Diante do recrudescimento da crise fiscal, oriunda da crise econômico-financeira de 2007/08, onde a Itália, como o esperado, se torna a “bola da vez”, o mundo volta a olhar com mais atenção aos chamados países emergentes, particularmente ao grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Para alguns o mundo terá novos protagonistas na medida em que, a partir de 2015, 53% do PIB mundial virá destes países emergentes. Para outros, ser protagonista é muito mais do que isso. No primeiro caso, é verdade que estas economias evoluíram muito nos últimos anos, sendo que Brasil e China particularmente se destacaram perante a atual crise que abalou o mundo. Seus crescimentos econômicos são importantes e os mercados internos continuam puxando o consumo mundial, em especial o chinês. Isso faz muitos analistas imaginarem que o mundo ingressa em uma nova era, no contexto de uma sociedade que terá no conhecimento seu grande motor. Todavia, os emergentes ainda estão longe de serem reais protagonistas nesta nova era mundial. Em primeiro lugar, porque não alcançaram um estágio de país desenvolvido e estão longe de reunirem as condições para tanto. Falta uma política eficiente de educação, com formação de alto nível de seus trabalhadores. O Estado continua pesado e ineficiente, não conseguindo realizar reformas que deem a ele a real capacidade de participar do jogo econômico. Nesse meio, a corrupção e a burocracia aumentam (vejam o caso do Brasil atual). Enfim, os investimentos ainda são baixos.
Seria hora dos emergentes? (II)
Sem agir sobre a presença do Estado na economia, de forma a torná-la eficiente, não haverá desenvolvimento e protagonismo internacional a ponto de desbancar as Nações ricas da atualidade. Nesse sentido, importante se faz lembrar que os BRICS não são um bloco de países organizado. Longe disso! Os mesmos não possuem homogeneidade política e nem de interesses ou de valores para que formem um bloco. Não são convergentes e, portanto, não possuem nenhuma força para quebrar a ordem mundial que existe. A recente eleição para a direção do FMI demonstrou claramente isso. Assim, está longe ainda o tempo em que se terá um Sul conquistador, perante um Norte cansado e na defensiva. Afinal, o Sul é uma região muito dividida e desorganizada. Os emergentes devem ser vistos ainda como uma força de reivindicação, de protesto, mas não de proposição. As velhas rivalidades regionais ainda persistem. Um exemplo clássico encontramos no Mercosul, bloco que não sai “do chão”, pois seus países membros, e vizinhos, não se entendem. Por outro lado, no caso dos BRICS, a situação é ainda pior porque a Rússia, por exemplo, não é um país emergente, pois absorvida por um controle político e econômico “mafioso” oriundo de seu antigo governo socialista, não consegue ser nem mesmo um Estado de direito (cf. Le Monde). Enfim, os emergentes não conseguem estabelecer em conjunto um programa de envergadura mundial que os coloque como protagonistas. Assim, o “velho mundo” ainda continuará ditando as regras globais.
Seria hora dos emergentes? (II)
Sem agir sobre a presença do Estado na economia, de forma a torná-la eficiente, não haverá desenvolvimento e protagonismo internacional a ponto de desbancar as Nações ricas da atualidade. Nesse sentido, importante se faz lembrar que os BRICS não são um bloco de países organizado. Longe disso! Os mesmos não possuem homogeneidade política e nem de interesses ou de valores para que formem um bloco. Não são convergentes e, portanto, não possuem nenhuma força para quebrar a ordem mundial que existe. A recente eleição para a direção do FMI demonstrou claramente isso. Assim, está longe ainda o tempo em que se terá um Sul conquistador, perante um Norte cansado e na defensiva. Afinal, o Sul é uma região muito dividida e desorganizada. Os emergentes devem ser vistos ainda como uma força de reivindicação, de protesto, mas não de proposição. As velhas rivalidades regionais ainda persistem. Um exemplo clássico encontramos no Mercosul, bloco que não sai “do chão”, pois seus países membros, e vizinhos, não se entendem. Por outro lado, no caso dos BRICS, a situação é ainda pior porque a Rússia, por exemplo, não é um país emergente, pois absorvida por um controle político e econômico “mafioso” oriundo de seu antigo governo socialista, não consegue ser nem mesmo um Estado de direito (cf. Le Monde). Enfim, os emergentes não conseguem estabelecer em conjunto um programa de envergadura mundial que os coloque como protagonistas. Assim, o “velho mundo” ainda continuará ditando as regras globais.