Balança comercial: fevereiro de recordes
Após o susto em janeiro, quando o saldo comercial brasileiro foi negativo em US$ 1,29 bilhão, o mês de fevereiro registrou uma franca recuperação do comércio exterior nacional. As exportações alcançaram US$ 18,028 bilhões, com um crescimento recorde de 13,4% sobre a média diária do mesmo mês do ano passado, enquanto as importações somaram US$ 16,313 bilhões, igualmente um recorde para meses de fevereiro, apresentando uma elevação de 10,5% sobre fevereiro de 2011.
Com isso, o saldo comercial de fevereiro ficou em US$ 1,715 bilhão ou 51,2% superior a fevereiro de 2011, na média diária. Desta maneira, no acumulado do ano de 2012, as exportações alcançam agora US$ 34,169 bilhões. Isso significa que, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações acumuladas nos dois primeiros meses do ano são 6,96% maiores. Quanto às importações, as meses somam US$ 33,746 bilhões em 2012, representando um crescimento de 11,1% sobre o mesmo período do ano passado. Ou seja, em função do resultado de janeiro, que foi extremamente negativo, as importações nacionais ultrapassam, percentualmente, quase o dobro das exportações. Como resultado final, o saldo comercial brasileiro, no acumulado dos dois primeiros meses deste ano, soma US$ 423 milhões apenas, ficando 73,4% abaixo do registrado em igual período de 2011. Dito de outra maneira, será preciso uma boa recuperação em nossas vendas externas para que o saldo comercial final, em 2012, se aproxime do excelente resultado do ano passado.
Diante da realidade cambial que se desenha para esse novo ano, com um Real se mantendo sobrevalorizado, apesar dos esforços do governo em evitá-lo, é provável que nosso saldo comercial final, em 2012, não passe da metade do obtido no ano passado. Especialmente porque nossa safra de verão foi prejudicada pelo clima no sul do país, onde a soja deverá perder cerca de 10 milhões de toneladas entre o esperado e o que realmente será concretizado no conjunto do Brasil. Sem falar no milho e no fumo, outros importantes produtos da pauta exportadora nacional nesses últimos anos. O que pode temperar um pouco o problema será a provável redução nas importações, na medida em que a economia nacional estacione ao redor de 3% de crescimento.
A bola murcha
Pode ser que a bolha de consumo no Brasil, gerada pelo forte estímulo estatal a partir de 2010, em busca de criar uma sustentação econômica razoável, a partir do mercado interno, para fazer frente à crise mundial, não venha a estourar mas sim murchar. Os números da virada de ano mostram que 2012 entra com outra cara. Além da forte inadimplência acumulada junto às pessoas físicas (o atraso no pagamento de financiamentos e empréstimos chegou a 7,6% em janeiro passado, se constituindo no mais elevado desde janeiro de 2009), a inadimplência das empresas em janeiro de 2012 ficou 26,7% acima do registrado um ano antes.
Para piorar, as vendas natalinas e nas promoções de janeiro ficaram aquém das expectativas, sinalizando dificuldades para o conjunto de 2012, como era esperado. Paralelamente, a produção de veículos pesados (caminhões e ônibus) recuou, em média, 78,2% em janeiro (explica-se esse movimento igualmente pela necessidade do setor se adaptar à Euro 5, norma internacional que muda a motorização dos veículos, tornando-os menos poluentes). Igualmente, pelo lado das máquinas e implementos agrícolas, as grandes empresas industriais já estão despedindo pessoal por conta da seca no sul do país e na Argentina, sem falar no endividamento rural monstruoso.
Não é de assombrar, portanto, que uma reação anunciada venha se confirmando: em janeiro passado a geração de emprego formal no Brasil caiu 21,8% sobre igual mês de 2011, também se constituindo no pior desempenho desde 2009. Nesse contexto, o ano de 2012, como era esperado, se desenha mais difícil e requer muita atenção de todos, mesmo que o governo procure manter suas medidas de apoio ao consumo. Provavelmente o cenário infeliz de muitas famílias retornarem para a classe D e E venha a se concretizar até o final do corrente ano.
