A essência da da crise
A essência do atual momento da crise mundial é o déficit público. Ou seja, a dívida interna dos diferentes países subiu tanto que o risco de calote é iminente. Na Grécia, por exemplo, tal endividamento chegou a 180% do PIB, nos EUA a 100%, no Japão a mais de 200% e assim por diante. Isso significa que tais países precisariam destinar toda a riqueza gerada em um ano ou mais para cobrir a dívida pública. Impossível! Com isso, o funcionamento dos países corre perigo. O problema se agravou quando, para tentar recuperar a economia combalida diante do estouro da crise em 2007/08, os Estados foram obrigados a gastar injetando dinheiro em suas economias. Hoje, esta situação não encontra mais sustentação. No Brasil, a dívida pública (interna) alcança aproximadamente 50% do PIB. Ainda não é desesperadora, e isso conforta em parte o país na turbulência global, no entanto a mesma vem crescendo rapidamente e sem controle. O problema geral é que ninguém deseja ou consegue realizar o que de fato seria o remédio para a doença: cortes nos gastos públicos, enxugando o Estado e readequando-o às suas receitas. Ou seja, além de parar de gastar mais do que arrecada, torna-se necessário cortar os excessos, que são muitos. No caso do Brasil, por exemplo, o custo do funcionamento do país, hoje, é um dos mais altos do mundo, com o agravante de que temos ainda uma alta burocracia e corrupção nos poderes públicos. Apenas no setor da energia industrial, em recente pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, o custo do país se encontra em 53% acima da média mundial (no Rio Grande do Sul o percentual sobe para 54%), com o valor nacional chegando a R$ 329,00/MWh, contra R$ 215,50 na média de 27 países pesquisados. Em relação a China, nossa energia é 56,7% mais elevada, em relação ao Uruguai e Argentina respectivamente 71,7% e 175% mais cara. Um dos motivos de tal ineficiência na competitividade vem do próprio Estado que, no Brasil, cobra 31,5% de impostos nas tarifas de energia industrial, contra 4,8% na China e ZERO por cento no Chile, México, Portugal e Alemanha, por exemplo. Enquanto não houver profundas reformas na estrutura estatal, com os Estados deixando de gastar mais do que arrecadam, possibilitando assim menores impostos e redução do seu custo, não haverá saída para a crise mundial em que estamos. Para o Brasil, além disso, o caminho para o desenvolvimento continuará bloqueado.
Brasileiros continuam gastando
Há duas grandes contradições no Brasil a respeito da atual crise econômica mundial, que já dura quatro anos e não pára de se aprofundar. Em primeiro lugar, o governo passado e agora o atual, para evitar que o país afunde de forma mais significativa nas conseqüências do problema, estimula o consumo interno. No governo passado, o estímulo foi tanto que a falta de infraestrutura do sistema produtivo não conseguiu acompanhar, gerando inflação a qual se está tentando conter às custas de uma freada importante na economia. O governo atual, agora, assustado pelo recrudescimento da crise mundial volta a apontar como saída a manutenção do consumo. Ora, sem infraestrutura suficiente, manter o consumo é pressionar para cima a inflação, gerando efeitos ainda mais perversos na economia interna. Por não termos feito o dever de casa antes, atualmente não temos condições de estimular a contento o consumo interno. Em segundo lugar, o consumo deve ser feito com responsabilidade, ou seja, dentro da capacidade de pagamento da população e empresas. Caso contrário, a Nação irá reprisar o que os Estados estão fazendo: a incapacidade de pagarem suas dívidas. Aliás, aqui no Brasil a inadimplência continua crescendo na média nacional e novos gastos familiares, num momento em que os empregos começam a ficar ameaçados pela crise, é uma irresponsabilidade. Particularmente com o significativo aumento dos juros! E como se não bastasse isso, os brasileiros, auxiliados pelo câmbio, estão gastando muito no exterior, gerando um rombo nas contas correntes. No primeiro semestre gastamos nada menos que US$ 10,2 bilhões, ou seja, um aumento de 44% sobre 2010 segundo o Banco Central. Mesmo com o aumento dos impostos sobre compras no cartão de crédito no exterior, 54,1% dos gastos externos foram feitos com essa modalidade de pagamento. Enquanto isso, os estrangeiros gastaram no Brasil, no primeiro semestre, apenas US$ 3,37 bilhões. Mais cuidadosos com suas finanças, os mesmos se defrontaram com um Brasil que é um dos países mais caros do mundo na atualidade. Outra contradição que começa a cobrar o seu preço!
