Brasil: comércio exterior surpeende em 2011
Contrariando as expectativas iniciais e, posteriormente, confirmando o desempenho positivo a partir de meados do ano, o fechamento de 2011 indicou que o Brasil obteve o melhor saldo comercial dos últimos quatro anos, apesar da forte sobrevalorização do Real ocorrida até o final de julho passado.
A balança comercial nacional indicou um saldo positivo de US$ 29,8 bilhões, com exportações de US$ 256,04 bilhões e importações de US$ 226,24 bilhões. Embora não tenha sido um recorde, já que o melhor resultado de nossa história se deu em 2006, quando o saldo final ficou em US$ 46,4 bilhões, o resultado de 2011 representa valores 11 vezes acima do obtido 10 anos antes. Dito de outra forma, em 2001, quando apenas iniciávamos o atual período de câmbio flutuante, nosso saldo comercial ficou em tão somente US$ 2,7 bilhões, diante de exportações que totalizaram US$ 58,3 bilhões e importações num total de US$ 55,6 bilhões.
Mas os atuais resultados precisam ser contemporizados à luz do que a abertura dos números de nossa balança comercial indica. Em primeiro lugar, do total de nossas exportações, 17,3% se devem à China, que nos comprou US$ 44,3 bilhões no ano passado. Assim, nossas vendas externas ainda estão concentradas em três regiões: União Europeia, EUA e China.
Brasil: comércio exterior surpeende em 2011 (II)
Em segundo lugar, as matérias-primas continuam sendo a “menina dos olhos” de nossas vendas externas. US$ 158,5 bilhões ou 61,9% de tudo que exportamos se compõem de matérias-primas, as quais tiveram preços mundiais ainda desproporcionais em 2011. Em terceiro lugar, deste total das matérias-primas, US$ 95 bilhões ou 60% das mesmas são compostos por bens agropecuários, confirmando a pujança de nosso agronegócio. Em quarto lugar, os dados anteriores demonstram que o setor industrial e de serviços não está conseguindo evoluir muito em nosso comércio externo. Em quinto lugar, nossas importações igualmente estiveram concentradas regionalmente, sendo que 15,1% (US$ 34,2 bilhões) foram procedentes dos EUA e 14,5% (US$ 32,8 bilhões) vieram da China. Enfim, o peso da tributação estatal sobre nossos produtos ainda é grande, impedindo que tenhamos um resultado ainda melhor. Além disso, o agravamento da crise internacional, a começar pela Europa, que parece estar longe de uma solução, deve impedir a repetição da performance comercial do ano passado, agora em 2012. Pelo menos os números de janeiro do corrente ano são um alerta: o saldo comercial brasileiro ficou negativo em US$ 1,29 bilhão, se constituindo no pior resultado, para um mês de janeiro, desde o início da série histórica, em 1973.
Comércio exterior: a atenção protecionista
Diante da continuidade da crise econômica mundial, um grande número de países voltou a flertar com o protecionismo comercial, imaginando nele encontrar uma tábua de salvação. O próprio Brasil, apesar de seus resultados em 2011, tem caminhado parcialmente nesta direção.
Um péssimo caminho, pois se no imediato o mesmo parece ser o melhor, no médio prazo ele custa caro e penaliza a sociedade em geral, forçando-a localmente a consumir produtos de baixa qualidade a preços mais elevados. Nesse contexto, o Mercosul vem se esfacelando, com impactos significativos na economia gaúcha. Trata-se, em especial, das constantes medidas de proteção comercial, diretas e indiretas, tarifárias e não-tarifárias, postas em prática pela Argentina. Tais ações, que ferem os acordos do bloco, colocam em dificuldades os cidadãos argentinos, em relação aos preços internos e ao seu poder de compra.
Ao mesmo tempo, coloca em xeque a sobrevivência de empresas brasileiras que para lá exportam. Em 2011, as ações protecionistas do vizinho país levaram 40% das empresas gaúchas a terem prejuízos acima de R$ 1,0 milhão. Outras 8,3% de empresas rio-grandenses acusaram perdas superiores a R$ 10 milhões.
Em não sendo possível canalizar para outros mercados, inclusive o interno, tal produção, estas empresas produzem menos e destroem empregos. O problema é que no atual cenário cambial e de organização econômica, na comparação com a Argentina, o Brasil vem tendo constantes superávits mesmo assim. Em 2011 o saldo em nosso favor foi de US$ 5,8 bilhões. Nos últimos nove anos, o Brasil tem um superávit de US$ 29,02 bilhões com o vizinho platino.
Todavia, somente em 2011, o Rio Grande do Sul registrou um déficit comercial de US$ 2 bilhões com a Argentina. Ou seja, como a Argentina produz essencialmente aquilo que os gaúchos produzem, as medidas protecionistas de nosso vizinho atingem, em particular, às empresas gaúchas. Dito de outra forma, aos olhos do conjunto do Brasil, ainda faz sentido aceitar o Mercosul desta maneira, pois o custo de hipotecar parte da economia gaúcha, em favor dos argentinos, é pequeno em relação aos resultados globais obtidos.
