirmos. Apenas a título de comparação, em 2050, segundo o estudo citado acima, a economia chinesa representará 28% da economia mundial, os EUA 14%, a Índia 12%, a União Europeia 11%, o Japão 3%, enquanto Brasil e Rússia estacionam em 2% cada um. Se é verdade que a economia mundial pende em direção aos países emergentes, num horizonte não muito distante, pelas suas insuficiências internas, já de longa data, apesar dos esforços iniciados na primeira metade dos anos de 1990, Brasil e Rússia, ficarão à margem do processo. A geração que acaba de nascer nos cobrará caro esta incompetência!
Uma luz no fim do túnel (?)
Apesar da incoerência na divisão da agricultura brasileira entre familiar e empresarial (também chamada de agronegócio), o governo brasileiro finalmente dá alguns sinais, ainda tímidos, de uma mudança importante em sua forma de pensar o setor primário. Obviamente, entre o discurso e a prática ainda temos um longo caminho, porém, pode ser um começo. Trata-se do fato de que, a partir de agora, o governo federal anunciar não mais construir “planos safras”, ano a ano, mas se propor a gerar um plano para um período mínimo de cinco anos. Se isso realmente se concretizar poderemos, finalmente, construir uma política agrícola, até hoje ausente de nossa realidade primária. Obviamente, tal política precisa ultrapassar o estágio da liberação de volumes nominais cada vez maiores de recursos e do anúncio de garantia de preços mínimos, raramente cumprida, e caminhar para a qualificação no uso de tais recursos, assim como na qualificação econômica e de gestão dos produtores rurais em geral. Ela precisa entender que o agronegócio é um conceito que abrange todos os produtores voltados ao mercado, não importando o tamanho de área que possuem, entender que o tamanho do produtor hoje se dá pela renda que ele gera em sua propriedade, não importando o tipo de atividade que executa, e despolitizando o setor primário, no sentido ideológico de pequenos contra os grandes (mesmo porque a noção de pequeno, em relação a renda gerada na propriedade, é totalmente outra), e criando uma estrutura eficiente de valorização do uso da tecnologia em geral e da gestão em particular, em favor não só da produção primária bruta, mas também na direção de sua eficiente transformação, unindo todos os segmentos das cadeias produtivas.
A bolha imobiliária existe sim
Contrariando a muitos pensadores e analistas que insistem em negar a existência de uma bolha imobiliária no Brasil, penso que a mesma está presente e crescendo. Em alguns locais já está estourando, em outros continua inchando e projetando um estouro ainda maior, a julgar pela disparada dos preços dos imóveis, terrenos e aluguéis. Se é verdade que o crédito no setor imobiliário brasileiro representa apenas 5% do PIB e que temos ainda uma enorme demanda reprimida, também é verdade que a capacidade de pagamento de grande parte desta demanda está na dependência do crédito farto e barato que o Estado vem fornecendo. Ou seja, o mercado por si só não possui capacidade de consumo e de pagamento, a estes preços, para continuar absorvendo os imóveis que estão sendo construídos em profusão país afora. Assim, basta faltar dinheiro público para o processo continuar andando, ou basta haver mudanças nas regras estatais, e a situação se complica e a bolha estoura. Nesse momento, apesar da euforia, até irresponsável, do presidente da Caixa Econômica Federal ao dizer, contraditoriamente, que “teremos o melhor ano de crédito imobiliário da história do país” e, ao mesmo tempo, afirmar que “há um desequilíbrio atualmente entre as receitas e a demanda por crédito imobiliário, na medida em que a poupança (de onde saem os recursos para grande parte dos projetos públicos na construção civil) cresce 20%, enquanto o volume de crédito para o setor supera 50%”, o sinal vermelho já chegou a muitas empreiteiras e imobiliárias, enquanto na maioria o sinal amarelo está piscando. Isso porque bastou o governo anunciar maiores restrições e exigências no programa Minha Casa Minha Vida, sinalizando menos disponibilidade de recursos no médio prazo. Guardadas as proporções, foi assim que tudo começou nos EUA em 2007.
