CI

Economia reduz o ritmo


Argemiro Luís Brum
Os impactos previstos da crise mundial, sobre a economia brasileira, começam a se cristalizar em toda sua grandeza neste final de 2011. Isso indica uma tendência para o próximo ano de continuidade no arrocho econômico nacional e, provavelmente, uma realidade um pouco mais difícil do que a vivida neste ano que finda. Tendo recebido uma herança negativa na área econômica, o atual governo, diante do aumento inflacionário, se viu obrigado a frear a economia, aumentando os juros e cortando o crédito. Esta ação tinha como apoio a visão otimista de que a crise mundial iria se encaminhar para uma solução ainda neste ano.

Os efeitos das medidas internas começaram a surgir em meados do ano, ao mesmo tempo em que se verificou que não só a crise mundial continuava, como se agravava. O governo reverte rapidamente sua estratégia, passando a reestimular a economia, diante a iminência de um recuo muito grande do PIB em 2011, com todos os seus efeitos negativos. Assim, retoma-se a política de redução dos juros, já mirando 2012, e volta-se a abrir determinadas linhas de crédito facilitado.

Mesmo assim, diante do enorme déficit público, que não para de aumentar, a margem de manobra oficial é relativamente pequena. E os primeiros, porém, concretos efeitos das medidas anteriormente adotadas, inclusive no governo anterior, começam a ganhar forma, dando a entender que estaria terminado o período de bonança econômica vivida pelo país, em meio a uma crise mundial que já dura cinco anos. Todavia, isso parece ainda estar sendo subestimado.

Economia reduz o ritmo (II)

Entretanto, os indicativos mostram que deveríamos nos acautelar quanto ao que nos espera em 2012. Em primeiro lugar, o PIB nacional, no terceiro trimestre teria sido negativo (segundo o Banco Central, a atividade econômica recuou 0,32% em comparação ao segundo trimestre). Um novo resultado negativo entre outubro e dezembro caracterizará, tecnicamente, que entramos em recessão, seguindo os passos da União Europeia. Nesse contexto, na melhor das hipóteses, o PIB anual brasileiro ficará entre 3% e 3,5% neste ano, após 7,5%. O efeito sobre a geração de emprego é imediato.

Assim, agora em outubro a criação de empregos com carteira caiu 38,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, se constituindo no pior outubro dos últimos três anos. No acumulado dos primeiros 10 meses do ano, a geração de empregos recuou 18,3% em relação ao mesmo período de 2010. O governo já admite que a meta, inicialmente de 3 milhões de empregos gerados para este ano, deverá ser cumprida em apenas 80%. Ou seja, na melhor das hipóteses serão gerados 2,4 milhões de empregos no ano. Além disso, o desemprego aos poucos vai se consolidando em setores menos dinâmicos.

Enfim, a falta de empregos chega num momento em que o endividamento da população é muito alto, estimulado pelo próprio governo, na ânsia de garantir um mínimo de crescimento econômico. Com isso, nos primeiros 10 meses do ano a inadimplência nacional cresceu 23% em comparação ao mesmo período do ano passado. Nossa economia entra em zona de turbulência. Apertem os cintos!
Assine a nossa newsletter e receba nossas notícias e informações direto no seu email

Usamos cookies para armazenar informações sobre como você usa o site para tornar sua experiência personalizada. Leia os nossos Termos de Uso e a Privacidade.

2b98f7e1-9590-46d7-af32-2c8a921a53c7