Desenvolvimento Social e Econômico Integrado e Sustentável dos países em desenvolvimento
( Módulo XII )
O salário mínimo no Brasil é tão baixo ( e nos países em desenvolvimento também)
por causa dos montantes dos subsídios e do protecionismo aos agricultores dos
países da OCDE.
O principal fator de inflação na economia brasileira, nos últimos 25 anos, e o
principal motivo das duas décadas econômicas perdidas para o Brasil – é provocado
pelo mesmo fenômeno dos subsídios e do protecionismo aos agricultores dos países
da OCDE.
Existem, de fato, duas economias distintas na ordem econômica mundial. A
economia organizada e protegida dos países da OCDE, e a economia desorganizada
e desprotegida dos países em desenvolvimento. Ah, existe ainda uma terceira
economia. A economia em extinção holocáustica de muitos países africanos.
O começo da realização da prova.
Para começar a demonstração do motivo pelo qual o salário mínimo no Brasil é tão baixo, e para demonstrar que o principal fator de inflação no Brasil, nos últimos vinte e cinco anos, bem como o principal fator de paralisação do crescimento econômico do Brasil, nas décadas de oitenta e de noventa – é o fenômeno do impacto na economia brasileira pela desvalorização da nossa moeda provocada pelos montantes do protecionismo e dos subsídios agrícolas anuais (e pelo acumulado durante as duas décadas), dados pelos governos dos países ricos aos seus agricultores - temos que começar a analisar e a avaliar os seguintes fatores:
1. A renda primária da agricultura, ou seja, os preços dos grãos e das proteínas animais, no Brasil, é de valor cerca de dez vezes menor que o PIB agrícola total.
Produzimos por ano cerca de 80 milhões de toneladas de grãos, que valem média cem dólares a tonelada, portanto a produção anual total de grãos vale cerca de 8 bilhões de dólares. Produzimos cerca de 12 milhões de toneladas de carnes por ano na agricultura brasileira, que valem em média 1,2 mil dólares a tonelada, portanto a produção anual total de carnes oriundas da agricultura vale cerca de 14,4 bilhões de toneladas. No entanto, o valor do montante de toda a cadeia dos agronegócios da economia brasileira é superior a duzentos bilhões de dólares.
2. O peso do valor do PIB do setor agrícola da economia brasileira é superior a 30% do valor do PIB brasileiro. Nas economias dos países ricos da OCDE também o PIB agrícola (somando as cadeias do agronegócio e do abastecimento ) é de pelo menos 30 % do PIB.
3. Os empregos da agricultura engendram os empregos da indústria e dos serviços, ou
melhor, eles é que dão suporte estrutural à pirâmide dos empregos de um modo
geral.
3. Os montantes dos subsídios e do protecionismo dado aos agricultores dos países
ricos, desde o início da década de noventa, tem sido de 1 bilhão de dólares por dia,
portanto, de cerca de 365 bilhões de dólares por ano. E, o extremamente grave,
os valores dos montantes dos subsídios e do protecionismo não entram na
composição dos valores dos preços das commodities agrícolas primárias,
provocando a desvalorização relativa dos preços dos bens do setor agrícola
em relação aos preços do setor industrial e dos serviços.
4. O fenômeno causa impacto diferente nas cadeias estruturais da formação de renda
das economias dos países da OCDE, porque a renda dos agricultores é garantida
artificialmente pelos subsídios e pelo protecionismo. E, nos países da OCDE o peso
do valor PIB agrícola no PIB é muito menor que o peso do valor do PIB agrícola no PIB dos países em desenvolvimento.
Por isso na realidade criou-se duas economias, completamente distintas, artificialmente mantidas, a economia de peso de renda alta, dos países da OCDE (o México entrou, recentemente, para o OCDE e está com crescimento alto. Portugal, triplicou a renda, durante a década de noventa, pelo simples motivo e benefício de pertencer à Fifa da economia, e até agora só dos países ricos.) e economia de renda baixa forçada dos países em desenvolvimento. O Brasil consegue ser de renda média, bem como outros países da Europa oriental e os pequenos tigres asiáticos, por fatores especiais explicáveis, e que poderão ser mencionados em outra ocasião.
