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O petróleo e o câmbio


Argemiro Luís Brum
O Brasil, ainda no curto prazo, tem dois importantes problemas para equacionar. O primeiro diz respeito à gestão da Petrobrás e a oferta de petróleo e seus derivados. A troca de presidente da estatal tem muito a ver com tal problema.

A companhia é “um Estado dentro do Estado”, que pretende investir US$ 225 bilhões até 2015 mas que, por questões políticas, não rendeu o que poderia e precisava nestes últimos anos. Tanto é que no quarto trimestre de 2011 gerou um lucro líquido de apenas metade dos R$ 10 bilhões estimados.


O comportamento relativamente negativo da estatal acabou influenciando também na forte queda no valor de suas ações e no índice Bovespa do ano passado, penalizando os aplicadores, muitos pequenos poupadores nacionais. A perda de dinheiro da Petrobrás nestes últimos tempos se deve, dentre outras coisas, a dois elementos: 1) a obrigação, por lei, de utilizar 65% de equipamentos de fabricação nacional, geralmente mais caros, e com menor qualidade; 2) o subsídio que vem dando, nos últimos anos, aos preços dos combustíveis, para que estes não pressionem a inflação nacional. Soma-se a isso a manutenção do programa de biodiesel, ainda hoje deficitário, e a crise no setor do etanol.

Apenas no óleo diesel distribuído no país, cerca de 16% foi subsídio da estatal. Nos últimos oito anos R$ 12 bilhões foram perdidos em subsídios dados pela empresa. Além disso, desde 2007/08 a estatal repassou apenas em uma oportunidade a elevação dos preços mundiais do petróleo.


O petróleo e o câmbio (II)

Ora, a nova presidente da Petrobrás acaba de anunciar que veio para corrigir este disparate que está hipotecando a capacidade de investimento da empresa, incapacitando-a de poder realmente explorar o petróleo do Pré-Sal. Como os preços mundiais do petróleo, somente nesse mês de fevereiro, subiram 12,7%, e como o Brasil é forte importador do mesmo, assim como de gasolina neste momento (nunca fomos autossuficientes em petróleo, embora o discurso demagógico do passado recente tenha tentado nos vender essa ideia), a tendência é de logo mais os preços dos combustíveis subirem no país, visando recompor as margens da Petrobrás. E isso irá impactar na inflação, a qual já deverá subir naturalmente, a partir de maio próximo, em continuando os atuais índices mensais.

Isso poderá obrigar o governo a não só parar a redução da taxa Selic como, se não quiser comprometer a estabilidade em 2013, reiniciar um processo de elevação dos juros no segundo semestre. Paralelamente, já agora a entrada de dólares no país retomou um ritmo importante, pois nossos juros continuam muito interessantes aos olhos do sistema financeiro mundial.


Novas altas dos mesmos deverão estimular a entrada de ainda mais dólares, na esteira de um aumento de liquidez na Europa, em busca da saída para a crise em que o continente está. Isso deverá pressionar o Real para o caminho da sobrevalorização, perante o dólar. Aliás, o valor de R$ 1,70 só não foi rompido nestes últimos dias porque o Banco Central voltou fortemente a comprar dólares no mercado.
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