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Novo redesenho na Metade Sul


Paulo Edgar da Silva
Aos poucos, a sociedade está se dando conta de que o mundo corre o risco de ampliar o desrespeito ao meio ambiente e ao mesmo tempo elevar os níveis de pobreza da população. Observam-se, contudo, ações que se multiplicam em torno da promoção de práticas agrícolas que, interligadas, preservam a natureza e garantem a implantação de novas culturas. Os especialistas advertem que a harmonia entre ambas vai assegurar proteção dos recursos naturais e um futuro mais digno para as novas civilizações.
Na semana passada, tivemos o privilégio de encontrar o nascedouro dessa simetria na Metade Sul do Estado. Ao visitar o Assentamento Capivara, em Santana do Livramento, encontramos o embrião que forma um redesenho da nova geografia da produção de culturas de agroenergias na região. Tudo a partir da aposta na mamona, que, graças à pesquisa, tem estabilidade no plantio. Conhecer o potencial da mamona permitiu à Emater/RS-Ascar definir projeto piloto com a instalação de uma unidade de observação no Assentamento, uma garantia futura de zelo com a natureza e alimento na mesa. O investimento em mamona se insere como mais uma alternativa de geração de renda para os agricultores assentados.

Apesar dos obstáculos, como o déficit hídrico que se registra na região, estamos certos de que a cultura tem excelentes oportunidades de se desenvolver. Para tanto, é indispensável contarmos com o apoio dos agricultores assentados, um público prioritário para o Serviço de Extensão Rural. Entendemos que a pequena agricultura, que tem como base a produção de matéria-prima para o biodiesel, vem ganhando importância e contribuirá com sua costumeira cota para a produção de bioenergia no país.

Mas por que cultivar plantas bioenergéticas? Muitas são as respostas: é absorver mão-de-obra, otimizar o uso da terra, diversificar os cultivos, estabelecer novas parcerias. Quem planta uma cultura como girassol, canola, mamona, registra baixo custo de produção, pode usar a mesma estrutura disponível à soja e, por fim, encontra mercado comprador e promissor. Com esses argumentos, a equipe da Emater/RS-Ascar está mobilizando e sensibilizando os agricultores familiares, que descobrem o potencial do segmento, se lançam em desafios e se dão conta de que é preciso se inserir no contexto da modernidade – para salvar o mundo.

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