O que se pode mostrar e demonstrar que é um grande preconceito e prejuízo para a história e para o desenvolvimento considerar os países como sendo de primeiro e segundo mundos. Isso é coisa que já andamos considerando em outros textos.
5. Carece ser examinado também o impacto do efeito cumulativo dos montantes dos
subsídios e do protecionismo ao longo das décadas de oitenta e noventa. Passam de
4 trilhões de dólares os valores acumulados dos subsídios e do protecionismo, e esses valores funcionam como soterramento da capacidade de concorrer e de produzir riquezas dos países em desenvolvimento, comparativamente, com as performances dos países da OCDE.
6. Um dado curioso é que os montantes anuais dos subsídios e do protecionismo
agrícola dos países da OCDE, ou seja 365 bilhões de dólares, "coincide" com os
montantes de diminuição dos valores dados anualmente ao complexo militar industrial que era de 1 trilhão de dólares e passou para cerca de setecentos bilhões de dólares. Cabe a pergunta: a mais valia que os países ricos estão consumindo, perversamente é deles, portanto, tanto os subsídios ao complexo militar industrial, quanto aos agricultores é um direito deles?
7. Durante a década de oitenta o fenômeno dos subsídios e do protecionismo funcionou
como fator de apoio ao desenvolvimento das rendas dos países da OCDE. Eles estavam completando os espaços de desenvolvimento das suas indústrias e dos seus serviços. E também nas trocas com os países em desenvolvimento havia musculatura a sugar. Mas, na década de noventa o crescimento anual dos países da OCDE foi menor (exceto dos EUA, mas os EUA é um caso de exuberância econômica irracional à parte) e a recessão voltou a assombrar. Depois há uma outra enorme "coincidência" – os valores dos montantes dos subsídios e do protecionismo aos países da OCDE, batem com os valores que os países em desenvolvimento pagam de juros de dívida externa, aos credores que são da OCDE. Nessa conta tem que ser computado também as perdas que os países em desenvolvimento sofrem, em função dos juros que seus governos pagam, ao capital especulativo dos países da OCDE.
8. A realização desta análises e a investigação meticulosa destes fenômenos que se quer
chamar a atenção, precisam tornar-se uma ocupação dos institutos de pesquisa econômica e social, principalmente das instituições de defesa dos interesses econômicos dos países em desenvolvimento. Nossas conclusões, embora devam estar corretas, sempre foram uma análise e uma investigação particular (deste cérebro e cabeça que vos escreve), precisam ser corroboradas, ou anuladas pelos economistas que se dedicam ao processo do desenvolvimento econômico.
Provavelmente, os resultados finais das investigações sobre o desenvolvimento econômico conduzirão a uma trilha que terá o rabo preso lá nas providências keynesianas (do próprio Keynes) de resolver os impasses ao desenvolvimento provocados pela crise da Bolsa de Valores, de Nova York, em 1929. No caminho verificar-se-á que a crise da mesma bolsa de valores de Nova York, em outubro de 1987, "coincide" depois, com a explosão dos subsídios aos agricultores dos países da OCDE, a partir de 1987.
9. Nas conclusões que poderemos chegar, uma delas, é que o capitalismo não aprendeu,
de fato a resolver, sadiamente, as suas crises. Sempre alguém tem que pagar um preço
de impacto mortífero. No frigir dos ovos da História, verificar-se-á que, entre as sequelas da crise de 1929, deu-se condições tanto para o surgimento e o fortalecimento do nazismo quanto do poder bolchevique, que resultou na Segunda Guerra Mundial, com seus mais de 60 milhões de mortos (só na União Soviética morreram 40 milhões de pessoas). Deu-se condições para o surgimento e a manutenção da guerra fria que se sustentou até o desmonte soviético. Este, por sua vez, foi desmontado pelo impacto das políticas agrícolas dos países da OCDE, também. Os soviéticos sempre tiveram um clima de influência marcante, tanto para defendê-los, como aconteceu na invasão napoleônica, quanto na invasão nazista. E, bem como o clima de frio muito rigoroso, ajudou a derrubar o governo e o sistema soviético. Depois da Segunda Guerra veio a guerra da Coréia, depois a do Vietnã.