Governo ineficiente
Enquanto isso, o governo continua a dar provas de sua ineficiência no trato da gestão pública. Paralelamente aos impactos sociais negativos, que começam a se acumular junto aos cidadãos e empresas nacionais, o governo anuncia que sua arrecadação de impostos em janeiro foi recorde histórico, batendo em R$ 102,57 bilhões. Ao mesmo tempo, o retorno à sociedade, através de serviços públicos de qualidade, continua deixando muito a desejar (para ser ameno com as palavras).
Além disso, os cortes de despesas recaem justamente sobre as atividades produtivas e de bem-estar social, como se viu com o recente anúncio do corte de R$ 55 bilhões no orçamento da União para 2012. Tudo isso porque o governo precisa manter o custeio de uma máquina pública inchada e ineficiente em sua maioria. Dito de outra forma, o governo está fazendo exatamente o que não se deve: reduz os gastos bons e aumenta os gastos ruins, tornando o Estado cada vez mais inchado e pesado. Exemplo: secretarias, criadas meramente para cabides de empregos e acomodação política de aliados, durante o governo Lula, têm hoje status de ministério e gastam mais em custeio do que em programas voltados à população (vejam os casos das secretarias de Políticas para as Mulheres, a da Igualdade Racial e de Direitos Humanos, e o Ministério da Pesca e Aqüicultura, para citar apenas alguns).
A folha de pagamento dos servidores e a despesa corrente dessas pastas estão previstas em R$ 514,9 milhões, ou seja, 89,2% a mais do que os R$ 272,1 milhões reservados aos aportes destinados à população nacional para a qual elas teriam sido criadas. O senhor, a senhora, eu e todos os brasileiros pagamos essa, e outras tantas, incompetências públicas. E tem gente que ainda aplaude...
Após o susto em janeiro, quando o saldo comercial brasileiro foi negativo em US$ 1,29 bilhão, o mês de fevereiro registrou uma franca recuperação do comércio exterior nacional. As exportações alcançaram US$ 18,028 bilhões, com um crescimento recorde de 13,4% sobre a média diária do mesmo mês do ano passado, enquanto as importações somaram US$ 16,313 bilhões, igualmente um recorde para meses de fevereiro, apresentando uma elevação de 10,5% sobre fevereiro de 2011.
Com isso, o saldo comercial de fevereiro ficou em US$ 1,715 bilhão ou 51,2% superior a fevereiro de 2011, na média diária. Desta maneira, no acumulado do ano de 2012, as exportações alcançam agora US$ 34,169 bilhões. Isso significa que, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações acumuladas nos dois primeiros meses do ano são 6,96% maiores. Quanto às importações, as meses somam US$ 33,746 bilhões em 2012, representando um crescimento de 11,1% sobre o mesmo período do ano passado. Ou seja, em função do resultado de janeiro, que foi extremamente negativo, as importações nacionais ultrapassam, percentualmente, quase o dobro das exportações. Como resultado final, o saldo comercial brasileiro, no acumulado dos dois primeiros meses deste ano, soma US$ 423 milhões apenas, ficando 73,4% abaixo do registrado em igual período de 2011. Dito de outra maneira, será preciso uma boa recuperação em nossas vendas externas para que o saldo comercial final, em 2012, se aproxime do excelente resultado do ano passado.
Diante da realidade cambial que se desenha para esse novo ano, com um Real se mantendo sobrevalorizado, apesar dos esforços do governo em evitá-lo, é provável que nosso saldo comercial final, em 2012, não passe da metade do obtido no ano passado. Especialmente porque nossa safra de verão foi prejudicada pelo clima no sul do país, onde a soja deverá perder cerca de 10 milhões de toneladas entre o esperado e o que realmente será concretizado no conjunto do Brasil. Sem falar no milho e no fumo, outros importantes produtos da pauta exportadora nacional nesses últimos anos. O que pode temperar um pouco o problema será a provável redução nas importações, na medida em que a economia nacional estacione ao redor de 3% de crescimento.