Algumas reações
Enfim, o governo brasileiro começa a reagir em favor do setor produtivo industrial, visando compensar o custo do Estado e a realidade cambial, num contexto de crise mundial. O Plano Industrial que reduz impostos em R$ 25 bilhões em dois anos, para alguns setores, pode ser um bom caminho desde que eficientemente aplicado. Todavia, se o governo não cortar despesas, alguém irá pagar esta conta, fato que, para o conjunto da Nação, não se torna uma grande solução. Por outro lado, o pacote de compensação ao real sobrevalorizado, lançado no final de julho, acabou saindo pela culatra. Ao invés de favorecer ao exportador, o mesmo acabou taxando as exportações, tornando ainda mais caro vender no exterior e provocando um efeito contrário ao desejado. Na ânsia de sempre arrecadar, o governo acabou errando no instrumento e piorou o quadro exportador com a medida. Melhor então seria deixar como estava. A lição que fica é que entre o discurso e a prática, nos últimos tempos oficiais, há uma enorme distância. Em segundo lugar, muitas ações acabam demonstrando que existe igualmente muita incompetência na gestão pública nacional. Aliás, os escândalos quase diários iniciados no governo Lula e que agora continuam no governo Dilma, herança do governo anterior, são um claro exemplo de tal realidade. Nessas condições, logo mais a grande conquista que o país obteve, estabilizando sua economia e controlando a inflação a partir de 1994 com o Plano Real, irá se perder e voltaremos a estaca zero dos anos de 1980, os quais batizamos de “década perdida”. No atual caso, se deixarmos acontecer, será o momento de dizer futuras “gerações perdidas”.
A essência do atual momento da crise mundial é o déficit público. Ou seja, a dívida interna dos diferentes países subiu tanto que o risco de calote é iminente. Na Grécia, por exemplo, tal endividamento chegou a 180% do PIB, nos EUA a 100%, no Japão a mais de 200% e assim por diante. Isso significa que tais países precisariam destinar toda a riqueza gerada em um ano ou mais para cobrir a dívida pública. Impossível! Com isso, o funcionamento dos países corre perigo. O problema se agravou quando, para tentar recuperar a economia combalida diante do estouro da crise em 2007/08, os Estados foram obrigados a gastar injetando dinheiro em suas economias. Hoje, esta situação não encontra mais sustentação. No Brasil, a dívida pública (interna) alcança aproximadamente 50% do PIB. Ainda não é desesperadora, e isso conforta em parte o país na turbulência global, no entanto a mesma vem crescendo rapidamente e sem controle. O problema geral é que ninguém deseja ou consegue realizar o que de fato seria o remédio para a doença: cortes nos gastos públicos, enxugando o Estado e readequando-o às suas receitas. Ou seja, além de parar de gastar mais do que arrecada, torna-se necessário cortar os excessos, que são muitos. No caso do Brasil, por exemplo, o custo do funcionamento do país, hoje, é um dos mais altos do mundo, com o agravante de que temos ainda uma alta burocracia e corrupção nos poderes públicos. Apenas no setor da energia industrial, em recente pesquisa divulgada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, o custo do país se encontra em 53% acima da média mundial (no Rio Grande do Sul o percentual sobe para 54%), com o valor nacional chegando a R$ 329,00/MWh, contra R$ 215,50 na média de 27 países pesquisados. Em relação a China, nossa energia é 56,7% mais elevada, em relação ao Uruguai e Argentina respectivamente 71,7% e 175% mais cara. Um dos motivos de tal ineficiência na competitividade vem do próprio Estado que, no Brasil, cobra 31,5% de impostos nas tarifas de energia industrial, contra 4,8% na China e ZERO por cento no Chile, México, Portugal e Alemanha, por exemplo. Enquanto não houver profundas reformas na estrutura estatal, com os Estados deixando de gastar mais do que arrecadam, possibilitando assim menores impostos e redução do seu custo, não haverá saída para a crise mundial em que estamos. Para o Brasil, além disso, o caminho para o desenvolvimento continuará bloqueado.
