Juros: a surpresa!
O Copom, em sua reunião deste final de agosto, surpreendeu o mercado ao baixar em meio ponto percentual a taxa Selic. A mesma passou a 12% ao ano quando se esperava pelo menos a sua manutenção em 12,5% até o final do ano. A decisão confirma alguns aspectos importantes: a) o Banco Central brasileiro, na pessoa de seu presidente Sr. Tombini, está longe de ter a autonomia existente no governo passado, pois acabou aceitando a pressão do governo para a redução dos juros num momento temerário; b) o fato de não ter havido unanimidade na decisão do Copom (foram 5 votos contra 2) confirma que a ação foi difícil e que há receios quanto aos efeitos da mesma; c) tais receios imediatos se devem ao fato de que a Selic tem sido usada para conter a inflação que, por sinal, continua em alta como o esperado, já ultrapassando, em níveis anuais, os 7%; d) uma redução da taxa de juros agora, pode estar comprometendo o controle da mesma para 2012, quando o governo espera trazê-la para o centro da meta, ou seja, 4,5% ao ano; e) o governo mudou sua postura econômica, passando a apostar mais no controle fiscal do que monetário, visando segurar a queda do PIB, que é importante, sem gerar novas pressões inflacionárias, o que não deixa de ser uma aposta arriscada diante do atual cenário internacional; f) no imediato, a redução da Selic traz, obviamente benefícios e riscos, sendo que no primeiro caso permitirá que a economia possa manter, talvez, um ritmo de crescimento ao redor de 3,5% a 4% neste ano e em 2012 (o governo percebeu que o PIB nacional cairia mais do que isso até o final do ano). Além disso, a bolsa de valores melhora sua performance, a entrada de dólares especulativos no país tende a ser menor, desvalorizando um pouco o Real, e o custo da dívida pública fica menor, dentre outros aspectos. Pelo lado negativo, a pressão inflacionária, que já é grande, tende a aumentar se outras medidas não forem tomadas. É neste sentido que entra o anúncio de cortes nos gastos públicos de mais R$ 10 bilhões, a redução do orçamento do programa Minha Casa Minha Vida para 2012 e a forte pressão para a criação de novos impostos. O problema é que a política monetária dá resultados imediatos, enquanto a política fiscal oferece resultados no longo prazo. Na atual situação da economia mundial e nacional, existem grandes dúvidas se o Brasil já pode se dar ao luxo de reduzir o controle monetário como iniciou a fazer. O ideal seria usar, nesta transição, os dois instrumentos com ferrenho controle do Banco Central, enquanto se parte definitivamente para as reformas estruturais na economia e no funcionamento do Estado.
Salário mínimo: o esperado!
O governo federal acaba de anunciar o valor do salário mínimo para 2012. O mesmo passa a R$ 619,21, com um aumento de 13,62% sobre os atuais R$ 545,00. Tal decisão não pode estar surpreendendo o mercado. Isso porque a mesma está na lógica do modelo de cálculo definido já há alguns anos pelo país (o salário mínimo do ano seguinte será a soma do crescimento econômico de dois anos antes com a inflação oficial do ano anterior). Tal modelo levou a um aumento pequeno no salário em 2011 devido ao crescimento negativo da economia (-0,6%) em 2009. Agora, a realidade é outra. O PIB cresceu 7,5% em 2010, enquanto a inflação está elevada. A julgar pelo anúncio oficial, o governo espera fechar o ano com uma inflação, medida pelo IPCA, na altura de 6,12%, o que é plausível, embora a prematura redução da taxa Selic. Assim, não há novidades no valor do salário mínimo para o ano que vem. Aliás, pelas estimativas contidas no orçamento da União para 2012, em sendo mantido o modelo de cálculo para o salário mínimo, já se pode projetar o mesmo para 2013: considerando que o governo espera uma inflação de 4,8% para o próximo ano, e que o crescimento da economia brasileira fique, na melhor das hipóteses, em 4% em 2011, o reajuste do mínimo para 2013 será de 8,8%, elevando o seu valor para R$ 673,70.
Corte de despesas e busca por receitas
Ao compreender que não será fácil continuar rolando seu endividamento público com a venda de títulos públicos, devido ao novo baque da crise mundial ocorrido no início de agosto, o governo parte para uma nova estratégia: anuncia cortes de despesas (finalmente) e antecipa a redução da Selic, taxa que indexa boa parte dos títulos públicos, algo necessário para a economia andar melhor no país. O risco (veja anteriormente) é dificultar a redução da inflação. Mas o governo parece estar disposto a corrê-lo, partindo para medidas de controle fiscal. Da parte dos cortes nas despesas, os anúncios ainda são tímidos, porém, indicam um caminho. O problema é que a Constituição de 1988 engessou o governo quanto a ações econômicas, deixando a ele especialmente a possibilidade de cortar nos investimentos sociais (um contra-senso). Nesse sentido, e percebendo que aos poucos uma bolha no setor imobiliário está se criando sim no país, o governo já está anunciando um corte de R$ 1,7 bilhão para 2012 junto ao programa Minha Casa, Minha Vida. É por isso igualmente que, pressionado para gerar recursos para a saúde pública, o governo, por não fazer as reformas estruturais necessárias, anuncia que gerará um novo imposto para obter tais recursos, transferindo mais ônus à sociedade em geral (volta-se a falar no retorno da CPMF). Além disso, o controle fiscal será intensificado buscando aumentar ainda mais a arrecadação. O empresariado nacional que pratica o chamado “caixa dois” será o alvo preferencial daqui em diante, além das declarações de imposto de renda em geral. Isso tudo poderá funcionar se o processo não se perder na vasta burocracia e corrupção estatal que grassa neste país.
