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Lições do desenvolvimento humano


Argemiro Luís Brum
Em 1991 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicou, pela primeira vez, um documento que trazia um novo indicador mundial: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O mesmo passou a medir o estágio de desenvolvimento dos diferentes países do mundo, considerando os mais diversos indicadores de bem-estar social de uma Nação.

Dentre outras coisas, o IDH leva em conta a renda, a esperança de vida, o nível de escolaridade e a alfabetização da população. Nesse sentido, o Brasil ocupa hoje apenas a 84ª posição mundial, dentre 187 países pesquisados, demonstrando que falta muito ainda para chegarmos ao pleno desenvolvimento. Deste índice geral, diferentes estudos foram desenvolvidos mundo afora, visando medir o índice de desenvolvimento de regiões, Estados e municípios, com adaptações metodológicas em função de cada realidade.

Um deles, e muito seguido no Brasil atualmente, é o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, de responsabilidade da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

A divulgação do mesmo, neste início de novembro, com base em dados de 2009, traz uma grata surpresa aos gaúchos em geral e aos ijuienses em particular. Dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 4% se encontram com nota de alto desenvolvimento, confirmando a posição nacional de país ainda subdesenvolvido. Todavia, destes, 14 municípios são gaúchos (apenas 2,8% do total do Estado), estando Ijuí em 4º lugar estadual.


Lições do desenvolvimento humano (II)

Os três primeiros (Bento Gonçalves, Farroupilha e Lajeado) ficando entre os 100 melhores do país. Outra lição que já se sabia: não interessa ser grande, o importante é ser organizado, trabalhador e investir na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Haja vista que Porto Alegre é o único município com mais de 200 mil habitantes entre os 14 primeiros do Estado, e assim mesmo em 10º lugar.

Outro detalhe: a região Noroeste gaúcha está longe de ser ruim em desenvolvimento, já que possui, além de Ijuí, mais 3 municípios entre os 14 primeiros (Cerro Largo em 5º, Santa Rosa em 7º e Horizontina em 9º lugar). Não muito longe daqui encontramos ainda Não-Me-Toque, em 12º lugar. O sucesso deste conjunto de municípios está na melhor qualidade de serviços em três áreas: emprego e renda; educação; e saúde. E tal sucesso não se deve apenas às ações recentes, embora elas sejam importantes. Esse tipo de posição é resultado de anos de trabalho em busca de crescimento coletivo, realizado pelo conjunto de grande parte da sociedade local.

Isso explica igualmente porque somente 17 municípios gaúchos se encontram num índice de desenvolvimento apenas regular, enquanto os 96,6% restantes estão entre um desenvolvimento moderado e alto.

Enfim, comprovando que a emancipação nem sempre é a melhor solução para a melhoria de vida, 70% daqueles 17 municípios não possuem 25 anos de independência administrativa. Além disso, indiretamente, os melhores colocados no interior do Estado têm no agronegócio, com alta tecnologia, uma das alavancas do sucesso.
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