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Tendências 05/07/2011


Argemiro Luís Brum
EUA: relatório de plantio derruba Chicago

O tão esperado relatório do USDA, que indica a área definitivamente semeada nos EUA foi divulgado neste dia 30/06. E o mesmo, no geral, foi muito negativo para as cotações em Chicago. Particularmente para o milho e o trigo. No caso do primeiro cereal, o relatório surpreendeu ao mercado indicando um aumento de 5% na área plantada sobre o ano de 2010. Com isso, a referida área teria chegado a 37,4 milhões de hectares. Destes, 34,4 milhões serão efetivamente colhidos, o que representa um aumento de 4% sobre o ano anterior. A área semeada em 2011 se torna, portanto, a segunda mais alta desde 1944 no que diz respeito ao milho. O mercado esperava uma área menor, já que no relatório de oferta e demanda de junho o mesmo USDA projetava uma área de 36,7 milhões de hectares. Nestas novas condições, em clima normal, a produção de milho nos EUA poderá ultrapassar a 340 milhões de toneladas neste ano, com a colheita iniciando em setembro próximo. Diante disso, as cotações em Chicago, no dia 30/06, despencaram, chegando a registrar limite de baixa durante o pregão. Com isso, o fechamento no último dia de junho ficou em US$ 6,29/bushel, contra US$ 7,87 no dia 10/06. Ou seja, tem-se aí um recuo de US$ 1,58/bushel em 20 dias. Quanto ao trigo, o recuo nas cotações igualmente foi importante, embora com menos intensidade. O relatório indicou uma área semeada, com todos os tipos de trigo, em alta de 5% igualmente sobre 2010, chegando a 22,8 milhões de hectares. Em clima normal, a produção total estadunidense poderá ultrapassar as 60 milhões de toneladas do cereal. Com isso, as cotações em Chicago recuaram para US$ 5,84/bushel no dia 30/06, após US$ 7,73 no dia 03/06. Há 11 meses o trigo não rompia o piso dos US$ 6,00/bushel em Chicago.

EUA: relatório de plantio derruba Chicago (II)

Enfim, para a soja o relatório poderia ser altista, porém, a influência das fortes quedas no milho e no trigo acabou derrubando, por enquanto, as cotações da oleaginosa. O fechamento do dia 30/06 ficou em US$ 13,06/bushel, após ter atingido a US$ 14,14 no dia 03/06. Ou seja, em 27 dias a perda superou um dólar por bushel. O relatório de plantio indicou uma redução de 3% na área de soja nos EUA, com a mesma ficando em 30,4 milhões de hectares. A área a ser colhida recua para 30 milhões de hectares. Dessa forma, será preciso um excelente clima para se alcançar um pouco mais de 87 milhões de toneladas naquele país. Isso será menor do que as 90,6 milhões de toneladas colhidas no último ano. Como os estoques já estão baixos, o aperto sobre os mesmos continuará ocorrendo em 2011/12. Isso permite esperar, salvo surpresas, uma recuperação das cotações da soja nas próximas semanas, a patamares parecidos aos já verificados no início de junho pelo menos. Todavia, tanto para a soja, quanto para as outras duas culturas indicadas, assim como para as demais commodities negociadas em bolsa, um elemento chave se encontra no que fará o capital financeiro especulativo no segundo semestre, diante da crise na Grécia e outros países europeus. Por enquanto, as baixas nos preços mundiais repercutem também a saída parcial deste capital das posições compradas em bolsa. Pelo sim ou pelo não, o fato é que se as cotações em Chicago permanecerem nos níveis de 30/06, diante de um câmbio a R$ 1,56, e do percentual atual de descontos e margens das empresas, o preço médio da soja ao produtor gaúcho poderá se situar, nos próximos dias, ao redor de R$ 38,80/saco, contra R$ 40,66/saco registrado nesta última semana de junho. A partir daí, o clima nos EUA, até a colheita, prevista para outubro, é que ditará boa parte do comportamento das cotações, além da maior presença ou não do capital financeiro especulativo.

Algumas reformas se desenham

Embora, talvez, não sejam as reformas esperadas e suficientes, o fato é que os governos do Rio Grande do Sul e do Brasil estão avançando, finalmente, em alguns ajustes em sua estrutura. Provavelmente, os estouros nas contas da Grécia e de outros países europeus, acompanhados pelo claro caminho de derrapagem que se apresenta nas contas públicas brasileiras, tenham levado os governos a reagir. E assim como na Europa e em todos os países que adotaram ou adotam esse tipo de medida, o remédio é socialmente amargo. E quanto mais tempo os governos deixarem de fazer o dever de casa, pior será o remédio e mais tempo atingirá a sociedade. Por enquanto, o que mais aparece são as medidas ligadas aos ajustes na previdência pública, com o governo gaúcho passando a contribuição previdenciária de 11% para 14% mensais, enquanto o governo federal propõe o fim do fator previdenciário e o aumento da contribuição feminina de 30 para 33 anos, além de outras medidas. Não nos é possível analisar aqui o conteúdo completo das referidas medidas (no Rio Grande do Sul as mesmas já foram aprovadas pela Assembleia Legislativa), porém, de forma geral se está no caminho certo. Ou se corrige o rombo do Estado ou quebramos todos, juntamente com o país. Afinal, apenas no caso da previdência nacional, o rombo nos primeiros cinco meses do ano foi de R$ 17,8 bilhões, mesmo que em recuo em relação ao mesmo período de 2010. O que chama a atenção é que perdemos muito tempo para começar a agir. E mais, os mesmos que estão hoje nos governos apontados, trabalharam contra tais mudanças quando oposição, retardando ainda mais a correção. Um paradoxo que um dia, se espera, os brasileiros saberão julgar. Todavia, pelo sim ou pelo não, antes tarde do que nunca. Resta esperar que a prática seja bem feita e que tal processo avance até atingir, igualmente, a corrupção desenfreada que se instalou em nossos poderes públicos, e que também é uma forte causa de nossos males econômico-financeiros.         
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