Por ocasião do VI Fórum Nacional do Trigo, realizado em Ijuí (RS) nos dias 16 e 17 de maio, a pergunta acima perpassou os painéis e debates do evento. A resposta pode ser adiantada imediatamente, segundo minha percepção: sim, o trigo gaúcho tem futuro, desde que alguns elementos sejam cumpridos e outros tantos obstáculos vencidos. Isso porque os desafios a serem superados pelo trigo gaúcho são bem maiores, ainda hoje, do que em relação ao trigo paranaense. Na minha intervenção como palestrante, no painel destinado ao mercado externo para o trigo nacional, procurei demonstrar que em sua evolução histórica, a partir da modernização da agricultura nos anos de 1950, o cereal nunca foi um produto de exportação por excelência. Até 1990 nossa ênfase sempre foi pela autossuficiência para com o produto. Com a abertura comercial, e a redução do apoio oficial ao cereal, ficamos ao sabor do mercado internacional e nossas importações aumentaram para níveis entre 6 e 6,5 milhões de toneladas anuais, diante de uma demanda interna que gira entre 10 e 11 milhões. Paralelamente, os produtores nacionais foram se adaptando ao novo contexto e a produção saltou de 1,5 milhão de toneladas em 1995 para volumes entre 5 e 6 milhões atualmente. Todavia, em geral, os preços recebidos pelos produtores brasileiros são muito baixos, criando um vácuo importante entre a receita e os custos de produção, que têm aumentado gradativamente. Ao mesmo tempo, o funcionamento da cadeia não fortalece o produto local, nos obrigando a sermos exportadores de trigo.
Há futuro para o trigo gaúcho? (II)
Mesmo sendo fortes importadores, estamos hoje tendo que exportar entre um a dois milhões de toneladas de trigo nacional anuais, pois esse não encontra demanda convincente no mercado interno. Esse quadro, além de demonstrar a fragilidade da cadeia nacional tritícola, nos leva a sermos exportadores permanentes do cereal. Podemos sê-lo? A resposta é sim, desde que algumas situações sejam reunidas. Em primeiro lugar, precisamos criar mecanismos para marcar presença constante nesse mercado. É preciso manter a qualidade elevada do produto (tipo pão), agora conquistada, todos os anos, fato que requer superar a instabilidade climática com ainda maior tecnologia adaptada ao sul do país. Por outro lado, nas condições de câmbio existentes e de preços médios internacionais, as exportações precisarão sempre dos subsídios oriundos dos leilões de PEP do governo federal. Pelo custo e produtividades internos nosso trigo não é competitivo sem ajuda oficial. Isso requer corrigir a desconformidade entre as exigências técnicas oficiais (FN, W e PH) e aquilo que o mercado aceita. Para se ter uma ideia do desafio, ao câmbio de hoje, a tonelada FOB estivada do trigo gaúcho vale R$ 480,00. Reduzindo R$ 80,00 entre despesas portuárias e frete, sobram R$ 400,00 ou R$ 24,00/saco (sem contar ainda as despesas das cooperativas/empresas compradoras). Ora, o preço mínimo é de R$ 477,00/tonelada. Isso deve ser garantido para que o trigo se viabilize pelo mercado e não seja apenas uma fonte de crédito bancário entre duas safras de verão.
Há futuro para o trigo gaúcho? (II)
Mesmo sendo fortes importadores, estamos hoje tendo que exportar entre um a dois milhões de toneladas de trigo nacional anuais, pois esse não encontra demanda convincente no mercado interno. Esse quadro, além de demonstrar a fragilidade da cadeia nacional tritícola, nos leva a sermos exportadores permanentes do cereal. Podemos sê-lo? A resposta é sim, desde que algumas situações sejam reunidas. Em primeiro lugar, precisamos criar mecanismos para marcar presença constante nesse mercado. É preciso manter a qualidade elevada do produto (tipo pão), agora conquistada, todos os anos, fato que requer superar a instabilidade climática com ainda maior tecnologia adaptada ao sul do país. Por outro lado, nas condições de câmbio existentes e de preços médios internacionais, as exportações precisarão sempre dos subsídios oriundos dos leilões de PEP do governo federal. Pelo custo e produtividades internos nosso trigo não é competitivo sem ajuda oficial. Isso requer corrigir a desconformidade entre as exigências técnicas oficiais (FN, W e PH) e aquilo que o mercado aceita. Para se ter uma ideia do desafio, ao câmbio de hoje, a tonelada FOB estivada do trigo gaúcho vale R$ 480,00. Reduzindo R$ 80,00 entre despesas portuárias e frete, sobram R$ 400,00 ou R$ 24,00/saco (sem contar ainda as despesas das cooperativas/empresas compradoras). Ora, o preço mínimo é de R$ 477,00/tonelada. Isso deve ser garantido para que o trigo se viabilize pelo mercado e não seja apenas uma fonte de crédito bancário entre duas safras de verão.