Contrariando as expectativas iniciais e, posteriormente, confirmando o desempenho positivo a partir de meados do ano, o fechamento de 2011 indicou que o Brasil obteve o melhor saldo comercial dos últimos quatro anos, apesar da forte sobrevalorização do Real ocorrida até o final de julho passado.
A balança comercial nacional indicou um saldo positivo de US$ 29,8 bilhões, com exportações de US$ 256,04 bilhões e importações de US$ 226,24 bilhões. Embora não tenha sido um recorde, já que o melhor resultado de nossa história se deu em 2006, quando o saldo final ficou em US$ 46,4 bilhões, o resultado de 2011 representa valores 11 vezes acima do obtido 10 anos antes. Dito de outra forma, em 2001, quando apenas iniciávamos o atual período de câmbio flutuante, nosso saldo comercial ficou em tão somente US$ 2,7 bilhões, diante de exportações que totalizaram US$ 58,3 bilhões e importações num total de US$ 55,6 bilhões.
Mas os atuais resultados precisam ser contemporizados à luz do que a abertura dos números de nossa balança comercial indica. Em primeiro lugar, do total de nossas exportações, 17,3% se devem à China, que nos comprou US$ 44,3 bilhões no ano passado. Assim, nossas vendas externas ainda estão concentradas em três regiões: União Europeia, EUA e China.
Brasil: comércio exterior surpeende em 2011 (II)
Em segundo lugar, as matérias-primas continuam sendo a “menina dos olhos” de nossas vendas externas. US$ 158,5 bilhões ou 61,9% de tudo que exportamos se compõem de matérias-primas, as quais tiveram preços mundiais ainda desproporcionais em 2011. Em terceiro lugar, deste total das matérias-primas, US$ 95 bilhões ou 60% das mesmas são compostos por bens agropecuários, confirmando a pujança de nosso agronegócio. Em quarto lugar, os dados anteriores demonstram que o setor industrial e de serviços não está conseguindo evoluir muito em nosso comércio externo. Em quinto lugar, nossas importações igualmente estiveram concentradas regionalmente, sendo que 15,1% (US$ 34,2 bilhões) foram procedentes dos EUA e 14,5% (US$ 32,8 bilhões) vieram da China. Enfim, o peso da tributação estatal sobre nossos produtos ainda é grande, impedindo que tenhamos um resultado ainda melhor. Além disso, o agravamento da crise internacional, a começar pela Europa, que parece estar longe de uma solução, deve impedir a repetição da performance comercial do ano passado, agora em 2012. Pelo menos os números de janeiro do corrente ano são um alerta: o saldo comercial brasileiro ficou negativo em US$ 1,29 bilhão, se constituindo no pior resultado, para um mês de janeiro, desde o início da série histórica, em 1973.
Comércio exterior: a atenção protecionista
Diante da continuidade da crise econômica mundial, um grande número de países voltou a flertar com o protecionismo comercial, imaginando nele encontrar uma tábua de salvação. O próprio Brasil, apesar de seus resultados em 2011, tem caminhado parcialmente nesta direção.
Um péssimo caminho, pois se no imediato o mesmo parece ser o melhor, no médio prazo ele custa caro e penaliza a sociedade em geral, forçando-a localmente a consumir produtos de baixa qualidade a preços mais elevados. Nesse contexto, o Mercosul vem se esfacelando, com impactos significativos na economia gaúcha. Trata-se, em especial, das constantes medidas de proteção comercial, diretas e indiretas, tarifárias e não-tarifárias, postas em prática pela Argentina. Tais ações, que ferem os acordos do bloco, colocam em dificuldades os cidadãos argentinos, em relação aos preços internos e ao seu poder de compra.
Ao mesmo tempo, coloca em xeque a sobrevivência de empresas brasileiras que para lá exportam. Em 2011, as ações protecionistas do vizinho país levaram 40% das empresas gaúchas a terem prejuízos acima de R$ 1,0 milhão. Outras 8,3% de empresas rio-grandenses acusaram perdas superiores a R$ 10 milhões.
Em não sendo possível canalizar para outros mercados, inclusive o interno, tal produção, estas empresas produzem menos e destroem empregos. O problema é que no atual cenário cambial e de organização econômica, na comparação com a Argentina, o Brasil vem tendo constantes superávits mesmo assim. Em 2011 o saldo em nosso favor foi de US$ 5,8 bilhões. Nos últimos nove anos, o Brasil tem um superávit de US$ 29,02 bilhões com o vizinho platino.
Todavia, somente em 2011, o Rio Grande do Sul registrou um déficit comercial de US$ 2 bilhões com a Argentina. Ou seja, como a Argentina produz essencialmente aquilo que os gaúchos produzem, as medidas protecionistas de nosso vizinho atingem, em particular, às empresas gaúchas. Dito de outra forma, aos olhos do conjunto do Brasil, ainda faz sentido aceitar o Mercosul desta maneira, pois o custo de hipotecar parte da economia gaúcha, em favor dos argentinos, é pequeno em relação aos resultados globais obtidos.