Do meado da década de setenta para cá, foi a "guerra" agrícola dos subsídios e do protecionismo que matou mais gente que a Segunda Guerra mundial. Os holocaustos continuados que muitos povos africanos foram submetidos é uma conseqüência direta das políticas agrícolas de subsídios e de protecionismo aos menos de 5% por cento dos agricultores do Planeta, que são os agricultores dos países da OCDE.
10. As soluções dos graves e velhos problemas do desenvolvimento econômico
transcendem os interesses dos países, isoladamente, e transcende os interesses dos blocos que estão formados recentemente e ainda não se consolidaram. O exame, em profundidade, da questão agrícola, demonstrará que na agricultura o comércio não pode ser inteiramente livre e regulado pelas forças do mercado.
Jamais isso acontecerá, como o Brasil e os países do Grupo de Cairns se empenham em fazer. A Europa subsidia e protege, de algumas formas, seus agricultores há seiscentos anos, e ela precisará de fazer isso sempre. E, cada vez mais, para o futuro.
O clima europeu, canadense, americano do norte, russo, etc., hoje, diante dos procedimentos tecnológicos agrícolas de alta produtividade que a integração da produção agrícola dos países tropicais possibilitam, onde a produção de alimentos e de energia renovável pode conferir uma muito maior competitividade a estas agriculturas, obrigará sempre que os agricultores daquelas nacionalidade sejam subsidiados e protegidos, recomendando e não deixando outra alternativa que não seja uma composição de interesses, entre os agricultores dos países de clima de inverno rigoroso do hemisfério Norte, com os agricultores dos países tropicais e dos países do hemisfério Sul. E isso só será possível e viável se, também, ocorrer uma composição com os interesses agrícolas e dos agricultores e consumidores dos países do Oriente, principalmente envolvendo Índia , China e Indonésia. Aliás de todos os países asiáticos também.
11. Será um integração completa e que pode ser estabelecida com procedimentos quase
perfeitos do ponto de vista de metodologia processual. Os sistemas de integração dos países para a produção de alimentos, de lazeres e de energias renováveis, o Sipppale com 3 pês, pode e deve ser concebido de maneira a contentar os interesses tanto de geração de renda e empregos agrícolas, quanto na produção de alimentos, de energias renováveis e na produção de bens e serviços de lazer. Principalmente o futuro turismo de residência e participativo, que os agricultores podem contratar entre si, trafegando entre os dois hemisférios, e entre o Ocidente e o Oriente) de modo a se planejar programas de ajustes completos dos modos de desenvolver suas qualidades de vida e de economia, dentro dos parâmetros da sustentabilidade.
12. Será desta maneira que se encontrará um novo e universal viés de passagem da velha
economia capitalista de estado, protetora apenas dos interesses agrícolas dos países da atual OCDE, para uma economia capitalista de estado mais abrangente, reunindo todas as economias e estendendo o direito, por etapas, de todos os países cooperarem uns com os outros para o desenvolvimento. Ou seja, uma OCDE mundial se formar.
E isso pode ser desenhado através de uma espécie de Plano Marshall para a agricultura mundial se ajustar. Onde o estabelecimento de cotas de produção e de consumo, não apenas alimentar, mas de energia também (compondo todos os interesses do setor energético amplo e mundial) possa gerar centenas de milhões de empregos novos e permanentes e de salários justos, bem como criando um comércio justo e definitivo nestes setores.
Será a edificação de uma economia onde uma síntese das idéias de Adam Smith, Marx e Keynes possibilitará uma ordem econômica, realmente, nova e sustentável.