A bola murcha
Pode ser que a bolha de consumo no Brasil, gerada pelo forte estímulo estatal a partir de 2010, em busca de criar uma sustentação econômica razoável, a partir do mercado interno, para fazer frente à crise mundial, não venha a estourar mas sim murchar. Os números da virada de ano mostram que 2012 entra com outra cara. Além da forte inadimplência acumulada junto às pessoas físicas (o atraso no pagamento de financiamentos e empréstimos chegou a 7,6% em janeiro passado, se constituindo no mais elevado desde janeiro de 2009), a inadimplência das empresas em janeiro de 2012 ficou 26,7% acima do registrado um ano antes.
Para piorar, as vendas natalinas e nas promoções de janeiro ficaram aquém das expectativas, sinalizando dificuldades para o conjunto de 2012, como era esperado. Paralelamente, a produção de veículos pesados (caminhões e ônibus) recuou, em média, 78,2% em janeiro (explica-se esse movimento igualmente pela necessidade do setor se adaptar à Euro 5, norma internacional que muda a motorização dos veículos, tornando-os menos poluentes). Igualmente, pelo lado das máquinas e implementos agrícolas, as grandes empresas industriais já estão despedindo pessoal por conta da seca no sul do país e na Argentina, sem falar no endividamento rural monstruoso.
Não é de assombrar, portanto, que uma reação anunciada venha se confirmando: em janeiro passado a geração de emprego formal no Brasil caiu 21,8% sobre igual mês de 2011, também se constituindo no pior desempenho desde 2009. Nesse contexto, o ano de 2012, como era esperado, se desenha mais difícil e requer muita atenção de todos, mesmo que o governo procure manter suas medidas de apoio ao consumo. Provavelmente o cenário infeliz de muitas famílias retornarem para a classe D e E venha a se concretizar até o final do corrente ano.
Governo ineficiente
Enquanto isso, o governo continua a dar provas de sua ineficiência no trato da gestão pública. Paralelamente aos impactos sociais negativos, que começam a se acumular junto aos cidadãos e empresas nacionais, o governo anuncia que sua arrecadação de impostos em janeiro foi recorde histórico, batendo em R$ 102,57 bilhões. Ao mesmo tempo, o retorno à sociedade, através de serviços públicos de qualidade, continua deixando muito a desejar (para ser ameno com as palavras).
Além disso, os cortes de despesas recaem justamente sobre as atividades produtivas e de bem-estar social, como se viu com o recente anúncio do corte de R$ 55 bilhões no orçamento da União para 2012. Tudo isso porque o governo precisa manter o custeio de uma máquina pública inchada e ineficiente em sua maioria. Dito de outra forma, o governo está fazendo exatamente o que não se deve: reduz os gastos bons e aumenta os gastos ruins, tornando o Estado cada vez mais inchado e pesado. Exemplo: secretarias, criadas meramente para cabides de empregos e acomodação política de aliados, durante o governo Lula, têm hoje status de ministério e gastam mais em custeio do que em programas voltados à população (vejam os casos das secretarias de Políticas para as Mulheres, a da Igualdade Racial e de Direitos Humanos, e o Ministério da Pesca e Aqüicultura, para citar apenas alguns).
A folha de pagamento dos servidores e a despesa corrente dessas pastas estão previstas em R$ 514,9 milhões, ou seja, 89,2% a mais do que os R$ 272,1 milhões reservados aos aportes destinados à população nacional para a qual elas teriam sido criadas. O senhor, a senhora, eu e todos os brasileiros pagamos essa, e outras tantas, incompetências públicas. E tem gente que ainda aplaude...