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Tendências 12/09/2011


Argemiro Luís Brum
Inflação vai baixar

Conforme o esperado e por nós analisado meses atrás, a inflação brasileira, medida pelo IPCA (índice oficial) efetivamente subiu até agosto. A mesma fechou, no mês passado, no acumulado em 12 meses, em 7,23% estourando completamente o teto da meta inflacionária, que é de 6,5% ao ano. Todavia, assim como calculamos, salvo uma disparada muito forte dos preços nestes últimos quatro meses de 2011, a tendência agora é de a inflação anual recuar. Isso deverá ocorrer já nesse próximo mês de setembro. A explicação é simples: desde maio passado o índice mensal de inflação nacional recuou para uma média de 0,29% enquanto os percentuais no mesmo período do ano anterior foram muito mais elevados. Considerando que a inflação mensal venha a ficar em 0,40% nos próximos quatro meses, mesmo assim haverá recuo no acumulado anual, pois a média inflacionária entre setembro e dezembro de 2010 foi de 0,66%, com o mês de novembro/10 chegando mesmo a 0,83%. Desta forma, nesta projeção plausível de inflação para o restante de 2011, nossa inflação oficial chegaria, ao final de dezembro, em 6,17%. Ou seja, abaixo do teto da meta e exatamente dentro do que está, hoje, prevendo o governo. Tal comportamento conforta a lógica de redução de juros iniciada na última reunião do Copom.


Inflação vai baixar  (II)

Todavia, o problema é para 2012! A atual redução de juros terá incidência na economia a partir de fevereiro/março do próximo ano. Isso poderá levar a um reaquecimento da economia, puxado por fortes aumentos salariais (muitas categorias, atualmente, já pressionam por aumentos entre 10% e 15% quando não muito mais do que isso), a começar pelo novo salário mínimo, que terá um reajuste acima de 13%. Paralelamente, nada garante que o governo consiga realizar a contrapartida, tão necessária, de cortes no gasto público como está anunciando. 2012 é um ano eleitoral e, em nosso país, anos assim geralmente elevam os gastos públicos para além do previsto, e não o contrário. Provavelmente, a inflação possa continuar baixando no primeiro quadrimestre de 2012 (janeiro a abril) em função de que a média realizada em 2011, para esse período, foi muito elevada (0,8%). A partir de maio/12 a história será diferente, pois a média mensal dos quatro meses seguintes, em 2011, cai para 0,29% como vimos acima. Isso pode comprometer o objetivo de terminar o próximo ano com uma inflação de 4,5%, ou seja, no centro da meta estabelecida. As medidas práticas que o governo tomará a partir de agora nos dirão se poderemos lá chegar. Por enquanto, é uma incógnita! E, desta forma, não pode ser descartada uma retomada da alta de juros (Selic) ainda no primeiro semestre de 2012.


Mais milho do que soja

Levando-se em consideração a média de preços, os custos de produção e a produtividade obtida na última safra, é racional que os produtores rurais gaúchos optem por ampliar em maior escala a área de milho do que a de soja, embora as duas culturas tenham caminhado muito bem neste ano em termos de mercado. Quanto ao arroz, haverá mesmo substituição de área em algumas regiões, em favor do milho, tamanha foi a dificuldade de comercialização daquele produto nesta última safra, com preços que chegaram a pouco mais de R$ 18,00/saco de 50 quilos ao produtor em boa parte do primeiro semestre de 2011, quando o preço mínimo era de R$ 25,80/saco e os custos médios chegaram ao redor de R$ 27,00/saco. No caso do confronto entre milho e soja, a partir dos dados de custo total da safra passada, produtividade ponderada em relação ao custo e os preços praticados em abril de 2011, encontramos uma receita líquida média, por hectare, na soja de R$ 289,97. Enquanto isso, no milho, a receita líquida média estadual ficou em R$ 403,60/hectare. Ou seja, nesse ano o milho apresentou um resultado final médio, líquido, 39,2% superior ao da soja (com base em dados da Fecoagro, Emater e CEEMA). Isso conforta a decisão dos produtores gaúchos em aumentarem em 4,86% a área a ser semeada com milho para o novo ano agrícola, contra um aumento de apenas 0,88% na soja (primeiras projeções). A diferença só não é maior porque, em termos climáticos, o milho é uma cultura de maior risco e, em termos de comercialização, sua liquidez geralmente é menor do que a da soja. Mas com o avanço da tecnologia e o reposicionamento do mercado nacional do milho, aos poucos esse quadro comparativo está mudando. Dito isso, vale o alerta de que as variáveis custo de produção, clima e preços do produto dificilmente se combinarão favoravelmente em 2011/12 como foi o caso da última safra.                       
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