O Copom, em sua reunião deste final de agosto, surpreendeu o mercado ao baixar em meio ponto percentual a taxa Selic. A mesma passou a 12% ao ano quando se esperava pelo menos a sua manutenção em 12,5% até o final do ano. A decisão confirma alguns aspectos importantes: a) o Banco Central brasileiro, na pessoa de seu presidente Sr. Tombini, está longe de ter a autonomia existente no governo passado, pois acabou aceitando a pressão do governo para a redução dos juros num momento temerário; b) o fato de não ter havido unanimidade na decisão do Copom (foram 5 votos contra 2) confirma que a ação foi difícil e que há receios quanto aos efeitos da mesma; c) tais receios imediatos se devem ao fato de que a Selic tem sido usada para conter a inflação que, por sinal, continua em alta como o esperado, já ultrapassando, em níveis anuais, os 7%; d) uma redução da taxa de juros agora, pode estar comprometendo o controle da mesma para 2012, quando o governo espera trazê-la para o centro da meta, ou seja, 4,5% ao ano; e) o governo mudou sua postura econômica, passando a apostar mais no controle fiscal do que monetário, visando segurar a queda do PIB, que é importante, sem gerar novas pressões inflacionárias, o que não deixa de ser uma aposta arriscada diante do atual cenário internacional; f) no imediato, a redução da Selic traz, obviamente benefícios e riscos, sendo que no primeiro caso permitirá que a economia possa manter, talvez, um ritmo de crescimento ao redor de 3,5% a 4% neste ano e em 2012 (o governo percebeu que o PIB nacional cairia mais do que isso até o final do ano). Além disso, a bolsa de valores melhora sua performance, a entrada de dólares especulativos no país tende a ser menor, desvalorizando um pouco o Real, e o custo da dívida pública fica menor, dentre outros aspectos. Pelo lado negativo, a pressão inflacionária, que já é grande, tende a aumentar se outras medidas não forem tomadas. É neste sentido que entra o anúncio de cortes nos gastos públicos de mais R$ 10 bilhões, a redução do orçamento do programa Minha Casa Minha Vida para 2012 e a forte pressão para a criação de novos impostos. O problema é que a política monetária dá resultados imediatos, enquanto a política fiscal oferece resultados no longo prazo. Na atual situação da economia mundial e nacional, existem grandes dúvidas se o Brasil já pode se dar ao luxo de reduzir o controle monetário como iniciou a fazer. O ideal seria usar, nesta transição, os dois instrumentos com ferrenho controle do Banco Central, enquanto se parte definitivamente para as reformas estruturais na economia e no funcionamento do Estado.
Salário mínimo: o esperado!
O governo federal acaba de anunciar o valor do salário mínimo para 2012. O mesmo passa a R$ 619,21, com um aumento de 13,62% sobre os atuais R$ 545,00. Tal decisão não pode estar surpreendendo o mercado. Isso porque a mesma está na lógica do modelo de cálculo definido já há alguns anos pelo país (o salário mínimo do ano seguinte será a soma do crescimento econômico de dois anos antes com a inflação oficial do ano anterior). Tal modelo levou a um aumento pequeno no salário em 2011 devido ao crescimento negativo da economia (-0,6%) em 2009. Agora, a realidade é outra. O PIB cresceu 7,5% em 2010, enquanto a inflação está elevada. A julgar pelo anúncio oficial, o governo espera fechar o ano com uma inflação, medida pelo IPCA, na altura de 6,12%, o que é plausível, embora a prematura redução da taxa Selic. Assim, não há novidades no valor do salário mínimo para o ano que vem. Aliás, pelas estimativas contidas no orçamento da União para 2012, em sendo mantido o modelo de cálculo para o salário mínimo, já se pode projetar o mesmo para 2013: considerando que o governo espera uma inflação de 4,8% para o próximo ano, e que o crescimento da economia brasileira fique, na melhor das hipóteses, em 4% em 2011, o reajuste do mínimo para 2013 será de 8,8%, elevando o seu valor para R$ 673,70.
Corte de despesas e busca por receitas
Ao compreender que não será fácil continuar rolando seu endividamento público com a venda de títulos públicos, devido ao novo baque da crise mundial ocorrido no início de agosto, o governo parte para uma nova estratégia: anuncia cortes de despesas (finalmente) e antecipa a redução da Selic, taxa que indexa boa parte dos títulos públicos, algo necessário para a economia andar melhor no país. O risco (veja anteriormente) é dificultar a redução da inflação. Mas o governo parece estar disposto a corrê-lo, partindo para medidas de controle fiscal. Da parte dos cortes nas despesas, os anúncios ainda são tímidos, porém, indicam um caminho. O problema é que a Constituição de 1988 engessou o governo quanto a ações econômicas, deixando a ele especialmente a possibilidade de cortar nos investimentos sociais (um contra-senso). Nesse sentido, e percebendo que aos poucos uma bolha no setor imobiliário está se criando sim no país, o governo já está anunciando um corte de R$ 1,7 bilhão para 2012 junto ao programa Minha Casa, Minha Vida. É por isso igualmente que, pressionado para gerar recursos para a saúde pública, o governo, por não fazer as reformas estruturais necessárias, anuncia que gerará um novo imposto para obter tais recursos, transferindo mais ônus à sociedade em geral (volta-se a falar no retorno da CPMF). Além disso, o controle fiscal será intensificado buscando aumentar ainda mais a arrecadação. O empresariado nacional que pratica o chamado “caixa dois” será o alvo preferencial daqui em diante, além das declarações de imposto de renda em geral. Isso tudo poderá funcionar se o processo não se perder na vasta burocracia e corrupção estatal que grassa neste país.