Brasileiros continuam gastando
Há duas grandes contradições no Brasil a respeito da atual crise econômica mundial, que já dura quatro anos e não pára de se aprofundar. Em primeiro lugar, o governo passado e agora o atual, para evitar que o país afunde de forma mais significativa nas conseqüências do problema, estimula o consumo interno. No governo passado, o estímulo foi tanto que a falta de infraestrutura do sistema produtivo não conseguiu acompanhar, gerando inflação a qual se está tentando conter às custas de uma freada importante na economia. O governo atual, agora, assustado pelo recrudescimento da crise mundial volta a apontar como saída a manutenção do consumo. Ora, sem infraestrutura suficiente, manter o consumo é pressionar para cima a inflação, gerando efeitos ainda mais perversos na economia interna. Por não termos feito o dever de casa antes, atualmente não temos condições de estimular a contento o consumo interno. Em segundo lugar, o consumo deve ser feito com responsabilidade, ou seja, dentro da capacidade de pagamento da população e empresas. Caso contrário, a Nação irá reprisar o que os Estados estão fazendo: a incapacidade de pagarem suas dívidas. Aliás, aqui no Brasil a inadimplência continua crescendo na média nacional e novos gastos familiares, num momento em que os empregos começam a ficar ameaçados pela crise, é uma irresponsabilidade. Particularmente com o significativo aumento dos juros! E como se não bastasse isso, os brasileiros, auxiliados pelo câmbio, estão gastando muito no exterior, gerando um rombo nas contas correntes. No primeiro semestre gastamos nada menos que US$ 10,2 bilhões, ou seja, um aumento de 44% sobre 2010 segundo o Banco Central. Mesmo com o aumento dos impostos sobre compras no cartão de crédito no exterior, 54,1% dos gastos externos foram feitos com essa modalidade de pagamento. Enquanto isso, os estrangeiros gastaram no Brasil, no primeiro semestre, apenas US$ 3,37 bilhões. Mais cuidadosos com suas finanças, os mesmos se defrontaram com um Brasil que é um dos países mais caros do mundo na atualidade. Outra contradição que começa a cobrar o seu preço!
Algumas reações
Enfim, o governo brasileiro começa a reagir em favor do setor produtivo industrial, visando compensar o custo do Estado e a realidade cambial, num contexto de crise mundial. O Plano Industrial que reduz impostos em R$ 25 bilhões em dois anos, para alguns setores, pode ser um bom caminho desde que eficientemente aplicado. Todavia, se o governo não cortar despesas, alguém irá pagar esta conta, fato que, para o conjunto da Nação, não se torna uma grande solução. Por outro lado, o pacote de compensação ao real sobrevalorizado, lançado no final de julho, acabou saindo pela culatra. Ao invés de favorecer ao exportador, o mesmo acabou taxando as exportações, tornando ainda mais caro vender no exterior e provocando um efeito contrário ao desejado. Na ânsia de sempre arrecadar, o governo acabou errando no instrumento e piorou o quadro exportador com a medida. Melhor então seria deixar como estava. A lição que fica é que entre o discurso e a prática, nos últimos tempos oficiais, há uma enorme distância. Em segundo lugar, muitas ações acabam demonstrando que existe igualmente muita incompetência na gestão pública nacional. Aliás, os escândalos quase diários iniciados no governo Lula e que agora continuam no governo Dilma, herança do governo anterior, são um claro exemplo de tal realidade. Nessas condições, logo mais a grande conquista que o país obteve, estabilizando sua economia e controlando a inflação a partir de 1994 com o Plano Real, irá se perder e voltaremos a estaca zero dos anos de 1980, os quais batizamos de “década perdida”. No atual caso, se deixarmos acontecer, será o momento de dizer futuras “gerações perdidas”.