13. Será uma nova ordem onde os interesses de bem estar também possam ser objeto de
cenarização e simulação, juntamente, com os interesses alimentares e energéticos, de modo a se permitir que o planejamento do desenvolvimento garanta performances de crescimento alto e não inflacionário para as economias que precisam crescer mais, crescerem mais, e as economia dos países ricos crescerem de modo sustentável também. Em algumas ocasiões temos ensaiado estabelecer as possibilidades de correlação dos parâmetros de crescimento econômico, de modo que PIB e IDH, viabilizem que, em menos de 3 décadas, os níveis de qualidade de vida dos povos sejam equalizados, ainda que haja uma disparidade muito grande entre os valores de PIB, entre os países. De modo que os países pobres de baixíssima renda e péssimos níveis de índice de desenvolvimento humano, venham ter rendas médias e altos índices de qualidade de vida. Isso é possível com a utilização conjugada de poupanças, direitos autorais, terceirizações, franquias etc. etc.
14. E, o melhor: o custo em dólares da passagem desta economia insustentável e letal,
para uma economia sustentável e de altíssima qualidade pode ser muito baixo.
Atualmente os investimentos de capital externo anual, são de menos de 1,2 trilhões de dólares por ano. Só, que ocorre o fato de mais de 80 por cento dos investimentos com o capital externo das poupanças estão se dando dentro das economias dos países da OCDE. Se inverter-se as proporções e os países em desenvolvimento passarem a contar com mais de oitenta por cento dos investimentos, para a reordenação dos interesses e das formas de produção agrícola, onde haja uma participação acionária dos poupadores dos países da atual OCDE, em todos os investimentos que estas inversões ocorram. Papéis mobiliários de participação em projetos de Sippales e Clusters Rurbanos, seriam os principais novos valores a serem criados.
Também a elaboração do Vademecum Comercial com as tabelas de Valores de Sustentabilidade ( tema sobre o qual já escrevemos um livro, também ainda não publicado) criariam as novas regras de parametrização.
Além dos investimentos da atual poupança anual, bastariam quantias anuais de menos de dez por cento dos atuais montantes da poupança mundial que está na casa dos 40 trilhões de dólares. Ou seja, seriam precisos de menos de 4 trilhões de dólares de socorro econômico, durante menos de 5 anos. Na realidade, cogitamos que, com 10 trilhões de dólares dá para acertar o passo do mundo econômico, de uma vez.
Tudo isso está dependendo apenas que os raciocínios de quem lida com estes campos do conhecimento econômico.
Pensar e montar 10 mil Clusters Rurbanos, atendendo o interesse de oito bilhões de consumidores será uma tarefa que ajudará muitas empresas e muitas pessoas se enriquecerem. A Nasdaq e Nyse vão se integrar e fundir com todas as outras bolsas de valores, do mundo inteiro.
15. Uma afirmação categórica: de posse do conhecimento aprofundado destes fenômenos
econômicos provocados pelas políticas agrícolas dos países da OCDE, e de posse dos conhecimentos de como montar Sippales e Clusters Rurbanos, os países em desenvolvimento tem como resgatar suas dignidade e provocarem um novo acordo agrícola internacional integrado e sustentável, propiciando a formação de uma nova e sustentável ordem econômica mundial. Mas, precisam disso para viabilizar em menor tempo uma equalização relativa de rendas e qualidade de vida.
Na realidade, como já formam uma ordem econômica à parte, e excluída, os países em desenvolvimento teriam como construir uma organização de cooperação e desenvolvimento própria, e, em menos de vinte anos der-ro-ta-ri-am os países da OCDE velha. Essa simulação e cenarização é relativamente fácil de se montar em joguinhos de computador, tipo SIM-CITY e SIM-FARM.
16 O que estamos propondo, na realidade, é um armistício aos países da OCDE , para
acabar com a guerra agrícola atual, e para não sermos obrigados a derrotá-los , um
dia, com a prática de uma política agro-industrial integrada, sustentável e muito mais
competitiva dos países em desenvolvimento, que em menos de 10 anos desmontaria
suas economias exuberantes, mas, irracionais e insustentáveis. A força da energia
solar maior dos países tropicais é e será sempre, daqui para frente, um fator
desequilibrante de desempenho agrícola.
Os países hoje mais ricos da OCDE já sabem disso, falta a consciência econômica
nova chegar também aos pensamentos dos homens de ação dos países emergentes,
para ajudarem a humanidade sair, definitivamente, do fundo do poço escuro e
tenebroso a que bilhões de seres humanos estão submetidos.