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Mais turbulência pela frente


Argemiro Luís Brum
Não há dúvida que o final de 2011 será ainda de mais turbulências na economia mundial e nacional. A crise nos países europeus está longe de ser debelada, e o risco de calote da dívida pública ronda, agora, a Grécia. Para tentar contê-la, novas medidas restritivas nos gastos são anunciadas, levando a economia local a um PIB negativo. Nesse rumo caminham outros países, tais como a Itália, a Espanha, Portugal e por aí vamos. Pelo lado dos EUA, o governo Obama acaba de anunciar um pacote de US$ 447 bilhões visando recuperar o emprego naquele país. Mesmo com um valor quase 50% acima do esperado, o mercado já aponta como insuficiente e as bolsas de valores voltaram a recuar. Pelo lado da China, igualmente há um trabalho intenso para segurar a inflação local via freada na economia, fato que vem impactando no comércio global neste ano. Nesse tsunami econômico sem fim, mesmo que de longa data previsto, o Brasil procura se equilibrar. Porém, a condução da política econômica sofre percalços constantes, agora também internos. Em primeiro lugar, o atual governo, herdeiro de um aquecimento demasiado da economia em 2010, se viu obrigado a aumentar os juros (Selic) para conter o crescimento do PIB em níveis suportáveis. Inicialmente a ideia era ficar entre 4,5% a 5% de crescimento em 2011. Os efeitos externos, o forte aumento dos juros internos, e a inadimplência da população estão freando mais a economia e nosso crescimento deverá ficar abaixo de 4%. Isso começa a gerar um processo de desemprego que cresce lentamente.


Mais turbulência pela frente (II)

A aposta no mercado interno, correta na sua essência, obviamente encontra seus limites após 15 meses de consumo desenfreado: o forte endividamento da população, com uma crescente inadimplência que tende a se agravar para os próximos meses. A situação se desenha ainda mais grave para 2012 na medida em que a população, com pouca cultura econômica em geral, continua a aumentar a demanda por crédito mesmo diante de juros altíssimos. Somente em agosto o número de demandantes por crédito cresceu 8%, sendo 14% a mais do que agosto de 2010. Pior ainda, o maior aumento (12,4%) se dá justamente nos que menos ganham (receita mensal de até R$ 500,00), sendo que no Nordeste o índice alcança 20,3%. A tendência de uma inviabilização econômica, com retorno a um empobrecimento (cair abaixo da classe C) passa a ser uma questão de tempo num quadro destes. Paralelamente, o comércio em geral está paralisando parte de suas atividades, seja na venda de automóveis usados, e mesmo novos, requerendo promoções impensáveis há poucos meses, sem falar na construção civil. No Rio Grande do Sul, em julho, a queda no desempenho industrial foi de 8%, sendo a quinta no ano. Enfim, a tão esperada desvalorização do Real (hoje em R$ 1,70), talvez passageira, traz consigo um problema novo: o aumento dos custos de importação, pressionando a inflação local, num momento em que o governo inicia uma desejada baixa de juros, acreditando tê-la controlado. Sinais contraditórios indicando mais e sérias turbulências pela frente.       
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