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Integração biológicos e químicos


Jonas Hipólito

O produtor brasileiro já incorporou e os profissionais do setor estão progressivamente assimilando a nova dinâmica de proteção de cultivos. O jogo mudou e os químicos precisam dos biológicos, essa é a verdade que o mercado está começando a entender. 

Ao usar o mesmo modo de ação repetidamente, selecionam-se populações resistentes. É biologia básica. Os fungicidas de sítio específico, os inseticidas de amplo espectro - todos enfrentam o mesmo problema. A eficácia cai, a dose aumenta, o custo sobe, o retorno ao produtor diminui. 

Os biológicos quebram esse ciclo. 

Um biofungicida com modo de ação diferente, inserido na rotação, preserva a eficácia do químico. Um bionematicida ou um bioinseticida que atuam por competição não selecionam resistência da mesma forma. A integração fortalece o manejo. 

Os dados de campo mostram isso com clareza: programas integrados entregam ROI superior não porque o biológico seja mais barato, mas porque o programa todo funciona melhor. Menos falhas de controle, menos reaplicações, menos surpresas. A FAO reconhece que o Manejo Integrado de Pragas reduz custos de produção e permite acesso a mercados com maior exigência de qualidade. 

O produtor que entendeu isso está à frente. O que ainda resiste está pagando mais caro pelo mesmo resultado. 

Mas há uma tendência maior em curso. 

O percentual de biológicos na proteção de cultivos vai aumentar. Não por ideologia. Por economia e retorno sobre investimento. Por regulação e exigências de mercado. No Brasil, a participação dos biológicos na proteção de cultivos já alcança 13% e cresce acima de 20% ao ano. A área tratada com biocontrole saltou de 47 milhões de hectares em 2022/23 para quase 79 milhões em 2024/25. 

A inovação que está chegando vai acelerar essa transição. Novos modos de ação, novas formulações, novas combinações. O mercado global de biopesticidas deve saltar de US$ 10 bilhões em 2025 para quase US$ 30 bilhões até 2032. 

Isso não significa o fim dos químicos. Significa que os químicos terão que dividir espaço, e quem souber integrar vai extrair mais valor de ambos. 

O futuro da proteção de cultivos é híbrido. E esse futuro já começou. 

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Referências 

1. FRAC-BR (Comitê de Ação à Resistência a Fungicidas). "Por que é preciso conhecer os modos de ação?" Mar. 2026. Disponível em: frac-br.org 

2. FAO (Food and Agriculture Organization). "Integrated Pest Management." O MIP reduz custos de produção e permite acesso a mercados com maior exigência de qualidade. Disponível em: fao.org/pest-and-pesticide-management 

3. CropLife Brasil. "Adoção de bioinsumos cresceu 13% na safra 2024/2025." Jun. 2025. Participação de biológicos na proteção de cultivos: 13%; crescimento acima de 35%. 

4. Embrapa. "Mudanças climáticas impactam o controle biológico no Brasil." 2025. Área tratada com biocontrole: 47M ha (2022/23) → 79M ha (2024/25). 

5. Fortune Business Insights. "Biopesticides Market Size, Share, Trends." 2025. Mercado global: US$ 9,91 bi (2025) → US$ 29,24 bi (2032), CAGR 16,72%. 

6. Forbes Brasil / Kynetec. "Mercado de biodefensivos no Brasil cresce 18% na safra 2024/25." Nov. 2025. Valor: R$ 4,35 bilhões. 

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