Segundo projeções realizadas pelo CEPII, organismo francês de pesquisa, levando em conta os efeitos da crise de 2007/08, nos próximos 40 anos o PIB da China ultrapassará o dos EUA por volta de 2030, enquanto o PIB da Índia superará o do Japão em torno de 2035, aos preços e taxa cambial de 2005. Em 2050, as quatro maiores potências mundiais seriam, pela ordem, a China (7% em 2008, 16% em 2025 e 25% em 2050), os EUA (27%, 24% e 19% respectivamente), a União Europeia (30%, 24% e 16%) e a Índia (2%, 4% e 9% em 2050). Enquanto isso, a Rússia, dominada pela “máfia” empresarial oriunda da ditadura socialista que afundou em 1991, e o Brasil, atrasado pela incapacidade de reformas estruturais, pela alta burocracia e corrupção cada vez maior, estagnam e mesmo regridem nos próximos anos. Tanto é verdade que o referido estudo aponta a Rússia com 2% do PIB mundial em 2008, 3% em 2025 e novamente 2% em 2050. O Brasil, por sua vez, estaciona em 2% desde 2008 e dali não sai. Ou seja, não somos mais um país do futuro. Estamos deixando, por incapacidade política e de gestão estatal, passar o futuro ao largo. Ou reagimos ou estagnamos. E estagnar, nos atuais tempos de globalização, é regredirmos. Apenas a título de comparação, em 2050, segundo o estudo citado acima, a economia chinesa representará 28% da economia mundial, os EUA 14%, a Índia 12%, a União Europeia 11%, o Japão 3%, enquanto Brasil e Rússia estacionam em 2% cada um. Se é verdade que a economia mundial pende em direção aos países emergentes, num horizonte não muito distante, pelas suas insuficiências internas, já de longa data, apesar dos esforços iniciados na primeira metade dos anos de 1990, Brasil e Rússia, ficarão à margem do processo. A geração que acaba de nascer nos cobrará caro esta incompetência!
Uma luz no fim do túnel (?)
Apesar da incoerência na divisão da agricultura brasileira entre familiar e empresarial (também chamada de agronegócio), o governo brasileiro finalmente dá alguns sinais, ainda tímidos, de uma mudança importante em sua forma de pensar o setor primário. Obviamente, entre o discurso e a prática ainda temos um longo caminho, porém, pode ser um começo. Trata-se do fato de que, a partir de agora, o governo federal anunciar não mais construir “planos safras”, ano a ano, mas se propor a gerar um plano para um período mínimo de cinco anos. Se isso realmente se concretizar poderemos, finalmente, construir uma política agrícola, até hoje ausente de nossa realidade primária. Obviamente, tal política precisa ultrapassar o estágio da liberação de volumes nominais cada vez maiores de recursos e do anúncio de garantia de preços mínimos, raramente cumprida, e caminhar para a qualificação no uso de tais recursos, assim como na qualificação econômica e de gestão dos produtores rurais em geral. Ela precisa entender que o agronegócio é um conceito que abrange todos os produtores voltados ao mercado, não importando o tamanho de área que possuem, entender que o tamanho do produtor hoje se dá pela renda que ele gera em sua propriedade, não importando o tipo de atividade que executa, e despolitizando o setor primário, no sentido ideológico de pequenos contra os grandes (mesmo porque a noção de pequeno, em relação a renda gerada na propriedade, é totalmente outra), e criando uma estrutura eficiente de valorização do uso da tecnologia em geral e da gestão em particular, em favor não só da produção primária bruta, mas também na direção de sua eficiente transformação, unindo todos os segmentos das cadeias produtivas.
A bolha imobiliária existe sim
Contrariando a muitos pensadores e analistas que insistem em negar a existência de uma bolha imobiliária no Brasil, penso que a mesma está presente e crescendo. Em alguns locais já está estourando, em outros continua inchando e projetando um estouro ainda maior, a julgar pela disparada dos preços dos imóveis, terrenos e aluguéis. Se é verdade que o crédito no setor imobiliário brasileiro representa apenas 5% do PIB e que temos ainda uma enorme demanda reprimida, também é verdade que a capacidade de pagamento de grande parte desta demanda está na dependência do crédito farto e barato que o Estado vem fornecendo. Ou seja, o mercado por si só não possui capacidade de consumo e de pagamento, a estes preços, para continuar absorvendo os imóveis que estão sendo construídos em profusão país afora. Assim, basta faltar dinheiro público para o processo continuar andando, ou basta haver mudanças nas regras estatais, e a situação se complica e a bolha estoura. Nesse momento, apesar da euforia, até irresponsável, do presidente da Caixa Econômica Federal ao dizer, contraditoriamente, que “teremos o melhor ano de crédito imobiliário da história do país” e, ao mesmo tempo, afirmar que “há um desequilíbrio atualmente entre as receitas e a demanda por crédito imobiliário, na medida em que a poupança (de onde saem os recursos para grande parte dos projetos públicos na construção civil) cresce 20%, enquanto o volume de crédito para o setor supera 50%”, o sinal vermelho já chegou a muitas empreiteiras e imobiliárias, enquanto na maioria o sinal amarelo está piscando. Isso porque bastou o governo anunciar maiores restrições e exigências no programa Minha Casa Minha Vida, sinalizando menos disponibilidade de recursos no médio prazo. Guardadas as proporções, foi assim que tudo começou nos EUA em 2007.