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Rússia terá reforma agrária


Schubert Peter

Num país onde tudo está por fazer ou corrigir, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, abriu nova frente de batalha. Desde o colapso da União Soviética, em 1991, a propriedade privada de terras existe teoricamente no país. Na prática ninguém consegue nada a menos que pague pelos serviços de algum burocrata, que fornecerá uma licença. O problema existe tanto em áreas urbanas como nas rurais.

Putin deseja regulamentar o assunto, dando maior segurança ao cidadão. Entre os argumentos contrários, ouve-se que a reforma agrária equivale a vender a própria mãe. São lembranças dos tempos do Tsar, quando a nobreza possuía as terras e a maior parte da população penava. Na verdade, a tentativa consiste em prolongar o máximo possível o poder das burocracias locais. Funcionários municiais corruptos e autoridades regionais têm grande parte do poder no vasto país. Algo como o Norte do Brasil, piorado pelas péssimas comunicações. “Que nos importa a Europa ou a opinião pública? Da nossa cidade a Moscou a diligência leva quinze dias. E depois ainda estaremos muito longe da Europa!”. É uma fala do prefeito, de O Revisor, de Gogol. Continua atual.

Criando um sistema coerente, que permita o rápido e correto acesso à terra, pretende Putin dar mais um empurrão na Rússia, paquiderme que reluta em aceitar novos tempos. Hoje os agricultores russos que possuem terra, aproximadamente 260 mil, têm apenas 10% de toda a superfície arável do país. E o número tem diminuído por causa das dificuldades enfrentadas, como baixa produtividade e preços. Até existe a possibilidade de, uma vez elucidada a questão legal da propriedade, haver nova concentração de terras nas mãos de poucos. É improvável, entretanto, por dois motivos. Primeiro, a terra tem valor muito baixo, conseqüência da grande oferta. Segundo, a compra de grandes propriedades, mesmo com valor reduzido, requer imobilização de capital. Quem faria isso com as mínimas taxas de retorno alcançadas?

O projeto tem um grande potencial, em médio prazo, para criar uma classe de pessoas envolvidas com os problemas do país. Com a terra, lutarão para desenvolver regiões remotas. É uma forma interessante de melhorar o país.

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