Nos primeiros cinco meses de 2011 o brasileiro gastou US$ 8,33 bilhões em viagens ao exterior, contra US$ 5,72 bilhões no mesmo período do ano passado. Isso representa um crescimento de 45,5%. Tal cifra já é mais de 50% de todo o gasto de 2010, que chegou a US$ 16,42 bilhões. E isso tudo em um ano de freada na economia nacional, com aumento do endividamento e da inadimplência, além do retorno do desemprego. Enquanto isso, os estrangeiros que aqui acorrem acumulam um gasto de apenas US$ 2,88 bilhões nos primeiros cinco meses deste ano, o que representa um avanço de 14,4% sobre o total gasto em 2010. Por que o brasileiro gasta tanto no exterior? Há diversas respostas a essa atitude, incoerente de certa forma à realidade de país emergente. Em primeiro lugar, e infelizmente, o povo brasileiro possui uma característica muito semelhante ao dos EUA: gasta acima de suas possibilidades, especialmente se isso for estimulado pelo governo, caso do ano passado. Assim o fazendo, vive endividado, fato confirmado pelos recentes estudos aqui divulgados que nos informam que mais de 80% das famílias das principais capitais brasileiras possuem dívidas. Em segundo lugar, desde a estabilização da economia, em 1994, as condições de compra por parte de nossa moeda, o Real, melhoraram consideravelmente. Hoje temos uma moeda sobrevalorizada, situação que persistiu em boa parte destes últimos 17 anos. Com isso, o poder de compra em relação ao dólar melhorou, impulsionando gastos externos.
Gastamos demais no exterior (II)
Em terceiro lugar, nossos produtos em geral, e mesmo o turismo local, é proporcionalmente mais caro do que no exterior. Muito por causa dos elevados impostos que este país insiste em manter. Desta forma, torna-se mais em conta consumir produtos do exterior, mesmo com o aumento das tarifas sobre os gastos externos em cartão de crédito. Enfim, nossos empresários, na maioria, ainda não aprenderam a conviver com economia estável. Assim, desde que haja pouca concorrência no setor, aumentam abusivamente suas margens de lucro, penalizando o consumidor pelo aumento exagerado nos preços de seus produtos. A lógica da falta de escala nas vendas não se sustenta, pois preços menores resultariam em vendas maiores, com volume global de ganhos maior. Basta ver o que aconteceu neste país no ano passado, quando os impostos foram reduzidos e/ou eliminados temporariamente de alguns produtos. Assim, vivemos uma situação contraditória, que vem de muito tempo, e agora se agrava: procuramos viver em nível de país desenvolvido, enquanto ainda somos um país subdesenvolvido, eufemisticamente chamado de emergente. Melhoramos muito, é verdade, desde o lançamento do Plano Real, porém, isso não permite esse nível de gastos no exterior (e mesmo na economia interna). Se nossos impostos fossem menores (hoje quase em 40% do valor do produto em termos médios, contra 20% em países do mesmo nível) e nossa produção mais eficiente, com menos desperdícios, o brasileiro tenderia a privilegiar o produto nacional.
Gastamos demais no exterior (II)
Em terceiro lugar, nossos produtos em geral, e mesmo o turismo local, é proporcionalmente mais caro do que no exterior. Muito por causa dos elevados impostos que este país insiste em manter. Desta forma, torna-se mais em conta consumir produtos do exterior, mesmo com o aumento das tarifas sobre os gastos externos em cartão de crédito. Enfim, nossos empresários, na maioria, ainda não aprenderam a conviver com economia estável. Assim, desde que haja pouca concorrência no setor, aumentam abusivamente suas margens de lucro, penalizando o consumidor pelo aumento exagerado nos preços de seus produtos. A lógica da falta de escala nas vendas não se sustenta, pois preços menores resultariam em vendas maiores, com volume global de ganhos maior. Basta ver o que aconteceu neste país no ano passado, quando os impostos foram reduzidos e/ou eliminados temporariamente de alguns produtos. Assim, vivemos uma situação contraditória, que vem de muito tempo, e agora se agrava: procuramos viver em nível de país desenvolvido, enquanto ainda somos um país subdesenvolvido, eufemisticamente chamado de emergente. Melhoramos muito, é verdade, desde o lançamento do Plano Real, porém, isso não permite esse nível de gastos no exterior (e mesmo na economia interna). Se nossos impostos fossem menores (hoje quase em 40% do valor do produto em termos médios, contra 20% em países do mesmo nível) e nossa produção mais eficiente, com menos desperdícios, o brasileiro tenderia a privilegiar o produto nacional.