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Tendências 06/06/2011


Argemiro Luís Brum
Preços agropecuários mais estáveis

Após um período de fortes altas, particularmente no início deste ano, os preços dos principais produtos primários gaúchos estabilizaram. Porém, tal realidade se deu em patamares elevados em relação ao mesmo período do ano passado. Assim, neste início de junho de 2011 o saco de soja no balcão atingiu a média de R$ 41,92 contra R$ 45,93 na primeira semana de fevereiro, porém, ainda bem acima dos R$ 33,94/saco registrados no início de junho de 2010. Ou seja, até agora, nota-se que os melhores momentos da soja foram vividos no início do ano. Todavia, o mercado ainda está muito interessante em relação ao primeiro semestre do ano passado. No caso do milho a situação já é diferente. O cereal se mantém em alta, diante de problemas climáticos na safrinha do Mato Grosso e do Paraná. Assim, a média no balcão gaúcho, neste momento, chega a R$ 25,06/saco, contra apenas R$ 15,42 um ano antes e R$ 23,44 no início de fevereiro passado. Em outras palavras, nos últimos 12 meses o milho gaúcho ganhou praticamente 10 reais por saco. O sorgo acabou acompanhado esta trajetória ao atingir atualmente R$ 18,93/saco, após R$ 11,90 um ano antes e R$ 18,00 em fevereiro. Por sua vez, o trigo está fixado hoje em R$ 24,46/saco, contra R$ 21,56 em junho de 2010. Entretanto, seu atual preço é praticamente o mesmo do existente em fevereiro, quando o saco chegou a R$ 24,21. Na contramão deste movimento, encontramos o arroz. O cereal, cuja produção gaúcha representa 60% do total nacional, vem assistindo a uma constante degradação de seus preços nestes últimos 12 meses. Após atingir R$ 27,77/saco de 50 quilos em junho de 2010, o produtor gaúcho viu o preço de seu produto recuar para R$ 22,18 em fevereiro, atingindo neste início de junho de 2011 apenas R$ 18,78/saco. Em um ano a perda chegou em torno de 9 reais por saco. Nesse sentido, embora sendo o feijão um produto complementar ao arroz, o preço do mesmo acabou não acompanhando a mesma tendência. O produto passou de R$ 67,92/saco ao produtor gaúcho, no início de junho de 2010, para R$ 72,31 em fevereiro, para voltar a cair nesse momento, ao se fixar em R$ 68,00.

Preços agropecuários mais estáveis (II)

Na pecuária, os preços pagos aos criadores e produtores igualmente apresentam um comportamento de estabilidade se comparados aos picos alcançados em fevereiro passado. Assim, o quilo do boi vivo, que esteve em R$ 2,49 na média estadual do início de junho de 2010, saltou para R$ 3,22 em fevereiro/11 e, posteriormente, recuou um pouco ao se fixar, neste início de junho de 2011, em R$ 3,15. No suíno, o comportamento de preços foi menos espetacular, porém, também acusa um recuo no momento. O quilo vivo no Rio Grande do Sul, que apresentou a média de R$ 2,21 no início de junho/10, subiu para R$ 2,36 em fevereiro, recuando agora para R$ 2,10. Ou seja, o preço do suíno está mais baixo atualmente do que há um ano. O litro do leite cru pago ao produtor gaúcho, todavia, surpreende pela sua estabilidade, após anos de enorme volatilidade. Assim, seu preço sai de R$ 0,64, em junho de 2010, para R$ 0,63 em fevereiro/11, e se estabelece neste início de junho/11 em R$ 0,67. Enfim, o quilo vivo da vaca gorda, em 12 meses, passa de R$ 2,20 para R$ 2,80, após atingir a R$ 2,84 em fevereiro. Enquanto isso, o cordeiro para abate vê seu preço sair de R$ 2,44/quilo vivo, em junho/10, para R$ 3,78 em fevereiro/11, alcançando neste início de junho/11 o valor de R$ 3,77.

Plano safra 2011/12 e o subsídios

Há anos o Brasil, acompanhado de outros países que se julgam competitivos no agronegócio mundial, vem trabalhando para que os países desenvolvidos, em particular EUA e União Europeia, reduzam seus subsídios agrícolas por um lado e eliminem suas barreiras comerciais pelo outro lado. No caso dos subsídios, especialmente os dados à exportação, quando o Tesouro dos países ricos torna artificialmente competitivos os produtos gerados por seus agricultores. Mas luta-se igualmente pela redução dos subsídios à produção, o que torna a maioria dos produtores estadunidenses e europeus artificialmente competitivos graças a ajuda estatal. No cenário internacional, onde a Organização Mundial do Comércio (OMC) é o fórum para os debates a respeito, existe lógica na postura brasileira. Todavia, os países desenvolvidos não aceitam eliminar totalmente tais subsídios. No máximo, aceitam uma redução muito parcial e, em troca, exigem ações semelhantes por parte dos países emergentes. Esse é um dos impasses que vem bloqueando o encerramento da Rodada de Doha da OMC, lançada ainda em novembro de 2001 e que logo mais completará 10 anos, se tornando a mais longa na história do comércio mundial. Mas existe outro aspecto que precisamos entender. Os países ricos sabem que igualmente o Brasil e muitos outros países subsidiam sua produção primária. Além dos aspectos de comercialização, tipo os leilões de PEP, a produção brasileira, por exemplo, ganha enormes subsídios via crédito a juros bem abaixo dos juros de mercado. Tanto é verdade que o Plano Safra 2011/12, destinado para a chamada agricultura familiar, terá a liberação de R$ 16 bilhões a juro de no máximo 2% ao ano no acesso a investimento por meio do Pronaf, quando o juro de mercado ronda os 40% ao ano. Se é verdade que o setor primário nacional precisa de uma política de apoio, e que seja de longo prazo, também é verdade que o Estado brasileiro, ao subsidiar sua agricultura, perde espaço para continuar contestando os subsídios dos ricos. Além disso, há outro grave problema no sistema. O Estado, para não repetir situações passadas, precisa criar um mecanismo de controle no uso deste dinheiro, o qual não existe de forma eficiente. Afinal, tal mecanismo pode favorecer a quem já tem recursos. Basta usá-los no plantio, captar o dinheiro público a 2% e aplicá-lo no mercado financeiro, aonde os juros vão de 6% a 10% ao ano, capitalizando ganhos individuais importantes com o dinheiro do Tesouro  Nacional.
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